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Alemão: um dos heróis do Napoli de 89

Que muro de Berlim que nada: o maior evento de 1989 para os napolitanos foi o título da Copa da Uefa

Muito tem se falado da queda do muro de Berlim, mas se você for a Nápoles e perguntar a um transeunte qual o evento histórico mais marcante de 1989, não se surpreenda ao ouvir que foi a Copa da UEFA de 1989. O único título internacional expressivo celebrado pela quarta maior torcida da bota veio pelos pés de Diego Armando Maradona, Careca e, por que não, Ricardo Rogério de Brito, também conhecido como Alemão.

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Alemão é mineiro de Lavras, onde nasceu em 22 de novembro de 1961. Deu os primeiros passos na carreira defendendo o Fabril e aos vinte anos se juntou ao Botafogo, clube que defenderia por sete temporadas e pelo qual conquistou a convocaçao para a Copa do México. Até hoje o jogador demonstra carinho pela equipe que o projetou no futebol.

Com a exposição internacional veio a transferência para o Atlético de Madrid. Apenas 35 jogos depois o volante trocaria as touradas pela pizza para defender o ascendente Nápoli de Maradona. A escolha se mostrou acertada, pois a equipe era muito competitiva, acabara de conquistar o scudetto na temporada 86-87. Iniciava-se ali uma era de ouro para o clube e seus principais jogadores, que desafiaram os temíveis Inter, Milan e Juventus, apimentando a histórica rivalidade entre norte e sul da Itália.

Foram dois scudetti, uma Copa da Itália e uma Supercopa da Itália. Em 1989 a superioridade do Napoli foi sentida também fora da bota. A campanha foi irretocável, com direito a duelo dramático contra a Juve nas quartas (0x2 em Turim e 3×0 em Napoli, com gol no último minuto da prorrogação), parada indigesta ante o Bayern Munique nas semis e dois jogaços contra o Stuttgart de Klinsmann na final. 2×1 em Nápoles e 3×3 em Stuttgart, com direito a gol de Alemão. A fase era ótima e cerca de dois meses depois o jogador ganharia a Copa América pela seleção brasileira.

Veio a conturbada Copa de 90 e a eliminação ante a Argentina do colega Maradona. Na época chegou a circular o rumor estapafúrdio de que Alemão teria aliviado a marcação em Maradona, suspeita totalmente descartada pelo volante. Encerrava-se ali um ciclo de 40 jogos e seis gols pela seleção canarinho.

De qualquer modo, a eliminação da Itália pela Argentina de Maradona pode sim ter impactado a carreira de Alemão. Há quem diga que a queda da Azurra desencadeou as investigações e intrigas que expuseram o doping de Maradona, acentuando a crise do Napoli e pondo fim ao ciclo vitorioso da equipe.

Alemão resistiu até 92, quando se transferiu para a Atalanta. Mais duas temporadas no calcio e despedida da Europa: era hora de voltar ao Brasil para defender as cores do São Paulo. A entre safra na era pós-Telê Santana fez com que a passagem de Alemão pelo tricolor não fosse vitoriosa como a de outros veteranos como Falcão e Cerezo.

A carreira entrava em queda livre e a próxima parada foi o Volta Redonda, última equipe defendida pelo volante. Ele atuou como procurador de jogadores e, a partir de 2007, seguiu o tradicional caminho de treinador, dirigindo o Tuynambás de Juiz de Fora pela segunda divisão mineira.

Em 2008 Alemão treinou o América Mineiro no módulo II do campeonato regional, de onde saiu em setembro para fazer estágios de treinador no Napoli e Reggina. Quer agregar teoria à experiência que teve com nomes como Zico, Maradona, Careca, Romário, Parreira e Telê Santana.

Recentemente deu declarações demonstrando confiança no trabalho dos ex-colegas Dunga e Maradona à frente de suas seleções nacionais. A despeito da suada classificação dos albicelestes, Alemão aponta a Argentina como uma das favoritas para vencer o mundial da África.

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