Itália

EuroGenoa

Na última rodada da temporada 1990/91, o Genoa recebeu a Juventus e venceu por 2 a 0, com gols de Branco e Skuhravy, garantindo o quarto lugar na Serie A e conquistando uma vaga na Copa Uefa. Hoje, após uma vitória por 3 a 2 sobre a Vecchia Signora, os Grifoni ocupam a mesma quarta posição, que tem um valor ainda maior: a classificação para a Liga dos Campeões, inédita na história do clube. Ainda faltam sete jogos e a vantagem sobre a Fiorentina é de apenas dois pontos, mas o futebol mostrado pelo time de Gian Piero Gasperini leva a crer que será difícil deixar a vaga escapar.

Desde a partida mencionada, o Genoa só havia vencido a Juve mais uma vez, na temporada seguinte, por 2 a 1. Seguiram-se 14 jogos entre as duas equipes, com dez vitórias dos bianconeri e quatro empates. O tabu terminou em grande estilo, já que não apenas foi uma prova de força genoana, como ainda acabou com as possibilidades de título da Juventus antes do confronto direto com a Internazionale no próximo sábado. Com a diferença em sete pontos, poderia haver alguma esperança para os comandados de Claudio Ranieri. Como são dez, fica no ar o cheiro de um amistoso de luxo no Olímpico de Turim.

É impossível dizer que havia um lado mais motivado em Marassi, porque horas antes a Fiorentina havia tomado do Genoa o quarto lugar na tabela ao bater o Cagliari por 2 a 1 e a Inter havia deixado escapar pontos no empate por 2 a 2 com o Palermo. A vitória era fundamental para ambos, e no fim das contas o melhor jogo coletivo do Genoa prevaleceu sobre as individualidades da Juve. É impossível falar do jogo sem mencionar a arbitragem ruim de Gianluca Rocchi, mas foi um daqueles casos em que as duas equipes foram prejudicadas em determinados episódios.

Ao vencer pela quarta vez consecutiva na Serie A, o que não conseguia desde a temporada 1976/77, o Genoa deu um exemplo de como um elenco montado de forma inteligente pode crescer sob o comando de um técnico capaz. Gasperini, que passou nove temporadas dirigindo equipes de base da Juventus, fez com que o time fosse cada vez menos dependente do artilheiro Diego Milito – a ponto de sua ausência por lesão mal ser sentida no último sábado. Não por acaso vai se tornando popular o apelido de “Sir Gasperson”, em alusão a Alex Ferguson.

No módulo 3-4-3 do Genoa, destacam-se alguns jogadores que haviam sido descartados por outros clubes. O zagueiro Ferrari, antes fora dos planos na Roma, é um pilar defensivo. O meia ítalo-brasileiro Thiago Motta, autor de dois gols contra a Juve, tem sido o toque de classe na criação do jogo rossoblú. E pensar que ele chegou em setembro, sem contrato, sob olhares de desconfiança por seu histórico de problemas físicos nas passagens por Barcelona e Atlético de Madrid. Agora, é um jogador que interessa a equipes maiores e, na pior das hipóteses, valerá uma boa venda.

Ironicamente, o gol da vitória nos minutos finais foi marcado por Palladino, um jogador que teve pouco espaço na Juve, por causa da grande concorrência no ataque, e ainda é ligado ao clube de Turim em co-propriedade. Sofrer o empate com um homem a mais poderia ter sido um duro golpe para o Genoa, mas o poder de reação quase imediato nas situações adversas é outra virtude a exaltar. Vale lembrar, ainda, que a defesa ancorada pelo goleiro Rubinho tem média de menos de um gol sofrido por jogo (29 gols em 31 rodadas) e só tem desempenho inferior às de Inter e Milan.

Como a fase é boa, manter o quarto lugar pode não ser o único objetivo para os Grifoni até o fim da temporada. Afinal de contas, o Milan está a apenas quatro pontos e a Juventus a seis. O terceiro lugar (e a vaga direta nos grupos da LC) e até o vice-campeonato não são objetivos impossíveis. É o voo do Genoa com destino à Europa que conta.

Ficou só no discurso

A ideia de uma rodada marcada pela serenidade e pelo respeito às vítimas do terremoto no Abruzzo não passou de jogo de palavras. Em campo e fora dele, sobraram episódios lesivos ao princípio de fair play, em especial no dérbi entre Lazio e Roma. Os mesmos jogadores que se abraçaram para o minuto de silêncio no círculo central protagonizaram um tumulto generalizado no segundo tempo, que terminou com as expulsões de Matuzalém e Mexès.

No intervalo, o técnico romanista Luciano Spalletti e o ex-jogador Igli Tare, hoje dirigente da Lazio, também haviam sido expulsos por bater boca. Assim, fica difícil dizer para os torcedores não se envolverem em episódios de violência dentro e fora do estádio, como aconteceu mais uma vez.

Também houve problemas em Florença, com confusão entre os jogadores de Fiorentina e Cagliari no túnel após a partida. Os jogadores do Cagliari acusam Felipe Melo de ter dado um soco no uruguaio Diego López. O argentino Sergio Almirón, da Fiorentina, teria sido agredido por López ao tentar separar a briga. Resta saber se o trio de arbitragem viu a confusão para facilitar o trabalho do tribunal.

A rodada da Serie A terminou com cerca de € 828 mil levantados para o auxílio às vítimas. Mas seria bom se esse dinheiro viesse acompanhado de uma mensagem mais firme e não apenas de um discurso bonito.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo