Itália

Do céu ao inferno

Um suicídio tático. É difícil explicar de outra maneira a postura da Internazionale no dérbi do último sábado contra o Milan. A derrota por 3 a 0 comprometeu seriamente as chances de um histórico sexto título consecutivo para os nerazzurri, fazendo com que a desvantagem para o rival saltasse para cinco pontos – e agora com o Napoli no meio. Ficou a sensação de que Leonardo poderia ter feito bem melhor na montagem do time. Elogiado por seu comando até uma semana atrás, o brasileiro agora está no olho do furacão e tem explicações a dar.

A ausência de Ibrahimovic do outro lado supunha um Milan mais leve e dinâmico, aproveitando a movimentação de Pato e Robinho na frente e a chegada de Boateng como meia de ligação. Se houvesse espaços para o time de Allegri atuar, eles seriam muito bem aproveitados. E Leonardo nada fez para evitar que eles existissem. Ao escalar Eto’o e Pandev abertos, pensava em aproveitar as deficiências do Milan nas laterais, mas tal intenção foi por água abaixo com as surpreendentes atuações de Zambrotta e, sobretudo, Abate.

O problema é que, sem a bola, os ponteiros da Inter não têm mais a mesma dose de sacrifício que tinham com Mourinho. Leonardo não é capaz, por falta de vontade ou de autoridade, de fazê-los retornar para recompor a marcação. Assim, Cambiasso e um lento Thiago Motta ficaram à mercê de um meio-campo muito mais móvel, com Seedorf transitando sem incômodos pela intermediária ofensiva. A dupla de zaga ficou exposta, e não estamos falando da titular, de Lucio e Samuel, mas da reserva, de Ranocchia e Chivu.

Ficou a impressão de que toda a recuperação da Inter no pós-Benítez se valeu, sim, das habilidades motivacionais de Leonardo, das contratações feitas em janeiro e dos valores individuais que brilharam para decidir os jogos – é o que se espera quando se tem gente como Sneijder e Eto’o. Mas quando estes nomes tiveram uma noite ruim, como aconteceu no dérbi, a história ficou complicada. Faltou capacidade tática ao treinador brasileiro, que havia sido suplantado por Mourinho nos dois clássicos da última temporada, e agora foi batido por Allegri com as cores trocadas.

A partida da Liga dos Campeões contra o Schalke, que poderia servir de recuperação, tornou-se um desastre ainda maior, com a derrota por 5 a 2 praticamente encerrando as esperanças de conquistar o bi europeu. E por mais que ainda exista a chance na Copa da Itália e a possibilidade de contar com tropeços dos adversários para se manter na briga pelo scudetto, na Itália já se age com vistas para a próxima temporada.

Não há como deixar de questionar, depois do ocorrido na última semana, se Leonardo tem todas as qualidades suficientes para que a Inter volte a ser campeã.

Se um nome como Pep Guardiola (que já declarou não se enxergar por muito tempo à frente do Barcelona) se tornasse disponível imediatamente, uma oferta ao espanhol não seria apenas uma opção: seria uma obrigação da Inter. Mas há outros nomes que seduzem, como André Villas-Boas, o jovem campeão português com uma campanha histórica à frente do Porto. Villas-Boas é discípulo de Mourinho, tendo feito parte de suas comissões técnicas, e tem um estilo que agrada.

A manifestação de apoio de Massimo Moratti a Leonardo deu a impressão de ser algo apenas formal. Certamente o presidente interista aproveitará o que resta da temporada para refletir – até mesmo se não valeria a pena manter o brasileiro no clube, mas como dirigente, tendo em vista seu papel crucial em questões como a possível contratação de Ganso, disputado com o Milan.

Por outro lado, mudar apenas o comando seria ignorar o fato de ser uma equipe envelhecida e com alguns jogadores que caíram nitidamente de rendimento desde a saída de Mourinho, como Maicon e Milito. O lateral brasileiro é uma das decepções da temporada, e não está descartada sua venda para fazer caixa. Nem mesmo Júlio César e Sneijder são intocáveis, podendo ser seduzidos pelo canto da sereia inglesa. Por isso Viviano (já metade interista) e Ganso estão na mira.

Coutinho, decepcionante após um ótimo começo, poderia ser usado como moeda de troca para chegar a Alexis Sánchez, hoje um dos principais objetivos de mercado.

Intocáveis são poucos, a começar, evidentemente, pelo capitão Zanetti. É certo que a espinha dorsal da Inter contará com Eto’o, Pazzini, Cambiasso, Stankovic, Lucio e Samuel. As apostas em Ranocchia e Nagatomo serão confirmadas. De resto, tudo pode ser revolucionado. A começar pelo treinador.

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Equipe Trivela

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