Fàbregas: ‘Eu como a me… e os jogadores têm de aproveitar o seu talento’
Técnico do Como defende elenco após goleada sobre o Pisa, critica impacto das redes sociais e reforça necessidade de dar liberdade aos atletas
A goleada por 5 a 0 sobre o Pisa, neste domingo (22), confirmou o grande momento do Como, que chegou à quinta vitória consecutiva na Serie A e se firmou na quarta colocação. Depois da partida, no entanto, o assunto principal acabou sendo a entrevista de Cesc Fàbregas.
Em um discurso forte, o técnico espanhol saiu em defesa dos jogadores, criticou o efeito das redes sociais e deixou claro que prefere assumir o peso da pressão para que o time jogue com mais liberdade. Fàbregas afirmou que a ideia do seu Como passa, antes de tudo, por um time que se sente confortável em campo.
– A diversão é a palavra-chave do meu Como. As redes sociais estão matando as pessoas, o talento, o caráter, porque são pessoas diferentes e precisam de amor, de uma palmada nas costas.
Fàbregas dedica vitória do Como e faz mea-culpa
Foi nesse contexto que o espanhol usou a frase mais marcante da entrevista. Ao explicar como enxerga a função do treinador, Fàbregas disse que cabe a ele absorver a cobrança para aliviar o lado dos jogadores. Para ele, dar liberdade ao elenco não significa abrir mão da competitividade, mas criar um ambiente em que os atletas consigam render sem medo.
– A sociedade é forte, o treinador tem responsabilidades e, se eu errar, a culpa é minha, mas os jogadores devem se sentir livres para se expressarem. Sou eu que como a me***. Eles têm de aproveitar o seu talento em campo.

Além da atuação dominante em campo, o triunfo sobre o Pisa teve um significado especial para o Como. Fàbregas dedicou a vitória a Michael Hartono, um dos proprietários do clube, falecido recentemente, e tratou o resultado como o mais importante da sequência justamente pelo momento vivido nos bastidores.
– Há vitórias e vitórias, e a de hoje é a mais importante porque perdemos uma pessoa importante para o nosso mundo. A vitória é para o Michael e para toda a família Hartono. É graças a eles que podemos viver tudo o que estamos vivendo.
O ex-meio-campista também falou sobre si ao analisar a própria postura diante da imprensa. Admitiu que a sinceridade, por vezes, joga contra, mas indicou que isso faz parte de um processo de amadurecimento ainda em curso. Na mesma linha, reconheceu que ainda está em formação como treinador
– Tento ser sincero e isso me penaliza. Sou muito sincero e falo demais. Devia aprender a dizer as duas palavras que todos querem ouvir e ir para casa. Mas sou jovem, emotivo. Uma coisa é ser um treinador com noventa jogos de experiência, outra será quando tiver quinhentos. Nunca se para de aprender.
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O especial e diferente Como de Fàbregas
O Como de Fàbregas chama atenção justamente por fugir do “lugar-comum”. Mesmo sem ter o peso e o investimento dos gigantes italianos, a equipe tenta controlar o jogo a partir da posse, sustentar a bola no campo de ataque e construir desde trás sem abrir mão da própria proposta.
Trata-se de uma escolha estratégica: quanto mais tempo o time passa com a bola, menos se expõe e maior é a chance de competir em igualdade contra adversários, em tese, mais fortes. Essa ideia ajuda a explicar por que Fàbregas bate tanto na tecla da liberdade e da confiança.
Para executar um modelo que exige coragem, leitura e precisão, o jogador precisa se sentir respaldado, inclusive para errar. É nesse ponto que o discurso do treinador se conecta ao campo: ao assumir publicamente a pressão e blindar o elenco, ele tenta criar um ambiente em que o time não jogue travado pelo medo, mas convencido daquilo que precisa fazer.
Fàbregas parece preocupado em consolidar uma identidade. O crescimento do Como, na visão do espanhol, passa menos pela urgência da tabela e mais pela repetição de comportamentos, pela manutenção da ideia e pela evolução coletiva ao longo do processo.



