Com Allegri, Milan não parece evoluir. Seria o fim da linha?
O Milan já entrou em campo seis vezes nesta temporada. Jogou bem apenas uma vez, na segunda partida dos play-offs para a fase de grupos da Liga dos Campeões, na qual bateu o PSV por 3 a 0, e garantiu o passaporte para a competição. Na quarta-feira, o mesmo Milan estreou na Champions contra o Celtic e não parecia um time de futebol. Venceu, por 2 a 0, com gols nos minutos finais – poderia ter perdido pelo mesmo placar. O técnico Massimiliano Allegri declarou, após o jogo, que “o importante era vencer”. De fato, na atual fase rossonera, vencer é o bastante.
Allegri está no início do seu quarto ano como técnico da equipe. Quem assiste aos jogos do Milan pode até se surpreender com isso, afinal, às vezes parece até que ele acabou de chegar, tamanha a desorganização da equipe e falta de qualidade na construção de jogadas. Não dá para culpar o esquema tático: nesta temporada, Allegri voltou a utilizar seu módulo predileto, o 4-3-1-2. Ironicamente, de 2012 para cá, o time jogou melhor quando atuou no 4-3-3. Taticamente, o time involuiu e apresenta um esquema similar ao do Santos de Muricy Ramalho: 4-3-1-1-bola-no-Balotelli.
Criticado por não acertar o time dentro de campo, e por trabalhar apenas como motivador (que o digam os incentivadores gritos de “dai, ragazzi”, à beira do campo), o técnico toscano está claramente desconfortável. Nem mesmo olhou a cobrança do pênalti de Balotelli, no último minuto do jogo contra o Torino, no sábado, que garantiu um empate por 2 a 2, após péssima partida.
No ambiente interno do Milan, é claro que Allegri não conta com grande afeto do dono do Milan, Silvio Berlusconi. O técnico, que foi campeão italiano em 2010-11, chegou muito perto de ser demitido em meados de 2012, quando a equipe flertava com a zona de rebaixamento. Adriano Galliani, diretor-geral do clube de Via Turati, conseguiu contornar a situação e venceu uma queda de braço que o fez ficar. Mesmo assim, percebe-se que o treinador não tem carta branca para indicar jogadores – Matri, contratado à Juventus, é exceção.
Em 2013, a defesa rossonera reagiu, Allegri solucionou alguns problemas escalando Zapata e Mexès no centro da defesa, e elevou De Sciglio à condição de titular, além de improvisar, com acerto, Constant na lateral esquerda. Hoje, a defesa não é temerária, mas seria interessante reforçar o setor. Dentre as pouco badaladas – com exceção de Kaká e Matri – contratações do Diavolo, apenas Vergara, de 19 anos, e Silvestre, refugo da Inter, jogam no miolo de zaga. Muito pouco para um time que perdeu Nesta e Thiago Silva recentemente, Yepes na última janela, além de Ambrosini, que volta e meia recompunha por ali.
É difícil entender porque o Milan privilegiou o ataque em prejuízo à defesa. Matri apenas infla um setor que já tinha Balotelli, El Shaarawy, Robinho, Pazzini e Niang. Mais atrás, o retorno de Kaká é uma aposta arriscada (e cara) para um time que tinha Boateng como certeza – ganês ainda foi vendido por uma pechincha, por cerca de 10 milhões. Saponara, considerado novo Kaká, agora tem o próprio objeto de comparação como concorrente no setor. Algo que dificilmente pode ser benéfico.
Como se a vida de Allegri e do Milan já não estivesse suficientemente complicada, o departamento médico do clube, o Milan Lab, segue como alvo de críticas internas – para o jogo da Liga dos Campeões, na quarta, o técnico tinha apenas 13 jogadores do plantel principal à disposição. Hoje, 11 jogadores, cinco deles com condições de serem titulares, estão afastados por lesão. Até Kaká, que mal chegou, ficará quase um mês fora de ação. Tempo similar ao de Montolivo e El Shaarawy, que juntamente a Balotelli formam o quarteto criativo do Diavolo.
Pouco após a rodada da Champions, Allegri comentou sobre a atuação do Napoli na vitória por 2 a 1 e admitiu que enfrentar os azzurri neste domingo, pela Serie A, será missão complicada: “com o Napoli jogando assim, será difícil”. Os napolitanos podem quebrar um tabu antigo: não vencem o Milan em San Siro há 27 anos, desde os anos de Diego Armando Maradona. E, dessa forma, assar um pouco mais a batata do técnico rossonero.



