Itália

Análise da temporada, parte 1

Começamos nesta semana a fazer uma análise de como foi a temporada na Serie A, com seus altos e baixos, destaques e decepções. Nesta primeira edição, falaremos dos times que terminaram na metade de baixo da tabela, desde os que lutaram para não cair até os que ficaram apenas na faixa intermediária.

Bari

Colocação final: 20º, com 24 pontos (rebaixado)
Técnico: Giampiero Ventura (até a 24ª rodada) e Bortolo Mutti (a partir da 25ª)
Maior vitória: 4×0 Bologna (38ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Internazionale (4ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Jean-François Gillet
Decepção: Paulo Vitor Barreto
Artilheiro: Paulo Vitor Barreto (4 gols)
Líder em assistências: Sergio Almirón (3 assistências)

Depois de subir para a Serie A na temporada 2008/09 e manter-se na primeira divisão na temporada seguinte, desta vez não teve jeito. O Bari vinha de um 10º lugar em 2009/10, um elenco que parecia capaz de sobreviver mais um ano ao rebaixamento, acabou rebaixado. Boa parte do problema foi o ataque: a equipe marcou apenas 27 gols em 38 jogos, média de menos de um por partida.

Apesar de ter sido o último colocado, não foi a pior defesa. Sofreu 56 gols, média próxima a 1,5 gol por partida. De fato, o time perdeu Leonardo Bonucci para a Juventus nesta temporada, um jogador titular absoluto. Perdeu também Andrea Ranocchia, mas o zagueiro já tinha perdido boa parte da temporada 2009/10 lesionado.

O time sentiu a falta do brilho de Paulo Vitor Barreto, que marcou só quatro gols, sendo dois deles de pênalti. Mais do que isso, sentiu falta de um ataque eficiente, com um jogador que conseguisse marcar gols. Tanto que Barreto, mesmo em má fase e marcando poucos gols, terminou como artilheiro do time. O que fica é o atacante Francesco Gandolfo, 19 anos, que mostrou uma revelação na parte final da temporada. Será uma temporada difícil para o clube e a aposta na Serie B terá que ser nos jovens, já que a situação financeira é complicada.

Brescia

Colocação final: 19º, com 32 pontos (rebaixado)
Técnico: Giuseppe Iachini (da 1ª até a 15ª rodada; da 23ª até 38ª rodada) e Mario Beretta (da 16ª até a 23ª)
Maior vitória: 2×0 Parma (20ª rodada)
Maior derrota: 3×0 Milan (15ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Alessandro Diamanti
Decepção: Éder
Artilheiro: Andrea Caracciolo (12 gols)
Líder em assistências: Alessandro Diamanti (6 assistências)

Um dos favoritos ao rebaixamento no início da campanha, não conseguiu evitar o descenso mesmo com a contratação de jogadores como Alessandro Diamanti e o brasileiro Éder, que veio por uma quantia alto do Empoli e não conseguiu se firmar no time titular. Mesmo Diamanti, que veio do West Ham, não conseguiu engrenar rapidamente e nos primeiros jogos pelo clube deixou a desejar. Ainda assim, sua qualidade técnica era um ganho ao time e conseguiu marcar seis gols e seis assistências.

Andrea Caracciolo foi o artilheiro do time, marcando 12 gols na temporada, mas isso foi pouco para o time. A defesa sofreu 52 gols, falhou demais e acabou comprometendo boa parte da campanha dos Rondinelli. Éder, que deveria ser o companheiro de Caracciolo, até marcou seis gols, mas suas atuações estiveram muito abaixo das que fez pelo Empoli na Serie B. O que fica de bom é Panagiotis Kone, boa contratação do time para a temporada, que acabou vindo por um preço baixo e teve um bom desempenho. Para a Serie B, muitos dos jogadores de altos salários devem sair para aliviar a folha e fazer caixa.

Sampdoria

Colocação final: 18º, com 36 pontos (rebaixado)
Técnico: Domenico di Carlo (até a 29ª rodada) e Alberto Cavasin (a partir da 30ª rodada)
Maior vitória: 3×0 Bari (15ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Napoli (22ª rodada)
Competição continental: Eliminado na fase de play-off da Liga dos Campeões e na fase de grupos da Liga Europa
Principal jogador: Stefano Guberti
Decepção: Federico Macheda
Artilheiro: Nicola Pozzi e Giampaolo Pazzini (6 gols)
Líder em assistências: Guido Marilungo (3 assistências)

A maior surpresa da temporada na Serie A. Negativamente, é claro. Os Blucerchiati fizeram uma temporada memorável em 2009/10, chegando em quarto lugar e garantindo classificação à Liga dos Campeões. Só que a temporada começou dando um indício do que viria a seguir. A eliminação veio ainda na fase play-off e o time sequer chegou na fase de grupos da competição. Depois, com o mau desempenho na Serie A, deixou de lado a Liga Europa e foi eliminado na fase de grupos.

O ponto chave na temporada do clube foi a perda primeiro de Antonio Cassano, que se desentendeu com o presidente Riccardo Garrone. Cassano tinha sido decisivo para o clube e a perda do atacante foi uma queda técnica grande. Soma-se a isso a saída de Giampaolo Pazzini em janeiro para a Inter, o que deixou o time carente no setor que era o seu melhor no início da temporada. Federico Macheda, contratado junto ao Manchester United, não correspondeu e acabou perdendo a vaga até no banco em alguns jogos. Massimo Maccarrone fez o seu trabalho, mas seu nível técnico é muito abaixo dos titulares anteriores. Já Jonathan Biabiany, que veio da Inter, foi mal e não conseguiu mostrar o futebol dos tempos de Parma. Nem o bom desempenho do meio –campista Stefano Guberti, de 21 anos, foi suficiente para evitar o descenso, que certamente culminará com uma reformulação grande do elenco.

Lecce

Colocação final: 17º, com 41 pontos
Técnico: Luigi de Canio
Maior vitória: 2×0 Juventus (26ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Milan (1ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Rúben Oliveira
Decepção: Javier Chevantón
Artilheiro: David Di Michele (8 gols)
Líder em assistências: Gianni Munari (7 assistências)

O time era candidato ao rebaixamento no início da temporada e, com poucos recursos, a perspectiva não era muito diferente dessa. Quando conversei com o zagueiro Gustavo, foi o que ele contou: o primeiro objetivo era escapar do descenso. Surpreendentemente, o time conseguiu o feito, mesmo tendo a pior defesa da Serie A, com 66 gols sofridos. A diferença para os rivais da rabeira foi o ataque dos Salentini. Se Bari, Brescia e Sampdoria fizeram 27, 34 e 33 gols, respectivamente, os giallorossi fizeram 46.

Uma parte desse feito tem que ser creditada ao atacante David Di Michele, 35 anos, contratado junto ao Torino. O atacante marcou oito gols na temporada, mesmo perdendo três pênaltis. Outro atacante, Daniele Corvia, marcou seis gols. Por fim, Rúben Oliveira, camisa 10 e trequartista, marcou quatro. A decepção foi o uruguaio Javier Chevantón, que se destacou pelo clube entre 2001 e 2004. Sem conseguir impressionar, fez 14 jogos na temporada, sendo que apenas dois como titular, marcando dois gols.

O time terá que apostar em jogadores jovens para a próxima temporada. Com o time com uma média de idade de 25 anos, é possível manter a base e tentar reforços em setores como a defesa e o meio-campo, possivelmente com reforços de jogadores jovens.

Cesena

Colocação final: 16º, com 43 pontos
Técnico: Massimo Ficcadenti
Maior vitória: 2×0 Milan (2ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Napoli (5ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Luis Antonio Jiménez
Decepção: Alessandro Rosina
Artilheiro: Luis Antonio Jiménez (10 gols)
Líder em assistências: Luca Cecarelli (5 assistências)

Outro time cotado para cair, o Cesena conseguiu surpreender com sua temporada de reestreia na Serie A, depois de 20 anos afastado da elite do futebol italiano. O time surpreendeu e fez um primeiro turno bastante bom, com cinco vitórias, dois empates e nove derrotas. Nos três primeiros jogos, um empate com a Roma e duas vitórias, sobre o Milan e o Lecce. No segundo turno, cinco vitórias, cinco empates e oito derrotas. Um desempenho ruim, mas esperado para um clube vindo da Serie B.

A melhor contratação da temporada foi, sem dúvida, o chileno Luis Antonio Jiménez, ex-Inter, que estava na Ternana na temporada passada. O meia-atacante marcou dez gols, foi o artilheiro e destaque do time. Outro jogador do setor ofensivo que merece destaque é o albanês Erjon Bogdani. Foram oito gols do atacante e três assistências. Aliás, no quesito assistências, quem merece destaque é Luca Ceccarelli, lateral direito que fez cinco na temporada.

Impossível não citar o lateral esquerdo Yuto Nagatomo, contratado no início da temporada junto ao Tokyo. O jogador da seleção japonesa foi destaque no primeiro turno e na Copa da Ásia, fazendo a Inter vir atrás dele e levá-lo por empréstimo. Entre as decepções, Alessandro Rosina, que veio do Zenit, lidera a fila. Fez dez jogos, quatro como titular, marcando um gol. Diego Cavalieri, goleiro brasileiro que veio do Liverpool, jogou apenas uma partida.

Bologna

Colocação final: 15º, com 45 pontos
Técnico: Paolo Magnani (1ª rodada) e Alberto Malesani (a partir da 2ª rodada)
Maior vitória: 3×1 Lazio (21ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Bari (38ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Marco Di Vaio
Decepção: Rene Krhin
Artilheiro: Marco Di Vaio (19 gols)
Líder em assistências: Diego Pérez (4 assistências)

A campanha do Bologna na temporada foi decepcionante. Terminar em 15º lugar brigando nas últimas rodadas contra o rebaixamento não era o que a torcida dos Felsinei, mas um jogador, em especial, precisa levar o crédito por ter evitado o pior: Marco Di Vaio. O atacante marcou 19 vezes e foi decisivo em muitas partidas, ajudando o time a ganhar pontos que tiraram a possibilidade do descenso do horizonte.

O começo não foi animador. Nos primeiros dez jogos, apenas duas vitórias, cinco empates e três derrotas. Algumas vitórias, porém, acabaram sendo importantes, como os triunfos sobre o Bari, Cesena e Lecce fora de casa, em disputas diretas contra o descenso. A decepção ficou por conta do meio-campista Rene Krhin. Contratado junto à Inter, o esloveno jogou apenas cinco jogos, somando Serie A e Copa da Itália, mas deixou a desejar. Os gols de Marco Di Vaio, porém, fizeram com que o time continuasse na Serie A. Para melhorar, precisará fazer algumas contratações.

Cagliari

Colocação final: 14º, com 45 pontos
Técnico: Pierpaolo Bisoli (até a 12ª rodada) e Roberto Donadoni (a partir da 13ª rodada)
Maior vitória: 5×1 Roma (2º rodada)
Maior derrota: 4×0 Udinese (29ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Andrea Cossu
Decepção: Lorenzo Ariaudo
Artilheiro: Alessandro Matri (11 gols)
Líder em assistências: Andrea Cossu (12 assistências)

Cotado para ficar no meio da tabela, o Cagliari manteve a expectativa. Isso mesmo depois de perder o seu principal jogador no meio da temporada, o atacante Alessandro Matri, que foi emprestado à Juventus. Tanto a importância do atacante era importante que terminou a temporada como artilheiro dos Isolani na temporada, com 11 gols. Só que um outro nome continuou a brilhar mesmo com a saída de Matri: Andrea Cossu.

Nos 35 jogos que fez, o trequartista, de 31 anos, fez nada menos do que 12 assistências na Serie A. A maioria delas foi para Matri (3) e o experiente Daniele Conti (3). Quem também recebeu duas vezes os presentes de Cossu foi Robert Acquafresca, que marcou oito gols na Serie A, dois deles com passes do meia. Só que nem tudo foram flores. O zagueiro Lorenzo Ariaudo, uma das contratações para a temporada, não correspondeu à expectativa. Jogou 15 partidas, nove delas como titular – sendo quatro deles como lateral esquerdo. O que anima os torcedores dos rossoblu é que ainda é um jovem de 21 anos, da seleção sub-21, e que pode ser importante para o time na próxima temporada.

Catania

Colocação final: 13º, com 46 pontos
Técnico: Marco Giampaolo (até a 20ª rodada) e Diego Simeone (a partir da 21ª rodada)
Maior vitória: 4×0 Palermo (31ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Lazio (33ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Maxi López
Decepção: Mirko Antenucci
Artilheiro: Maxi López (8 gols)
Líder em assistências: Cristian Llama (4 assistências)

A torcida dos elefantes não sabia se podia esperar muito do time. Antes de tudo, a ideia era não ser rebaixado. Nesse ponto, os rossazzurri foram muito bem sucedidos, novamente por uma boa temporada do atacante Maxi López e por um time que soube vencer alguns jogos importantes.

O atacante mais uma vez foi importante em diversas partidas que o Catania venceu, como contra o Cesena, na 4ª rodada, quando marcou um gol na vitória por 2 a 0 e foi escolhido o melhor da partida, na 11ª rodada, vitória por 1 a 0 contra a Udinese, na 17ª, na vitória por 1 a 0 sobre o Brescia, ou na vitória por 2 a 1 sobre o Genoa, na 23ª rodada. Ao contrário do argentino, o atacante Mirko Antenucci decepcionou. Dos 14 jogos que disputou, foi titular em apenas dois, marcou apenas um gol, de pênalti, e deixou o clube em janeiro. No geral, uma boa temporada do clube.

Parma

Colocação final: 12º, com 46 pontos
Técnico: Pasquale Marino (até a 31ª rodada) e Franco Colomba (a partir da 32ª rodada)
Maior vitória: 4×1 Juventus (18ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Milan (25ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Sebastian Giovinco
Decepção: Antonio Candreva
Artilheiro: Hernán Crespo (9 gols)
Líder em assistências: Sebastian Giovinco (4 assistências)

O nome do Parma na temporada é um só: Sebastian Giovinco. O “Formiga Atômica” veio da Juventus por empréstimo, depois de não conseguir ganhar espaço nos bianconeri e acabou sendo a melhor contratação dos Ducali. Com sete gols e quatro assistências, foi o jogador que conduziu o time a boas vitórias.

Quem também tem que ser valorizado é o atacante Hernán Crespo. Aos 35 anos, conseguiu ser importante nas 29 partidas que jogou (16 como titular). Foi melhor na primeira metade da temporada do que na segunda. Na segunda, quem se destacou foi Amauri, que veio emprestado da Juventus e marcou sete gols.

Só que também tiveram os problemas. Antonio Candreva, que chegou para ser o mais importante armador do time, foi apenas um coadjuvante. Dos 31 jogos que fez, sendo 23 como titular, marcou três gols. Muito pouco pelo que se esperava dele.

Chievo

Colocação final: 11º, com 46 pontos
Técnico: Claudio Pioli
Maior vitória: 3×1 Genoa (2ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Cagliari (25ª rodada)
Competição continental: Não participou
Principal jogador: Sergio Pellisier
Decepção: Cyril Théréau
Artilheiro: Sergio Pellisier (11 gols)
Líder em assistências: Kevin Constant (4 assistências)

O Chievo fez o suficiente para uma campanha sem correr muitos riscos de rebaixamento, o que já é bastante coisa. As boas atuações dentro de casa, onde teve um desempenho equilibrado – ganhou seis vezes, empatou oito e perdeu cinco. Como o desempenho fora foi um pouco pior (cinco vitórias, cinco empates e nove derrotas), foi o suficiente para manter-se no meio da tabela.

O atacante e capitão Sergio Pellissier foi um destaque do time. Com 11 gols, foi eleito seis vezes o homem do jogo, ajudando o seu time a conseguir vitórias importantes. Kevin Constant, que foi o maior assistente do time, foi importante sendo eleito três vezes o homem do jogo e tendo feito quatro assistências.A decepção fica por conta de Cyril Théréau, contratado junto ao Cherleroi, foi inexpressivo no time. Fez 23 jogos, 15 como titular, marcando apenas dois gols.

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Equipe Trivela

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