Itália

Desgaste irreversível

A comemoração de Clarence Seedorf pelo gol da vitória do Milan sobre o Cagliari teve ar de desabafo. O holandês havia sido um dos jogadores mais vaiados pela torcida, que não se contenta em ver o time mais uma vez fora da disputa pelo “scudetto” que não conquista desde 2004. O principal alvo das críticas, no entanto, foi o técnico Carlo Ancelotti.

A ferida pela derrota no dérbi permanece aberta entre os rossoneri, já que colocou a Inter a um passo do quarto título consecutivo na Série A. Fora da Liga dos Campeões, o Milan havia estabelecido como principal objetivo recuperar o título nacional, e não estava nos planos ver esta chance desaparecer ainda em fevereiro.

Em um panorama como este, não adianta muito esperar que a torcida coloque a memória acima de suas exigências imediatas. Portanto, pouco importa para os “tifosi” se Ancelotti levou o Milan a dois títulos da Liga dos Campeões, algo que a Inter adoraria ter conquistado nos últimos anos. A relação entre a torcida e o técnico se deteriorou de tal forma que qualquer decisão tomada por Ancelotti passa a ser motivo de contestação.

Diante do Cagliari, o estádio caiu na cabeça do treinador quando ele tirou Inzaghi, seu único atacante em campo, para colocar Ambrosini – decisão nem tão escandalosa se considerarmos que faltavam apenas cinco minutos. No empate por 1 a 1 com o Werder Bremen, pela Copa Uefa, Ancelotti foi criticado por deixar Ronaldinho se arrastando em campo até que os alemães chegassem à igualdade.

Para aumentar a turbulência, após o jogo na Alemanha o time foi alvo de críticas de Silvio Berlusconi. O premier italiano e dono do clube afirmou que o gol de empate do Bremen foi fruto de desconcentração e não poderia ter acontecido. Adriano Galliani interveio, dizendo que as palavras de Berlusconi são sempre “pelo bem do Milan”, mas o recado já estava dado.

Neste cenário, a saída de Ancelotti no fim da temporada é uma hipótese viável. A direção milanista, ao contrário da torcida, está chateada não pela derrota no dérbi, mas pelos tropeços contra os últimos colocados no campeonato, como Lecce, Reggina, Bologna e Torino.

Por enquanto, Galliani fala em alcançar um “objetivo mínimo” de levar o time de volta à Liga dos Campeões, de preferência com uma vaga direta na fase de grupos, terminando em segundo ou terceiro lugar. Um eventual título da Copa Uefa seria insuficiente para salvar a pele do treinador caso a nova meta realista no campeonato não seja alcançada.

A participação do Milan na Copa Uefa, aliás, faz com que o time tenha mais a perder do que a ganhar. O clube se considera de certa forma superior à competição, o que se traduz em um pensamento: em caso de título, por mais que seja inédito, não terá sido feita mais do que obrigação. Uma eliminação prematura, ao contrário, poderia acelerar o processo de fritura de Ancelotti.

Outro fato que ajuda a alimentar as especulações é a situação do Chelsea, que já conversou com Ancelotti em outras oportunidades. Guus Hiddink já afirmou que não permanecerá no clube para a próxima temporada, e a estima de Abramovich por “Carletto” é conhecida.

O nome mais comentado para uma eventual sucessão de Ancelotti é o de Leonardo, pupilo de Berlusconi e atualmente fazendo o curso de formação de treinadores em Coverciano. Todas as partes negam, e é mesmo improvável que o brasileiro seja nomeado técnico do Milan já para a próxima temporada.

Por mais que o clube valorize personagens com história no clube, haveria outros nomes na frente, como Rijkaard, Donadoni e até mesmo Van Basten, que dificilmente veria problemas em se desvincular do Ajax no caso de uma boa proposta. Leonardo deve dirigir o Milan um dia, mas terá de esperar.

Juve reina entre os garotos

A Juventus conquistou o prestigioso Torneio de Viareggio com uma goleada de 4 a 1 sobre a Sampdoria na final. Foi o sexto título da equipe na competição sub-20, que ajudou a revelar alguns dos principais nomes do futebol italiano, entre eles Alessandro Del Piero

O astro da Juve no torneio foi o meia-atacante somali Ayub Daud, autor de oito gols, um deles na final. Jogadores que já estrearam no time principal, como o zagueiro Ariaudo e o meia sueco Ekdal, também participaram da campanha.

Guido Marilungo, atacante da Sampdoria, foi eleito o melhor jogador.

Confira a caminhada juventina:

Fase de grupos
Juventus 2×0 Maccabi Haifa (Daud 2)
Juventus 1×0 Parma (Daud)
Juventus 1×1 Frosinone (Sperduti contra)

Oitavas-de-final
Juventus 2×2 Lazio, 7×6 nos pênaltis (Daud, De Paola)

Quartas-de-final
Juventus 3×2 Siena (Daud 2, Marrone)

Semifinal
Juventus 3×1 Torino (Immobile 2, Daud)

Final
Juventus 4×1 Sampdoria (Perazzo contra, Immobile 2, Daud)

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Equipe Trivela

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