Antes de Federico, houve Enrico Chiesa: os gols de uma figura marcante na Serie A
Artilheiro com passagem por diversas equipes italianas, Enrico ultrapassou a barreira dos 100 gols na Liga
Nesta quarta-feira (29), uma figura bastante respeitada no cenário do futebol italiano completa mais um ano de vida. Enrico Chiesa, pai de Federico Chiesa, estrela da Juventus, comemora seus 51 anos de vida. Em uma carreira que durou mais de 20 anos, o atacante mostrou poder de fogo acima da média para balançar as redes.
Idas e vindas na Sampdoria
No fim dos anos 1980, durante a fase gloriosa da Sampdoria, um menino de baixa estatura, franzino, saía das categorias de base para tentar causar impacto no profissional. Lançado em meados de 1988, acabou cedido no ano seguinte ao Teramo e ao Chieti, em divisões inferiores, para ganhar experiência. Fez parte do elenco campeão da Recopa Uefa em 1990, mas sem participar de maneira efetiva. Quando voltou, em 1992, aos 22 anos, ganhou mais espaço, mas sem se transformar em titular absoluto.
O problema era a concorrência dura na Samp, já que Roberto Mancini era a referência no ataque. Em busca de mais minutos e um papel de maior protagonismo, Enrico passou por Modena e Cremonese, conseguindo boas marcas artilheiras e, pela última vez, retornou à Gênova para vestir a camisa blucerchiata, em 1995-96. Foi aí que Chiesa deslanchou definitivamente, anotando 22 gols, o que lhe rendeu uma vaga entre os convocados para a Eurocopa de 1996, deixando sua marca contra a República Tcheca na fase de grupos.
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O auge no Parma
Não era para ser na Sampdoria o grande momento da carreira de Chiesa. Comprado pelo emergente e ambicioso Parma, o atacante chegou em uma equipe pronta para o sucesso. Foi titular na campanha de vice-campeonato da Serie A, que levou a equipe à Liga dos Campeões. Mais do que isso, venceu novos títulos: foi importante na dobradinha em 1999, quando os crociati venceram a Copa da Uefa e a Copa da Itália. Ao todo, Chiesa balançou as redes 18 vezes. E tomou outro rumo na sua carreira, após tanto êxito no Ennio Tardini.
Melhor fase técnica em um time decadente
De 1999 em diante, Enrico vestiu a camisa da Fiorentina, passando três temporadas na Toscana. Coincidentemente, esse foi o período mais turbulento da Viola, que, endividada, perdeu seus grandes talentos e foi à falência. Carregando sozinho o fardo de marcar gols, depois da saída de Gabriel Batistuta para a Roma em 2000-01, o atacante cumpriu seu papel e alcançou sua temporada mais goleadora, com 27 tentos, ajudando a Fiorentina a conseguir um sétimo e honroso posto na Serie A e um inesperado título da Copa da Itália, reencontrando o Parma na decisão.
As coisas ficavam cada vez mais difíceis nos bastidores. Em 2001-02, com Chiesa fora de combate por uma lesão no ligamento do joelho, a Viola sucumbiu e acabou rebaixada em campo para a Série B. Por conta do descenso, o atacante optou por deixar o clube e assinou com a Lazio enquanto traçava sua volta aos gramados. Mas o rendimento não foi bom e, ao fim da temporada 2002-03, rumou ao Siena, para encerrar sua carreira.
O Chiesa que se viu no Siena foi bem diferente do que desfilou na década de 1990, por vários motivos. O impacto da lesão no joelho tirou a mobilidade de Enrico, que já não era um menino, aos 33 anos. Capitão e camisa 10 do time, era o grande nome da equipe e fez suas últimas partidas em 2008, mas sem balançar as redes por quase duas temporadas. Os problemas físicos eram mais constantes e a motivação, por outro lado, se esgotou. Aos 37 anos, Chiesa saiu de cena. Eventualmente, ele apareceu para defender equipes amadoras e matar a saudade do futebol, mas nada sério como nos tempos de Serie A.
O goleador pendurou as chuteiras com honrosos 138 gols pela Liga, em seis equipes diferentes. É o 37º maior artilheiro da Serie A, à frente de ícones como Roberto Pruzzo, ídolo da Roma, além de Roberto Bettega, Andriy Shevchenko e David Trezeguet.
Ofuscado pela carreira meteórica de seu filho, Federico, Enrico também merece muito respeito pelo que fez em campo no seu tempo. Embora a diferença técnica entre os dois Chiesa já seja evidente, o herdeiro ainda precisa fazer muito se quiser superar o legado deixado pelo pai. Mas imaginamos que a conversa entre os dois seja bastante interessante quando se sentam à mesa para falar de futebol…



