Itália

Coros contra Balotelli não eram racistas, afirma Lippi

Continua provocando polêmica a punição à Juventus com uma partida com portões fechados pelas ofensas racistas da torcida ao atacante Mario Balotelli, da Internazionale, no último sábado. Nesta quarta-feira, o técnico da seleção italiana, Marcello Lippi, disse não considerar racistas os coros entoados por parte do público no estádio Olímpico de Turim.

“A meu ver, este problema é muito menor do que como foi apresentado”, afirmou Lippi em entrevista à rádio Kiss Kiss. “Se o problema fosse puramente racista, não vejo porque não gritariam algo a Muntari ou Vieira, que têm a mesma cor da pele de Balotelli. Evidentemente, há outras coisas”.

Apesar de coros como “não existe um negro italiano” ou “você é só um negro de merda”, houve quem atribuísse as ofensas da torcida ao caráter provocador de Balotelli.

Lippi, que teve duas passagens como técnico da Juventus, acrescentou: “Torino nunca foi racista, há coros contra jogadores brancos muitos piores. É um problema de ignorância, de cultura, em algumas situações se quer ofender alguém independentemente da cor da pele. Repito que não creio em uma vontade racista de quem entoa os coros, mas um desejo de ofender alguém por vários motivos criados no contexto da partida”.

Balotelli marcou o gol da Inter no empate por 1 a 1 com a Juventus, que preservou a vantagem de dez pontos dos nerazzurri na liderança da Serie A e deixou o time mais próximo do título.

Questionado se convocaria um jogador pela cor da pele, Lippi comentou: “Talvez alguém se esqueça que já convoquei Santacroce (zagueiro do Napoli nascido no Brasil), portanto já aconteceu. Mas um jogador é convocado quando merece no campo, graças a suas qualidades, e não por outros motivos”.

Apesar da opinião controversa, o técnico da Azzurra defendeu a proposta do presidente da Uefa, Michel Platini, de interromper e até suspender as partidas em casos de coros racistas.

“Estou de acordo com Platini, é preciso interromper o jogo por dez minutos para fazer refletir, e eventualmente suspendê-la definitivamente em caso de continuidade dos coros. É preciso seguir as normas da boa educação e da civilidade. É preciso começar as escolas, das crianças, por um processo sadio de educação cívica”, concluiu.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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