Itália

Com menos brilho, Juve cede terreno na briga pelo scudetto

A Juventus não é mais a mesma. Hoje, a Serie A está assistindo à pior Velha Senhora desde o início da temporada 2011-12, quando Antonio Conte assumiu o comando da maior campeã italiana. Pouco mais de dois anos depois, uma equipe que sempre foi exaltada pelo grande espírito coletivo, pela organização tática e por conquistar pontos à fórceps, parece ter perdido boa parte do fôlego. Hoje, Conte vive o seu pior momento à frente da equipe de Turim.

Neste domingo, a Velha Senhora perdeu pela primeira vez na temporada, e frente à Fiorentina mais uma vez exibiu as dificuldades pelas quais tem passado em quase todos os jogos desta temporada, e a derrota, dias antes de um jogo difícil em Madrid, contra o Real de Cristiano Ronaldo e Carlo Ancelotti, pesa também na campanha juventina na Liga dos Campeões, que é de apenas dois pontos em dois jogos. As chances de classificação na Champions dependerão do resultado no Santiago Bernabéu, e o princípio de crise não vem em boa hora. Afinal, a Juve tem plena capacidade de se recuperar, mas com o mau início na competição continental e os cinco pontos atrás da líder Roma, em solo nacional, o psicológico acaba ficando abalado.

Até antes deste domingo, apesar de conquistar pontos na Serie A, era claro que o time não passava segurança. Nos onze jogos disputados na temporada, a Juventus só teve vida fácil contra a Lazio: 4 a 0 na estreia em 2013-14, na Supercopa Italiana, e 4 a 1 na segunda rodada da Serie A. Nos demais jogos, com exceção dos duelos contra Inter e Milan, mais equilibrados, mas complicados, a equipe foi previsível nas jogadas criadas e dependeu demais de Pogba, Vidal e Tévez. Pirlo, em uma fase de “banho-maria”, tem apresentado futebol morno.

E, se todas as qualidades coletivas da Juve de Antonio Conte tinham no seu meio-campo a melhor execução, é justamente na meia cancha que os problemas começam. O setor não auxilia a defesa como antes, e é justamente nele que a menor intensidade e agressividade da equipe podem ser vistas. Marchisio não vem em fase brilhante desde 2012 e, hoje, além de Vidal ser menos regular, Pirlo parece sentir alguns efeitos da idade, e também não consegue se fazer presente durante os 90 minutos de uma partida com a mesma frequência da última temporada e, sobretudo, da anterior. Pogba e sua juventude ainda não são capazes de liderar a equipe, mas o francês é o melhor jogador do setor, juntamente ao pouco badalado Asamoah.

Parece haver alguma perda de motivação também entre os zagueiros. A defesa tem cometido alguns erros banais de posicionamento, como no gol de Joaquín, que decretou a virada florentina. Até este domingo, a Juventus havia sofrido seis gols em sete jogos, média de quase 0,86 por jogo. Após a partida com mais gols sofridos pela Juve na Era Conte – antes, Inter, Napoli e Sampdoria já haviam marcado no máximo três gols em confrontos com os turineses –, a média subiu para 1,25/jogo, contra 0,63/jogo da temporada do bicampeonato, na qual a Velha Senhora teve a melhor defesa do campeonato, vazada apenas 24 vezes. Segundo projeção feita pelo site TuttoJuve.com, se a média de gols sofridos atual se mantiver, a Juventus terminaria o campeonato com 47 gols no passivo, a mesma quantidade que a equipe sofreu em 2010-11, quando foi sétima colocada, com Luigi Delneri, o antecessor de Conte.

Se a hoje a defesa juventina corresponde, numericamente, a uma de sétimo lugar, as estatísticas de Buffon são similares. Mais exposto por causa dos erros da defesa, mas também errando com mais frequência (falhas individuais suas já resultaram em três gols adversários), a fase não é boa nem mesmo para o goleiro da seleção italiana – ao menos, na Nazionale de Prandelli, ele tem ido bem e fez até mesmo uma defesa monumental, uma das melhores de sua longa carreira, contra a Bulgária. Na Serie A, Buffon ocupa apenas a oitava posição, se analisarmos a porcentagem de defesas dos goleiros titulares relativas ao número de finalizações certas – 71%; De Sanctis, da Roma, o líder no quesito, tem mais de 94% de acertos.

Não resta dúvidas de que Conte precisa rever o seu trabalho neste momento e descobrir quais os motivos da queda de rendimento generalizada de uma equipe que, é bom lembrar, ganhou os importantes reforços de Tévez, Llorente e Ogbonna, além de uma maior presença de Pogba, se fortalecendo, ao menos no papel. Questionar a titularidade de qualquer uma das peças do time titular seria prematuro, mas se a equipe continuar rendendo menos do que se esperava, é provável que a Juventus seja mais ativa no mercado de inverno do que nos dois anos anteriores.

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