Itália

Mais problemas com apostas: Fagioli se assume viciado e áudios envolvem ex-capitão da Juventus

Fontes do jornal "La Repubblica" afirmam que o jovem da Juventus não escondia seu vício em apostas dos companheiros de vestiário

Afastado da Juventus por estar sob investigação da Procuradoria de Turim, Nicolò Fagioli confirmou, através de seus agentes, seu vício em apostas. Segundo fontes do jornal italiano “La Repubblica”, o jogador não escondia seu hábito dos colegas de vestiário. Inclusive, conversas sobre o tema apostas, entre Fagioli e o ex-capitão da Juve, Leonardo Bonucci, estão sendo analisadas pelas autoridades. 

– Estávamos nos aproximando do verão e a primeira coisa que fizemos foi aconselhá-lo a assumir o problema (com vício em apostas) que tinha e iniciar o respectivo tratamento. Somos a maior agência do mundo, mas a relação com os nossos clientes é próxima, contínua e pessoal. Nicolò sofre de ludopatia, um problema que surgiu quando não éramos os agentes dele. Apesar disso, decidimos não deixá-lo sozinho. Por isso, para além da má gestão, estamos ajudando de todas as formas possíveis. E devo dizer que ele tem tido um comportamento exemplar desde que assinou conosco – revelou o empresário Marco Giordano ao diário italiano.

– O pai (do atleta) diz que não tinha conhecimento de nada e aponta o dedo a quem cuida dos interesses do jogador. Alguns procuradores falam da má gestão das agências multinacionais. A única coisa que posso dizer é que o nosso cliente teve estes problemas antes de assinar com a Caa Stellar – acrescentou.

Jogadores da seleção italiana também são investigados

As trocas de mensagens no celular de Fagioli, apreendido pela Procuradoria de Turim, também apontam outros nomes importantes do futebol italiano envolvidos com apostas ilegais. Conversas entre o meia de 22 anos e outros dois jogadores da seleção italiana, que atuam na Premier League, foram encontradas: Zaniolo, meia do Aston Villa, e Tonali, meia do Newcastle

De acordo com as autoridades, os diálogos deixam claro que ambos apostavam em sites ilegais no país, mas se limitavam aos cassinos online, ao pôquer e ao blackjack. No entanto, há indícios de que eles também teriam participado das apostas em partidas de futebol. 

Zaniolo e Tonali aguardam a análise de seus celulares, apreendidos na última quinta-feira (12), após os dois serem retirados da preparação da seleção italiana. Os promotores italianos ainda não solicitaram os depoimentos dos dois, razão pela qual eles já retornaram à Inglaterra para se reapresentar aos respectivos clubes.

As regras contra apostas são rígidas tanto na Itália, onde os dois atuavam antes, quanto na Inglaterra, onde atuam hoje. Tonali jogava pelo Milan e foi vendido para o Newcastle nesta temporada. Zaniolo deixou a Roma, em janeiro, rumo ao Galatasaray, antes de se transferir para o Aston Villa.

Procuradoria aponta existência de cúmplices em caso Fagioli 

Outras pessoas do meio do futebol, inclusive o que pode ser uma “rede de atletas”, que estavam cientes do vício de Fagioli, mas não reportaram à Federação Italiana de Futebol, também estão sendo investigados. Isso porque, de acordo com o código de justiça desportiva da Itália, quem souber de um jogador ou empresa ligada ao esporte que tenha envolvimento com apostas tem a obrigação de informar ao Ministério Público Federal. 

A pena é pesada para quem acobertar casos de apostadores: cerca de seis meses de gancho e desclassificação. Em suma, o silêncio dos companheiros de time pode custar caro nesses casos. Eles ainda podem ser autuados como cúmplices pelo MP italiano.

No dossiê do procurador federal Giuseppe Chinè, os únicos citados até o momento são Fagioli e Tonali. O atleta da Juventus já se pronunciou. O objetivo é negociar uma pena mais leve do que o mínimo de 3 anos de banimento exigido pelo código. Um acordo de confissão antes do encaminhamento, na verdade, permitiria uma pena reduzida pela metade, ou seja, de 18 meses. Circunstâncias atenuantes, como o tratamento psicológico para o vício em apostas, também podem ajudar a reduzir a pena.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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