A chegada do magnata ítalo-americano Rocco Commisso ao controle da Fiorentina, em 2019, foi uma promessa de tempos melhores para o clube que havia beirado a zona de rebaixamento na temporada anterior. A contratação de Franck Ribéry foi o principal símbolo das novas ambições que, por diversos motivos, ainda não se traduziram em resultados ou em um futebol confiável. Às vésperas da última pausa internacional do ano, a Viola decidiu fazer uma mudança que resgata o passado recente: trocou o treinador Giuseppe Iachini por Cesare Prandelli.

Iachini foi contratado no começo da temporada 2019/20, após vários trabalhos no futebol italiano, especializado em conquistar promoções à Serie A. Teve altos e baixos e muitos empates. Era um time que geralmente sofria para alcançar suas vitórias, apesar de alguns bons resultados. Teve uma sequência de oito jogos sem vencer entre novembro e janeiro e chegou próximo à virada do turno em 15º lugar, perto da zona de rebaixamento.

Deu a volta por cima, com um returno de apenas cinco derrotas, e terminou a Serie A em uma sólida décima colocação. Pelas circunstâncias, os desafios da , foi aceitável para lhe dar mais uma chance, mas os resultados deste início da temporada foram a gota d’água. A Fiorentina ganhou apenas uma das últimas seis rodadas do Campeonato Italiano e está presa ao meio da tabela. De qualquer maneira, Commisso fez questão de elogiar Iachini, em entrevista e na nota oficial que anunciou sua demissão.

“Antes de tudo, quero agradecer Beppe Iachini pessoalmente, um treinador capaz e determinado que, no momento mais difícil da temporada passada, guiou a equipe com seu trabalho, sua dedicação e seu caráter”, afirmou, segundo a Gazzetta dello Sport. “Infelizmente, os resultados atuais exigem uma mudança de liderança técnica, mas minha estima e gratidão para com o homem e o profissional permanecem completamente inalterados”.

A reposição não exigiu muita ponderação, nem pegou ninguém de surpresa. A Fiorentina foi o trabalho da vida de Prandelli, e a passagem do experiente treinador pelo Artemio Franchi foi o melhor momento do clube neste século. A Viola conseguiu emplacar dois quartos lugares consecutivos, com classificação à Champions League. Chegou à semifinal da Copa da (derrotado pelo Rangers nos ) e nas oitavas de final do principal torneio europeu (perdeu nos gols marcados fora de casa para o Bayern de Munique).

Acontece que desde então…. Prandelli saiu em 2010 para conduzir uma boa campanha da seleção italiana à final da Eurocopa, mas, dois anos depois, no Brasil, também esteve à frente de mais uma eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo. Teve passagens curtíssimas por e Valencia antes de ir ganhar uma graninha extra no Al Nasr de Dubai. Seu último trabalho, pelo Genoa, em 2018/19, passou longe do ideal.

Ele assumiu o time em dezembro, no lugar de Ivan Juric, e de cara perdeu o seu principal atacante, Piatek, para o Milan, em janeiro. Conseguiu apenas quatro vitórias, com nove derrotas e 11 empates. Ficou na Serie A apenas porque levava vantagem no confronto direto com o . Acabou deixando o clube ao fim daquela temporada.

Tentar resgatar o passado nunca é garantia de sucesso, e às vezes leva a profundas decepções, mas a combinação faz sentido para ambos. A Fiorentina tem um treinador que conhece bem o clube e que já foi do nível que ela precisa para o seu novo projeto, que pode ganhar um novo impulso quando entrar o dinheiro da venda de Federico Chiesa à Juventus. Prandelli, da mesma maneira, encontra um dono ambicioso e um ambiente familiar para tentar reconstruir um pouco da sua reputação, abalada pelos últimos fracassos.

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