Itália

Anatomia de um recorde

A Juventus de Fabio Capello não pôde ficar registrada na história pelos títulos, cassados em virtude das falcatruas em que se meteu a direção bianconera, na origem do “CalcioCaos” de 2006. A importância daquele time, no entanto, é inegável. Fortíssima em todos os setores, aquela Vecchia Signora ainda desperta saudades no torcedor que hoje vê a equipe navegar fora das zonas europeias da tabela.

Para a temporada 2004/05, reforços como Ibrahimovic (então uma aposta que chegava do Ajax), Cannavaro e Emerson deram solidez e poder de fogo a um time que já possuía uma base respeitável, com Buffon, Thuram, Camoranesi, Nedved, Trezeguet e Del Piero, entre outros. Capello, que chegava da Roma, era o nome ideal para transformar todos aqueles nomes em um esquadrão.

Na caminhada para o título, a Juve somou 32 pontos nas primeiras 13 rodadas. Até a última semana, era o melhor início de um treinador na Serie A na era dos três pontos por vitória (a partir da temporada 1994/95). O número foi superado por Leonardo, que em seu 13º jogo de campeonato pela Internazionale viu o time bater o Genoa por 5 a 2 e somar 33 pontos em seu período no cargo.

Com média de 2,53 pontos por jogo, Leonardo por enquanto supera até os números de Mourinho, que deixou a Inter com média de 2,18 (166 pontos em 76 rodadas). Para comparar o período equivalente, Mourinho somou 30 pontos nos primeiros 13 jogos (média de 2,30).

Por trás da arrancada que deixou a Inter a apenas cinco pontos do Milan, com um confronto direto por jogar em 3 de abril, está a boa movimentação do clube no mercado de janeiro (justamente o que Rafa Benítez cobrava, em tom irritado, antes de ser demitido), mas também uma importante mudança na mentalidade de jogo.

Os quatro reforços da janela de inverno – Pazzini, Ranocchia, Kharja e Nagatomo – já balançaram as redes no campeonato com a camisa nerazzurra. O lateral japonês foi o último a abrir sua contagem, no jogo de domingo. Sempre que Pazzini deixou sua marca (cinco vezes), a Inter venceu.

A produção ofensiva é impressionante, com 34 gols marcados, média de 2,61 por jogo. Apenas em uma partida deixou de marcar, na derrota por 1 a 0 para a Juventus, e só uma vez marcou menos de dois gols, na vitória por 1 a 0 sobre o Cagliari. Em contrapartida, a defesa ainda requer muitos cuidados, já que foram 17 gols sofridos, e apenas três equipes (Bari, Cagliari e Sampdoria) não conseguiram vazá-la.

A Juventus de Capello sofreu apenas 6 gols nos primeiros treze jogos, mas marcou somente 25. Evidentemente, há uma clara diferença de filosofia: Leonardo, desde sua experiência à frente do Milan, gosta de times com certo desequilíbrio para o ataque. Não por acaso citou a Seleção Brasileira de 1982 como uma de suas referências.

Em San Siro, ninguém conseguiu tomar pontos da Inter de Leonardo até agora. Palermo e Genoa conseguiram sair na frente, mas levaram a virada. Sintoma de um time que tende a crescer no segundo tempo das partidas – apenas 12 dos 34 gols com Leonardo foram marcados antes do intervalo. Em um hipotético campeonato considerando apenas os 45 minutos finais, a Inter lideraria com 53 pontos.

Na curta “era Benítez”, nove jogadores diferentes marcaram pela Inter. Com Leonardo, já são 12. O técnico brasileiro contou com a importante colaboração de Sneijder, apagado no esquema do técnico espanhol, e decisivo no atual 4-3-1-2, que em momentos vira 4-2-1-3, dependendo das peças em campo. O módulo apelidado de “4-2-fantasia” pela imprensa italiana.

Foi assim no segundo tempo contra o Genoa, quando Stankovic deu lugar a Pandev e a Inter virou com facilidade, após terminar a primeira etapa perdendo por 1 a 0 e jogando mal.

Os compatriotas Júlio César e Maicon também cresceram após a mudança de comando, sobretudo o lateral-direito, que havia feito uma primeira metade de temporada burocrática para seus padrões. Com a melhora nas últimas partidas, reconquistou espaço na Seleção Brasileira.

Hoje, o presidente Massimo Moratti tem todas as razões para se orgulhar da aposta feita. Ele sabe que, mesmo que a Inter não consiga o histórico sexto título consecutivo nesta temporada, tem tudo para iniciar a próxima como favorita.

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Equipe Trivela

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