Itália

Apareceu a anti-Inter

Dois meses atrás, o destino de Claudio Ranieri na Juventus parecia selado. Com a derrota por 2 a 1 para o Napoli, dia 18 de outubro, no estádio San Paolo, a Vecchia Signora completou cinco partidas oficiais sem vencer. Na semana seguinte, o time enfrentaria o Real Madrid, pela Liga dos Campeões, e faria o dérbi com o Torino. Um deslize seria a senha para a saída de Ranieri.

Felizmente para o torcedor juventino, os ‘bianconeri’ venceram ambos, dando início a uma seqüência de sete vitórias, interrompida apenas pela Internazionale, em San Siro, dia 22 de novembro. Poderia ter sido um baque duro para a equipe, mas não foi. Desde então, nova série invicta entre Série A e LC, que alcançou cinco jogos com a vitória por 4 a 2 sobre o Milan, no último domingo.

Nas últimas nove rodadas do campeonato, foram oito vitórias. Com o Milan sofrendo com lesões e o desequilíbrio de seu elenco, fica difícil não apontar a Juve como principal adversária da Inter na corrida pelo ‘scudetto’. Uma disputa que ainda tem os homens de José Mourinho como favoritos, mas que mostra a maior campeã italiana mais viva do que nunca.

A partida contra os ‘rossoneri’ no Olímpico de Turim se coloca ao lado das vitórias sobre o Real Madrid como as melhores atuações da temporada. Talvez tenha sido ainda mais especial para Ranieri e para os dirigentes por causa da participação decisiva de jogadores da casa, como Marchisio e De Ceglie. Uma boa resposta para quem considerou o mercado do clube insuficiente. A facilidade para inserir revelações na equipe é algo que não se vê, por exemplo, no Milan.

Como já se viu em outras ocasiões nesta temporada, os problemas defensivos do time de Carlo Ancelotti se mostram de forma mais evidente quando não há a proteção de Gattuso à frente. Foi a quarta derrota no campeonato, e ‘Rino’ não esteve em nenhuma delas. O problema para Ancelotti é que ele não estará em nenuhm jogo nos próximos seis meses, por causa da cirurgia no joelho, e não há um jogador de características semelhantes no elenco, capaz de cobrir a mesma faixa de campo. Mudanças táticas serão inevitáveis. Após a pausa de fim de ano, Beckham oferecerá novas opções, mas não será tão fácil fazê-las funcionar em tão pouco tempo.

Kaladze, Jankulovski e sobretudo Zambrotta, expulso com o placar em 3 a 2 aos 20 minutos do segundo tempo, tiveram atuações desastrosas. Maldini foi o único defensor a ter uma atuação digna, e por mais que isso diga muito sobre o valor da lenda milanista, também é sinal de que a renovação no setor está bastante atrasada. Não deixa de ter um peso simbólico forte que o desastre em Turim tenha coincidido com a chegada de Thiago Silva à Itália para fazer exames médicos e assinar contrato. O problema é que o ótimo defensor brasileiro só poderá jogar na próxima temporada – quando o time já terá completado cinco anos sem o título italiano.

Acima dos defeitos do Milan, no entanto, estão os méritos da Juve. O grupo parece ter se fechado em torno de Ranieri após o período difícil de outubro, tamanha a disposição mostrada pelo time dentro de campo. Sissoko talvez seja o símbolo desta mentalidade, já que parecia onipresente no meio-campo – contrastando com a figura ultrapassada de Emerson do outro lado.

Um pouco da vitória juventina foi escrito por linhas tortas, com a lesão que tirou Nedved de campo aos 30 minutos de jogo. De Ceglie, que entrou em seu lugar, teve participação decisiva para a vitória. Se como lateral ele inspira pouca confiança por causa da falta de poder de marcação, jogando como meia-esquerda foi uma solução acertada. De seus pés saiu o cruzamento para Amauri fazer 3 a 1, ainda no primeiro tempo, e também foi ele quem sofreu as faltas que resultaram na expulsão de Zambrotta.

Em seu reencontro com a torcida do clube que deixou após o rebaixamento forçado de 2006, Zambrotta mostrou ter sentido as vaias que recebia sempre que tocava na bola. E o fato de ter sido expulso justamente em um lance com De Ceglie coloca frente a frente duas abordagens diferentes do futebol. Um clube tem coragem de lançar jovens, o outro busca jogadores experientes que já passaram da melhor fase da carreira.

Os dois gols de Amauri – o primeiro com uma cabeçada digna de manual – devem ter feito a direção ‘rossonera’ se perguntar por que não foi atrás do mais italiano dos atacantes brasileiros. Aquele que seria um reserva de luxo para Trezeguet, com a lesão do francês, tornou-se protagonista. Enquanto isso, a opção do Milan para tentar reverter o placar no segundo tempo era Shevchenko, uma caricatura do jogador que já foi. Ronaldinho fez sua parte, mas não era o suficiente. Sem as acelerações de Kaká, era um Milan previsível.

O grande trunfo da Juventus é se mostrar forte mesmo sem contar com jogadores como Buffon, Trezeguet, Camoranesi e Poulsen. Com eles de volta, é possível pensar em uma boa arrancada tanto no campeonato quanto na Liga dos Campeões. A confiança nos meios para tal, em Turim, é alta.

Gols – muitos e bonitos

A 16ª rodada da Série A teve média de 4,1 gols por jogo. Vários merecerão fazer parte do clipe dos mais bonitos da temporada. Alguns deles: o gol de Gilardino pela Fiorentina, com direito a chapéu no goleiro Bizzarri, do Catania (veja); a bela jogada individual de Floccari, da Atalanta, para marcar contra o Genoa (veja); a bomba de Daniele Conti, do Cagliari, no ângulo, contra a Roma de seu pai, Bruno Conti (veja); a precisa finalização de Stankovic após o calcanhar de Ibrahimovic, na vitória da Inter sobre o Chievo (veja).

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Equipe Trivela

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