De Rossi: Gladiador romano
Com 21 anos, formado nas categorias de base da Roma, De Rossi tem tudo para se tornar o sucessor de Francesco Totti
Na terra conhecida por grandes batalhas, um dos maiores impérios do passado e com uma história maravilhosa, um garoto começa a mostrar seu futebol e desperta em torcedores a sensação de que pode estar nascendo um novo herói romano. O jovem em questão é Daniele de Rossi, que além de formado nas categorias de base do clube vermelho ainda é nascido em Roma.
A equipe romana é conhecida por prestigiar muito seus jovens talentos criados na base, e isso cria um grau de intimidade muito bom entre o clube, os jogadores e a torcida… Pode soar como bairrismo por parte dos romanos, mas o fato é que tal política gera resultados. O exemplo mais recente disso é Francesco Totti, que nasceu em Roma e virou ídolo por lá. Agora pode ser a vez de De Rossi.
Chamando atenção no mercado
De Rossi fez 21 anos em julho e já tem admiradores no meio futebolístico. Fábio Capello chegou a afirmar que Rossi seria o futuro astro do clube e da seleção.
O pai de Daniele, Alberto, também jogou futebol profissionalmente e foi quem iniciou o filho na carreira, levando-o para os primeiros treinos nas categorias de base da Roma, onde posteriormente De Rossi assinou seu primeiro contrato. O fato curioso é que o próprio Alberto é que era o técnico das categorias de base quando Daniele começou a jogar na Roma.
O italianinho, que atualmente mora em Ostia junto com os pais, faz juras de amor ao clube e à cidade e diz que não trocaria a capital italiana por dinheiro nenhum. Mas certamente o mercado está de olho na sensação italiana, que com apenas 21 anos já tem um currículo respeitável nas categorias de base da seleção italiana – principalmente na equipe sub-21, atual campeã europeia e bronze na Olimpíada de Atenas.
As primeiras especulações começam a surgir e dizem que pelos lados de Old Trafford Alex Ferguson já estaria de olho em De Rossi para ser um futuro substituto de Ryan Giggs no clube inglês. A indicação do meia italiano teria sido feita pelo irmão de Ferguson, que trabalha como olheiro e viu ótimas atuações do garoto.
A primeira proposta pelo jogador foi feita pelo Chievo e recusada pela diretoria romana, dando sinais de que o clube da capital não irá se desfazer fácil de sua possível próxima estrela, já que volantes bons são escassos em muitas partes do mundo.
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Nascido para ser líder
A estreia de De Rossi na Roma, por incrível que pareça, aconteceu relativamente tarde. O primeiro jogo foi em 3 de maio de 2003, em uma partida contra o Reggina. Talvez por ter passado muito tempo nas categorias de base, o jovem foi aprimorando fundamentos básicos e já estreou mostrando um belo futebol, sem dever nada para quem estava entre os titulares.
O estilo de jogo de De Rossi não pode ser considerado truculento, mas nem por isso ele deixa de ser um líder em campo. Claudio Gentile, atual treinador da equipe sub-21 italiana, disse que De Rossi o deixou assombrado com a maturidade que mostrou, posicionando-se muito bem em campo e mostrando já ter em mente o que fazer com a bola antes mesmo que ela chegue a seus pés. Para Gentile, o meia tem a experiência de um jogador de 30 anos, e isso se irradia para os atletas que jogam com ele.
A comparação com Francesco Totti não cabe no que diz respeito ao estilo. Embora torcedores romanos se empolguem com a possibilidade de um novo ídolo, De Rossi não carrega muitas características de jogo semelhantes às do capitão romano. Daniele é mais rápido e leve e não tem uma presença física igual à de Totti.
Currículo bom para um novato
De Rossi já estreou na seleção principal italiana, no primeiro jogo das eliminatórias para a Copa de 2006, contra a Noruega. Jogando em Palermo, estreando o novo técnico Marcelo Lippi e com uma seleção renovada, De Rossi não poderia ter um começo melhor. Além da vitória da Itália por 2 a 1 de virada, ele fez o gol de empate da Azzurra aos 4 minutos do primeiro tempo. De Rossi tenta se firmar em um meio-campo em que a competição por vagas é dura.
De Rossi admite que falta aprender muita coisa e ganhar mais experiência. Ele diz que conversa muito com os mais velhos e que sempre procura entender e, se possível, corrigir seus erros. O principal ´conselheiro´ de Daniele foi o brasileiro Emerson. Mas o grande amigo pessoal do meia é Cassano. Vaidoso, De Rossi também não esconde o orgulho de ter seu nome gritado pelo Estádio Olímpico inteiro.
Realmente, Daniele tem tudo para ser um novo ídolo no futebol italiano, que está tão carente de bons jogadores e de títulos. Não lhe faltam futebol e cabeça, só um pouco de experiência internacional e atitude para firmar seu nome. Rossi pode ser o astro da próxima década do futebol italiano.



