Roberto De Zerbi conseguiu sair da Ucrânia, mas sua lealdade ao Shakhtar Donetsk não acabou. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, afirmou que foi procurado por outros clubes, mas quer esperar o fim da guerra e o retorno do Campeonato Ucraniano para descobrir se o clube ainda deseja contar com os seus serviços. E está disposto a encarar qualquer tipo de projeto, mesmo se o seu time estiver enfraquecido pelos jogadores que foram embora.
A Fifa confirmou no começo de março que os jogadores estrangeiros que atuavam na Ucrânia e na Rússia teriam seus contratos suspensos até o fim da atual temporada e poderiam assinar com outros clubes, como fez Júnior Moraes com o Corinthians. Apenas no Shakhtar Donetsk, eram 13 brasileiros.
“Passei sete meses em um país, isso não se cancela da noite para o dia. Ao contrário: se o Campeonato Ucraniano for retomado cedo ou tarde, gostaria de fazer mais um ano pelo Shakhtar, se ainda me quiserem. Tem prioridade absoluta. Vou esperar até ter a chance de voltar. Com o time que for, mesmo sem os brasileiros, mesmo se não quiserem ou não puderem tentar vencer. Seria importante para mim. Porque nos afugentaram como se fôssemos ladrões, mas estávamos trabalhando. Os ladrões, os delinquentes, são os russos que invadiram”, disse De Zerbi.
Em 24 de fevereiro, quando Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia por mar, terra e ar, De Zerbi deu entrevista dizendo que havia acordado com o “barulho das bombas” e que apesar das orientações da embaixada italiana para ir embora, ele havia decidido ficar porque o Campeonato Ucraniano ainda não havia sido suspenso e ele tinha uma responsabilidade com a sua equipe.
“Eu sinto um grande vazio. Estou pior agora do que nos dias que passei em Kiev debaixo de bombas. Lá eu tinha coisa para fazer: organizar a fuga, nossa e dos jogadores, falar com a embaixada. Não posso fazer nada aqui. Apenas olhar. Sentir. Por quem ainda está lá. Tenho sido procurado por times do exterior, eu não quis falar sobre isso. Recebi uma carta do clube que nos ‘libera’, mas não tenho o coração no momento. Não consigo pensar em outro time”, afirmou.
Nem em outra coisa. “Eu vejo tudo (sobre a guerra). De manhã até a noite. Não consigo ver mais nada, nem mesmo as partidas”, disse o ex-técnico do Sassuolo que estava em sua primeira temporada no comando do Shakhtar Donetsk.



