Itália

Ancelotti recusa Itália: “Federação precisa resolver suas questões antes de contratar um técnico”

O nome mais especulado para trabalhar na seleção italiana, Carlo Ancelotti, confirmou que a FIGC, a Federação Italiana, falou com ele sobre assumir o posto de técnico. Ele deixou claro que o trabalho de clube o atrai mais e isso vai depender do que acontecerá nos próximos seis meses, que ele disse que não pretende trabalhar e só definirá a sua vida em julho. Ele é também o nome mais especulado para assumir o Milan na próxima temporada e ele também falou sobre isso em entrevista na Itália.

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“Sim, a Federação entrou em contato comigo, eu falei com eles. Eu disse a eles o que estou dizendo a vocês agora, eu estou honrado por tantas pessoas me quererem como técnico da seleção italiana”, disse Ancelotti em entrevista ao programa La Domenica Sportiva, da RAI.

“Contudo, este seria um trabalho completamente diferente. Ser um técnico de seleção é diferente de ser técnico de clube e eu ainda gosto de treinar e trabalhar todos os dias. O futebol italiano tem muitos problemas que precisam ser resolvidos”, opinou o treinador.

“Eu percebo que há um conflito de interesses entre os clubes e as federações, assim como há na Alemanha, França e Inglaterra, mas neste momento o futebol italiano precisa que a federação imponha o seu poder sobre os clubes e imponha novas regras para melhorar a situação”, continuou Ancelotti. “Por exemplo, eu acho que a Serie A se beneficiaria muito em reduzir de 20 times para 18 e eu sei que há clubes que estão prontos para votar isso”.

Para Ancelotti, Vincenzo Montella, recentemente demitido pelo Milan, poderia se tornar o técnico da Itália. Após a saída de Montella, Gennaro Gattuso assumiu o posto interinamente, até o fim da temporada. Ele já foi avisado que não continuará no cargo após o fim desta temporada. Ancelotti é o nome que é mais especulado para voltar ao Milan.

“Nos últimos meses, eu fui ligado a todos os tipos de trabalho, como Croácia, Arábia Saudita, China, Milan. Eu nunca falei com os novos diretores do Milan”, contou o técnico. “Eu diria que a Serie A é curiosamente a mais interessante na Europa neste momento, já que tem muita competição, ao contrário da França”, analisou o treinador.

Perguntado se ele foi convidado a treinar a Juventus. “Todos sabem o que foi o meu passado, então eu não quero ir contra o meu passado.  Eu gosto de Andrea Agnelli [presidente da Juventus], ele era apenas um garoto quando eu estava lá. Como eu disse, eu não quero ir contra o meu passado”, disse, misteriosamente.

“Minha ideia é ficar parado até o dia 30 de junho. Eu tenho contrato com o Bayern de Munique até lá e quero respeitar isso. Eu não acho que seria um problema, considerando que infelizmente a seleção italiana não tem nenhum compromisso até depois de junho”, afirmou o treinador.

“Eu simplesmente acredito que a FIGC precisa resolver suas questões antes de pensar em contratar um novo técnico. Eu não tenho problema como Tavecchio, eu não falei com ele diretamente, embora eu tenha sido contatato pela federação por outras pessoas”, contou Ancelotti.

Milan

Perguntado sobre Gattuso, seu jogador na época de Milan e que assumiu o comando dos rossoneri nesta semana, ele deu conselhos ao ex-pupilo, que treinou o Pisa antes de chegar ao Milan. “Os técnicos estão ali para serem culpados se algo não funcionar. Eu direi a Gattuso uma coisa: é melhor cair com as suas ideias do que afundar com as ideias de outros”, disse.

“Qualquer decisão que você tome, se o clube não te protege, você está morto. Se você tira um jogador e ele vai ao clube reclamar e o apoiam, você perde sua cara com os outros jogadores. Você não consegue se recuperar disso. De acordo com a imprensa, eu fui demitido do Bayern porque eu tinha cinco grandes jogadores contra mim”, contou.

Bayern

Demitido do Bayern de Munique, Ancelotti contou o que foram os últimos meses e o que levou à sua saída do clube.  “Muito foi dito sobre os jogadores, o presidente do Bayern, a imprensa. Eu não quero voltar a tratar disso tudo”, contou o treinador.

“Foi uma discordância sobre metodologia de trabalho. Eu construí meu método de trabalho em muitos anos e eu não irei mudar”, contou. “Os jogadores fazem 60 jogos por ano e meu método é baseado em qualidade em relação à quantidade. Melhor do que estar em campo por uma hora e meia correndo devagar, eu prefiro ficar aqui uma hora e focar em corridas rápidas com a bola e replicar situações de jogo”, explicou Ancelotti.

“Futebol não se trata de correr devagar. Eu estou no futebol há muito tempo, não é como era quando eu jogava e fazíamos mais trabalhos atlético, porque isso está prejudicando os jogadores se você disputa 60 partidas por temporadas. Você tem que se adaptar e tirar o máximo do tempo que você tem à sua disposição”, concluiu.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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