Itália

Com quem será

A Inter vive uma situação pouco usual. O técnico da equipe é oficialmente Leonardo, que assumiu em dezembro e fez um bom trabalho, apesar de tropeços importantes, como na Liga dos Campeões, contra o Schalke 04. O título da Copa da Itália parecia garantir Leonardo para mais uma temporada.

Parecia. O brasileiro é assediado pelo Paris Saint-Germain para ser o diretor esportivo do clube, cargo que exerceu também no Milan. Leonardo já declarou preferir essa função à de técnico em campo, o que é reconhecido inclusive pelo presidente Massimo Moratti.

Por isso, a Inter passou a buscar um nome para substituir o brasileiro, mesmo que ele ainda sendo o técnico da equipe. E o nome que surgiu foi do argentino Marcelo “El Loco” Bielsa. Uma experiência que seria interessante do ponto de vista do futebol, já que Bielsa é um treinador ousado e que costuma moldar o seu time de maneira pouco ortodoxa.

No comando do Chile, Bielsa criou um sistema de jogo sem laterais, em um 3-4-3 que deu liberdade a Alexis Sánchez para ser atacante ou meio-campista, se movimentando e dando opções aos companheiros, assim como Mark González pelo outro lado. Os seus alas são basicamente meias que atuam pelos lados do campo. Um esquema ofensivo e de muita movimentação.

Passada a negativa de Bielsa, o nome cotado passou a ser o de Fabio Capello, que dirige a Inglaterra. A impossibilidade de contar com o treinador de forma imediata inviabiliza o negócio. A carreira de sucesso do treinador é um aval para a contratação, uma vez que Moratti disse querer um treinador “que possa confiar” e “com experiência”. Capello já mostrou saber trabalhar com diferentes tipos de elencos e pode moldar o time de acordo com as características individuais, desde o tradicional 4-4-2 até o 3-4-1-2 usado na Roma, passando pelo 4-2-3-1 usado no Real Madrid.

A impossibilidade de Capello fez outro nome surgir. Sinisa Mihajlovic, da Fiorentina, ex-jogador da Inter entre 2004 e 2006. Foi nos nerazzurri que o sérvio começou como auxiliar técnico, aprendendo com Roberto Mancini e dando seus primeiros passos na carreira. Seu primeiro trabalho como técnico foi o Bologna, em novembro de 2008. Com polêmicas sobre o relacionamento com os jogadores, foi demitido em abril de 2009.

Em dezembro daquele ano, assumiu o Catania, que lutava contra o rebaixamento. Com um bom desempenho e boas contratações, como o atacante argentino Maxi López, conseguiu tirar o time da zona de descenso e chegar à 13ª posição. Depois da temporada, o técnico pediu demissão e foi cotado para substituir José Mourinho na Inter, pela sua ligação com o clube. Acabou na Fiorentina, já que a Inter escolheu Rafa Benítez.

A temporada na Fiorentina não foi o esperado. Concentrado apenas na Serie A, o time ficou em 9º lugar na tabela, depois de um primeiro turno muito ruim e a recuperação no segundo. Com a iminente saída de Leonardo, o nome do sérvio passou a ser novamente muito falado.

Mihajlovic tem a vantagem de conhecer o clube, ter um bom relacionamento com o presidente e a necessidade da Inter de se renovar, seja em termos de idade, seja em modo de jogar mais consistente. A abordagem tática de Mihajlovic parece ter a ver com o que a Inter tem de material humano. Na Fiorentina, a sua formação mais constante foi o 4-2-3-1 – o mesmo esquema usado por Mourinho no time campeão europeu.

Com a insistência da Fiorentina em mantê-lo no cargo, a mira da Inter pode escolher Gian Piero Gasperini, ex-treinador do Genoa. Demitido em novembro de 2010, está sempre emprego desde então. Aos 53 anos, Gasperini pode se encaixar como uma opção viável, mais barata e do mercado interno.

O esquema que mais adotou nos quatro anos que esteve no Genoa foi o 3-4-3, com três zagueiros, alas ofensivos e atacantes abertos pelos lados do campo. Um esquema como esse seria uma inovação, mas é possível.

Outro nome que corre por fora é o do holandês Guus Hiddink. Apesar do bom trabalho que desenvolveu na carreira, com a seleção da Holanda, da Coreia do Sul, no PSV e na Austrália, acumula os fracassos da Rússia e, até aqui, da Turquia. Nesse meio tempo, teve uma boa passagem pelo Chelsea – razão pela qual foi cotado para voltar após a saída de Carlo Ancelotti.

Sua abordagem tática costuma variar do 4-3-3 ao 4-4-2, mas o técnico trabalha de forma variada. O esquema com jogadores abertos pelos lados do campo agrada ao técnico. Precisaria de reforços para o ataque, que só tem Samuel Eto’o como jogador de velocidade.

O bom elenco da Inter permite diversas opções ao treinador que assumir o cargo. Se lembrarmos a opção inicial por Bielsa, a escolha de Gamberini faz ainda mais sentido. Só que é uma aposta. E uma aposta que pode custar a temporada. Resta saber com quem ficará a Inter.

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Equipe Trivela

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