Futebol italiano

Por que Ederson virou alvo de gigante europeu mesmo em baixa no Fenerbahçe

Goleiro perdeu protagonismo após temporada irregular no Fenerbahçe, mas segue valorizado na Europa por características que podem se encaixar no projeto da Juventus

Ederson passou boa parte da última década sendo tratado como referência entre os goleiros. No Manchester City de Pep Guardiola, redefiniu o papel da posição com os pés, empilhou títulos e ajudou a transformar a saída de bola em uma das maiores armas do time inglês. Hoje, no Fenerbahçe, o cenário é diferente.

Depois de uma temporada marcada por oscilações no gigante turco, o brasileiro voltou ao mercado. Segundo o site turco “Fanatik”, a Juventus iniciou conversas para contratar o goleiro de 32 anos, enquanto o clube de Istambul estaria disposto a ouvir propostas, especialmente por conta do alto salário do jogador.

O interesse da equipe de Turim surge mesmo com o brasileiro atravessando seu momento mais instável desde que explodiu na Europa. A resposta para esse movimento, no entanto, passa tanto pelo contexto da Juventus quanto pelas qualidades que Ederson ainda oferece.

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A temporada que mudou a percepção sobre Ederson

A chegada ao Fenerbahçe representava uma oportunidade de recomeço. Depois de oito temporadas no Manchester City, o brasileiro trocou a Inglaterra pela Turquia cercado de expectativa. A ideia era que se tornasse uma das lideranças do projeto comandado por José Mourinho e mantivesse o nível que o colocou entre os melhores goleiros do mundo durante anos.

Isso, porém, não aconteceu da forma esperada. Embora tenha disputado 36 partidas na temporada e seguido como titular durante boa parte da campanha, Ederson conviveu com críticas constantes da imprensa e da torcida. Erros em momentos importantes, insegurança em algumas bolas defensáveis e um rendimento abaixo do que acostumou fizeram crescer a discussão sobre seu futuro.

O próprio “Fanatik” afirma que o Fenerbahçe está aberto a negociar o brasileiro, contratado junto ao Manchester City por cerca de 11 milhões de euros e com contrato até 2028. Não se trata de um goleiro em declínio físico evidente, mas de um jogador cuja margem de erro passou a ser muito mais observada depois de anos atuando em alto nível.

Ederson tem noite para esquecer
Ederson teve uma temporada irregular pelo Fenerbahçe (Foto: IMAGO / BSR Agency)

Mas o que faz a Juventus olhar para Ederson vai além das últimas atuações. Mesmo aos 32 anos, o brasileiro continua oferecendo uma combinação de características que poucos goleiros possuem.

Sua qualidade com os pés continua entre as melhores do futebol mundial. Durante toda a passagem pelo Manchester City, Ederson foi praticamente um armador extra, quebrando linhas de pressão com passes curtos e lançamentos de 50 ou 60 metros com enorme precisão. Essa característica continua sendo extremamente valorizada entre as grandes equipes europeias.

Além disso, Ederson segue sendo um goleiro confortável atuando longe da linha do gol, funcionando quase como um líbero quando sua equipe joga com a defesa adiantada. São atributos difíceis de encontrar simultaneamente no mercado. Mesmo que o nível de suas defesas tenha oscilado recentemente, sua capacidade de participar da construção continua sendo um diferencial competitivo.

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O encaixe de Ederson faz sentido na Juventus

O interesse da Juventus também pode ser explicado pelo momento do clube. Nos últimos anos, os gigantes italianos têm buscado modernizar seu jogo com bola, aproximando-se de tendências já consolidadas na Premier League e em parte da Europa.

Nesse contexto, contar com um goleiro capaz de iniciar ataques com qualidade deixa de ser luxo para se tornar necessidade, e Ederson oferece exatamente isso. Ao contrário de goleiros mais tradicionais, ele permite que a equipe mantenha a posse mesmo sob pressão alta, atraindo adversários para encontrar espaços mais à frente.

Essa qualidade pode ser especialmente importante em um campeonato como a Serie A, onde muitas equipes defendem em bloco médio ou baixo e obrigam os grandes clubes a construírem pacientemente desde trás.

Luciano Spalleti, técnico da Juventus
Luciano Spalleti, técnico da Juventus (Foto: IMAGO / Pro Shots)

Além disso, existe outro aspecto importante: a Juventus dificilmente encontrará muitos goleiros disponíveis no mercado que tenham experiência em finais de Champions League, decisões de Premier League e Copa do Mundo. Mesmo vivendo uma fase menos brilhante, Ederson continua carregando um currículo praticamente inigualável.

E isso surge em um momento conturbado no gigante italiano, uma vez que a Juve tem passado as últimas temporadas longe da biga efetiva por títulos, vendo Internazionale e Napoli em uma luta praticamente dupla.

Por isso, a experiência de Ederson é crucial para ajudar o clube a se reerguer. Foi campeão de seis Premier Leagues, conquistou a Champions League, disputou três Copas do Mundo e conviveu durante anos com a pressão diária de jogar no Manchester City de Pep Guardiola.

Ao mesmo tempo, a Juventus contrataria um jogador cercado de interrogações. Nos últimos dois anos, Ederson deixou de transmitir a segurança que o transformou em referência mundial. Seu percentual de defesas caiu, alguns erros individuais passaram a aparecer com frequência maior e sua influência deixou de compensar completamente essas falhas.

Se conseguir recuperar parte do goleiro que brilhou durante quase uma década no Manchester City, o time italiano terá contratado um nome de nível internacional por um investimento muito menor do que seria necessário há poucos anos. E, para um clube em reconstrução, talvez seja exatamente o risco calculado que faça mais sentido.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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