Itália

Falhei na hora H, de quem é a culpa?

Calma, a Trivela não passou a ter a saúde sexual como tema de seus textos. O que está em questão aqui é o fato de o Napoli não conseguir dar um salto de qualidade na hora necessária. Ou seja, na hora em que a Juventus tropeça e reabre o campeonato, a equipe da Campânia falha e não consegue se tornar um concorrente direto ao título. Por quais razões isto vem acontecendo?

Não é a primeira vez desde que o Napoli deixou o inferno da terceira divisão que a equipe ensaia brigar pelo título. Na temporada 2010-11, o Milan buscava quebrar a hegemonia de cinco anos de uma Inter que caía pelas tabelas com Rafa Benítez, mas que vinha se recuperando com Leonardo. O Napoli também estava na briga e somava pontos improváveis. Lutando muito, arrancava pontos nos finais de jogo e, na Itália um termo equivalente ao Fergie Time ou à zona Cesarini foi criado. Era a “zona Mazzarri”. Na 27ª rodada, houve confronto direto com o Diavolo, em San Siro. Apesar da fase melhor, levou uma sapatada: 3 a 0. A distância, que era de 3 pontos e poderia ser aniquilada, foi para 6.

Apesar disso, o Napoli só foi se abalar na 34ª rodada, quando perdeu para a forte Udinese, que acabaria o campeonato em 4º. Ou seja, quando perdeu outro jogo decisivo. As falhas na hora H levaram o time para uma melancólica terceira posição, muito embora os torcedores ficassem felizes. Afinal, era a melhor campanha napolitana desde o time de Maradona e Careca. Na temporada seguinte, o time conseguiu voltar às glórias com o título da Coppa Italia, mas o bloqueio parece vivo.

Hoje em dia, uma coisa é notória. O Napoli não decide mais as partidas como antes. Não dá para dizer que a zona Mazzarri não existe mais – afinal, a equipe partenopea marcou a maioria de seus gols (12 deles) nos últimos 15 minutos de jogo -, embora ela esteja menos impactante. A equipe se desconcentra nos minutos finais e não à toa sofreu 7 gols na reta final das partidas. O Napoli atual é mais sólido que o de dois anos atrás e, por isso, tem precisado de menos tensão para vencer jogos.

No entanto, abordar uma partida com mais garra se faz necessário. Principalmente após dois frustrantes empates por 0 a 0 contra Sampdoria e Udinese, logo antes de enfrentar a Juventus (o jogo acontece nesta sexta). Agora que estes empates podem ter custado o scudetto, nada mais justo que entrar em campo contra a Velha Senhora com a faca nos dentes e o coração na ponta da chuteira. Afinal, apenas uma vitória pode mudar os rumos da temporada azzurra.

A questão é que o problema de performance do Napoli é, muito provavelmente, psicológico – e dificilmente solucionável de uma hora para outra. A equipe passa por um momento em que os calos de tensão ficam evidentes. Quando a já grande pressão de assumir o posto de rival máximo da Juve em um campeonato cresce, como nas duas últimas rodadas, o Napoli cai assustadoramente de rendimento. É como se a equipe não conseguisse gerir a pressão de rivalizar novamente com a sua principal adversária, historicamente, no futebol italiano. A vitória sobre a própria Juventus na copa nacional não ajudou a equipe a decolar de vez.

A ida de Maradona a Nápoles, para resolver problemas fiscais e também para assistir in loco à Napoli-Juventus, poderia ser o maior dos incentivos para a equipe. No entanto, serviu para deixar ainda mais vivas as lembranças de uma época em que o time chegava nas cabeças e, com o protagonismo do craque, vencia por duas vezes o campeonato. As memórias se voltam aos anos 1980 e 1990, embora hoje este Napoli seja vice-líder da Serie A, tenha craques no plantel e ainda possa brigar pelo título. Porém, falta o salto de qualidade necessário a qualquer time que queira assustar os concorrentes.

Sem questionar Cavani e Hamsík, semi-deuses na Campânia e elogiados pelo próprio Pibe d’Oro (“Hamsík é fantástico” e “adoraria jogar às costas de Cavani, lhe dando assistências como fazia com Careca” foram algumas frases do craque argentino), a torcida sofre por não entender porque o time não consegue render na hora H. Mazzarri é um técnico motivador, muito bom taticamente, e a equipe tem jogadores de qualidade – um deles, com um poder de decisão absurdo e, não à toa, chamado de Matador.

Agora, as coisas não tem seguido o roteiro desejado pelos partenopei, e o time segue com a moral baixa. A mesma moral baixa que demonstrou na partida ante à Udinese. “Opaco” é a palavra menos ofensiva que pode ser utilizada para descrever o futebol napolitano nesta noite. Só que não dá para pedir para Maradona jogar. Ao menos não dentro de campo. A presença do ex-jogador nas arquibancadas do estádio San Paolo nesta sexta pode impulsionar uma das torcidas mais fanáticas do futebol italiano e, por tabela, a equipe no gramado. Porque cada um vai ter que ter um pouco de Maradona até o fim do campeonato, se o objetivo ainda for voltar a conquistar um scudetto.

Pallonetto

– A recepção da torcida da Inter a Balotelli no dérbi de Milão foi dura, como se previa. Alguns torcedores, no entanto, passaram completamente dos limites e a Inter acabou multada em 50 mil euros (pouquíssimo), por cânticos e gestos racistas ao atacante.

– Já a recepção a Maradona, em Nápoles, foi mais do que calorosa. Através deste vídeo dá para entender porque a torcida do Napoli é uma das mais animadas da Itália.

– A mágica em Catania continua. Treinada por Rolando Maran, a equipe siciliana está na 7ª posição, com 42 pontos – mesma quantidade que a Fiorentina. A equipe deve bater seu recorde de pontuação e atingir sua melhor classificação na Serie A em toda a história. E, de quebra, conquistar uma vaga em competições europeias.

– Seleção Trivela da 26ª rodada: Handanovic (Inter); Lichtsteiner (Juventus), Barzagli (Juventus), Radu (Lazio), Lulic (Lazio); Castro (Catania), Conti (Cagliari), Poli (Sampdoria); Diamanti (Bologna), Pjanic (Roma); Pinilla (Cagliari). Técnico: Rolando Maran (Catania).

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