Itália

Eles voltaram. E querem vingança

Os jogadores do Milan já retornaram a Milão, mas Ronaldinho permanece em Turim. A noite é uma criança enquanto o brasileiro se diverte em um restaurante da capital piemontesa, onde se comemora o aniversário do irmão, Assis. Próxima parada? A “Copa Rio”, uma casa noturna onde Ronaldinho cai no pagode ao lado de um grupo de amigos. Assume o surdo e se diverte. A cena é comum: mulheres se acotovelam para chegar perto, homens tiram fotos com seus celulares. Mais de três horas depois, em plena madrugada, toma o rumo de casa.

Se a cena acima descrita tivesse acontecido lá por setembro, quando o Milan sofria com um péssimo início de temporada e não conseguia se achar dentro de campo, as reações da torcida teriam sido coléricas. Ronaldinho seria criticado por cair na noite e mostrar falta de comprometimento com o time. Desta vez, no entanto, a história é bem diferente. O camisa 80 havia acabado de ser decisivo na vitória por 3 a 0 sobre a Juventus em pleno Olímpico de Turim, marcando os dois gols que mataram as esperanças – no jogo e também de título – da Vecchia Signora. Da última vez que venceu no campo dos bianconeri, na temporada 2003/04, o Diavolo se sagrou campeão.

O Milan saiu de campo credenciado como o “anti-Inter”, papel que, pelos investimentos feitos na pré-temporada, deveria caber à Juve. Mais do que isso, vem jogando o futebol mais atraente da Serie A. O time, que sofria para marcar um gol nas primeiras rodadas, agora cria chances com facilidade e também balança as redes de várias maneiras. Se até mesmo a classificação para a Liga dos Campeões parecia fora do alcance, agora o tema “scudetto” é tratado com naturalidade.

Para isso, será fundamental vencer a Inter no clássico da segunda rodada do returno, dia 24. É a oportunidade de não apenas reduzir a desvantagem em pontos, como também de superar a barreira psicológica imposta pela goleada de 4 a 0 aplicada pelos nerazzurri no início do campeonato, quando o time de Leonardo era um bando em campo.

No espaço de uma semana, o Milan venceu Genoa e Juventus marcando um total de oito gols. Tudo isso sem contar com Seedorf e Pato, dois titulares absolutos. Sinal de que a volta de Gattuso, recuperado de lesão, e a chegada de Beckham não poderiam vir em melhor momento, já que o esquema 4-2-1-3 pôde ser mantido, com Pirlo adiantado para fazer a função do holandês, e Beckham substituindo Pato na direita do trio ofensivo.

Seria difícil que o esquema voltado ao ataque funcionasse, porém, se não houvesse uma dupla de zaga tão segura quanto a formada por Nesta e Thiago Silva. O italiano, livre de problemas físicos, tem sido impecável na retaguarda – e ainda colabora na frente. Os três gols que fez nesta temporada representam sua melhor marca pessoal. Thiago, por sua vez, impressiona por não transparecer pontos fracos. É forte fisicamente, posiciona-se bem, antecipa-se aos atacantes e também se garante no jogo aéreo. Contra a Juventus, Diego e Amauri desapareceram na marcação da dupla.

O mérito da defesa tem de ser reconhecido porque a iniciativa do jogo cabia a uma pressionada Juventus, que voltou a provar que não importa o quanto mude de esquema, não consegue achar o caminho da tranquilidade. Ciro Ferrara sabe que está com os dias contados, sabe que está vivendo a cada dia sob a sombra de Guus Hiddink, e que a essa altura não dá para fugir da realidade do fracasso da dupla de € 50 milhões formada por Diego e Felipe Melo.

Fragilidade juventina à parte, é inegável que o Milan deu uma prova de força. Hoje não há mais como questionar o trabalho de Leonardo, que pode ter levado algum tempo, mas encontrou uma maneira eficiente de fazer a equipe jogar. Já não se fala mais em quem ficou no passado, como Ancelotti, Maldini e Kaká. A Inter ainda tem de ser considerada favorita ao título, por arrancar os resultados mesmo quando não joga um grande futebol. De qualquer forma, o simples fato de entrar no segundo turno como concorrente ao título já alivia os maiores temores que o torcedor tinha – com razão – há alguns meses.

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Equipe Trivela

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