Campeões do mundo com a Itália em 2006 criam fundo de apoio emergencial à Cruz Vermelha

Na Itália, o futebol se torna uma ferramenta importante para conscientizar a população sobre os riscos do coronavírus. Apesar da demora para se suspender a Serie A, diversos atletas e clubes participam ativamente da rede de apoio no combate à pandemia. E os antigos membros da seleção italiana campeã do mundo em 2006 resolveram se mobilizar em prol da Cruz Vermelha. Os veteranos criaram um fundo coletivo, que será revertido à organização humanitária.
Capitão da seleção tetracampeã mundial, Fabio Cannavaro também serve como o principal porta-voz do projeto financeiro. “Ao lado dos meus companheiros de 2006, estou entrando em campo para superar um novo desafio: levantar fundos à Cruz Vermelha Italiana para ajudar nosso país em meio à emergência pelo coronavírus”, declarou o ex-zagueiro, em entrevista à Gazzetta dello Sport.
Os próprios jogadores iniciaram as doações na plataforma Go Fund Me, algumas delas na casa das dezenas de milhares de euros. A meta é arrecadar €1 milhão, em campanha que já se aproxima dos €250 mil. Além disso, diversos craques da equipe tetracampeã do mundo aproveitaram suas redes sociais para divulgar a causa. Gianluigi Buffon, Andrea Pirlo e Alessandro Del Piero são outros que repercutiram a ação.
Paralelamente, alguns veteranos italianos também agem em outras frentes diante da emergência. Neste final de semana, Francesco Totti anunciou seu apoio ao Hospital Spallanzani de Roma, que constrói com urgência novas salas de terapia intensiva. O Capitano contribuiu com doações para comprar 15 dispositivos que monitoram os sinais vitais dos pacientes internados. Ele também pediu auxílio à iniciativa.
Treinando atualmente o Guangzhou Evergrande, Cannavaro acompanhou de perto a situação de combate ao coronavírus na China. O veterano trata as iniciativas do país como “exemplares”. Após voltar de férias da Itália, o técnico precisou passar por exames e por um período de quarentena, antes de se reintegrar às suas atividades. Neste momento, o Campeonato Chinês está suspenso, mas as autoridades já estudam o início da competição a partir de abril. O governo chinês declarou na última quinta-feira que o pico da pandemia no país estava superado.
“A China dá uma mensagem positiva para nós, italianos, e para o resto do mundo. Essa doença pode ser erradicada, mas precisamos de severidade e grande organização. Não foi fácil enfrentar esse monstro, porque não havia precedentes. O senso de comunidade e o valor fundamental à vida prevaleceram. À custa de sacrifícios, a lição é clara para o planeta”, afirmou Cannavaro, também à Gazzetta dello Sport.
“Na Itália, já entendemos o vírus melhor que a maioria. A mudança de hábitos é positiva, mesmo que alguns relutem a entender. Estou preocupado, porque ainda não passamos o pico e precisamos nos manter focados de todas as maneiras. Temos que esperar mais uma semana para saber quantas pessoas foram infectadas e manter nossos nervos. A China cometeu erros parecidos e aprendeu com a situação”, complementou o capitão.
Conforme os números da Universidade John Hopkins nesta segunda-feira, a Itália aparece como o segundo país com mais casos positivos de coronavírus no mundo. São quase 28 mil infectados por lá. Durante as últimas horas, houve um aumento justamente na quantidade de vítimas fatais, totalizando mais de 2,1 mil mortos pela doença.



