Itália

Da Champions à Serie B

Depois de uma grande temporada em 2009/10, a Sampdoria começou 2010/11 com a expectativa de ir ainda mais longe. Com um bom time bem armado por Luigi Del Neri e um punhado de bons jogadores, especialmente os dois do ataque, o que se esperava era que o time chegasse à fase de grupos da principal competição europeia e brigasse, novamente, por uma vaga continental.

Essa perspectiva caiu por terra logo no início da temporada. Lá em setembro, ainda pela fase de play-off da Liga dos Campeões, o time caiu diante do Werder Bremen decidindo em casa, depois de estar com uma boa vantagem – vencia por 3 a 0, depois de perder por 3 a 1 fora e estava com a classificação na mão. Depois, na prorrogação, perdeu a vaga para um time que brigaria para não cair no Campeonato Alemão.

Dentro da Serie A, o time até largou bem com uma vitória sobre a Lazio, mas depois ficou cinco partidas sem vencer, com quatro empates e uma derrota. Nos 18 jogos do primeiro turno, apenas cinco vitórias, o que já dava um panorama terrível do que viria pela frente.

A base do time era a mesma da temporada anterior. Via de regra, o time foi: Gianluca Curci; Luciano Zauri, Daniele Gastaldello, Stefano Lucchini e Reto Ziegler; Daniele Maninni, Angelo Palombo, Fernando Tissone e Stefano Guberti; Giampaolo Pazzini (Nicola Pozzi) e Massimo Maccarone. E a escalação do ataque é o começo da explicação do fracasso na temporada.

Os dois principais jogadores do time na temporada passada, Antonio Cassano e Giampaolo Pazzini, não terminaram o campeonato na Samp. O primeiro foi afastado ainda no primeiro turno, depois de se desentender com o presidente Riccardo Garrone. Ficou sem jogar e acabou vendido ao Milan em dezembro. Já Pazzini foi o atacante que mais atuou pelos Blucerchiati na temporada, 18 jogos, mas deixou o clube em janeiro rumo à Internazionale, também vendido pelo clube.

Os dois acabaram sendo as duas melhores contratações de meio de temporada. Cassano deu opção ao ataque do Milan e foi importante na campanha que acabou com o título rossonero. Pazzini ganhou a posição de Diego Milito quando o argentino estava machucado e não deixou mais a equipe. Marcou gols importantes e fez falta aos nerazzurri na Liga dos Campeões, onde não pode atuar porque já tinha atuado pela Samp na fase de play-off – mesma situação de Cassano no Milan.

A perda dos seus dois principais jogadores foi um golpe duro, que foi agravado pela reposição contratada pelo time. O italiano Federico Macheda, emprestado pelo Manchester United, não conseguiu corresponder às expectativas e acabou encostado no banco. Dos 14 jogos que fez pela Samp, apenas três foram como titular.

Quem também chegou em janeiro foi Massimo Maccarone, que veio do Palermo. Apesar de ter ido um pouco melhor do que Macheda, ainda deixou a desejar. Fez 17 jogos e marcou três gols, um deles de pênalti. Conseguiu fazer pouco para reverter a situação ruim do time no primeiro turno.

O francês Jonathan Biabiany, que veio como contrapeso da Inter na contratação de Pazzini, também ficou abaixo do esperado. Fez 16 jogos, oito como titular, fez uma assistência e marcou um gol. Não conseguiu ser titular nem no ataque, nem no meio-campo.

Ao contrário do que se esperava, o desempenho no segundo turno foi ainda pior. Das 17 partidas disputadas até agora, apenas três vitórias, quatro empates e 13 derrotas. Desempenho digno do rebaixamento, que veio com uma rodada de antecedência. O aproveitamento do time nas 37 rodadas disputadas é de 32% dos pontos – um total de oito vitórias, 12 empates e 17 derrotas, com 32 gols pró e 46 contra.

O time perdeu em talento e perdeu em organização. Isso porque o técnico da equipe na temporada passada era Luigi Del Neri, que seguiu para a Juventus. Quem o substituiu, Domenico Di Carlo, que veio do Chievo, não conseguiu manter o nível. Os bons jogadores do time passaram a não render e o esquema passou a mudar demais. O mesmo problema viveu Alberto Cavasin, contratado em março, após a demissão de Di Carlo. Assim como o antecessor, não achou o jeito de jogar e mudava demais a equipe, no esquema e nos jogadores.

Para piorar, a Sampdoria chegou ao clássico de Gênova com a corda no pescoço. Não poderia perder para o maior rival, que tinha como motivação afundar os blucerchiati. E a derrota veio com tons dramáticos, nos acréscimos e nos últimos segundos da partida. A derrota na rodada seguinte para o Palermo acabou selando o destino da Samp. Em faixas, a torcida do Genoa provocava dizendo “amar Garrone”, pela sua gestão que levou o time do céu ao inferno na mesma temporada.

O filho primogênito de Ricardo Garrone, Edoardo Garrone, explicou os erros que o time cometeu na temporada desta forma: “Nós pensamos que poderíamos fazer algo na Liga dos Campeões com o planejamento que tínhamos. Teríamos certamente outras opções. Sobre a troca de técnico, sentimos que Di Carlo não era mais capaz de conduzir o time. A escolha de Cavasin, aparentemente errônea, foi porque pensamos que um técnico conhecido pela sua determinação serviria para dar ao time o alento que precisava em termos de caráter”.

“Uma das causas da má temporada foi uma sequência de eventos que não tivemos sorte. Já tivemos um mau início na Liga dos Campeões. É certamente verdade que nossas ações não foram ajudadas pela sorte, mas falar de azar a essa altura não faria sentido. Eu quero ver ao menos um aspecto positivo: eu posso confirmar mais uma vez que faremos tudo para retornar imediatamente à Serie A e fazer um time ainda mais forte do que antes”, explicou ainda Edoardo Garrone.

Os torcedores não aceitaram tão passivamente. Muitos protestaram de maneira violenta, xingando jogadores e poupando apenas Angelo Palombo. A queda será um baque que o time terá que agüentar. Para a próxima temporada, os blucerchiati terão que cuidar para manter uma base do time e reconstruir o elenco, desta vez mais barato, para retornar à primeira divisão. O time juntou-se a Bari e Brescia, já rebaixados rodadas antes.

Udinese em festa: Champions próxima

A briga pela quarta posição da tabela parecia que seria dura. Acaba que está nas mãos da Udinese chegar ao principal torneio continental na próxima temporada. Os Friulani venceram o Chievo fora de casa e ainda viram dois concorrentes distantes, Roma e Juventus, saírem da disputa matematicamente.

A Lazio, que venceu o Genoa, é o único que pode ultrapassar os bianconeri, mas a chance é pequena. São dois pontos que separam os times – 65 a 63. A Lazio precisa de uma vitória contra o Lecce, fora de casa, torcer para a Udinese perder, em casa, para o Milan. Isso porque em caso de empate da Udinese e vitória da Lazio, o primeiro critério de desempate é o confronto direto e o time de Udine leva vantagem.

Com o Milan já campeão e a Udinese precisando apenas de um empate, é difícil imaginar que os Friulani perderão a vaga. Então é bom começar a trabalhar. A classificação é para a fase de play-off da Liga dos Campeões, a mesma que a Sampdoria foi derrubada na atual temporada. E mais: o caminho pode ter Bayern Munique, Manchester City ou Arsenal, Sporting ou Villarreal. Todos podem ser adversários da Udinese. É bom se cuidar, como a Sampdoria não conseguiu fazer.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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