Itália

Ah, que é isso?

Campeonato reaberto? A discussão voltou à pauta depois de a líder Internazionale completar três rodadas sem vencer, empatando consecutivamente com Parma, Napoli e Sampdoria. É a primeira vez na temporada que o time de José Mourinho vive tal “jejum”. Enquanto isso, a Roma vem de sete vitórias consecutivas, ficando a cinco pontos dos nerazzurri, e o Milan tem a oportunidade de baixar sua desvantagem a quatro pontos caso vença a Fiorentina no jogo recuperado desta quarta-feira.

Ainda que um momento de baixa seja algo possível para qualquer equipe, é difícil entender o descontrole que tomou conta da Inter nas últimas partidas. O empate por 0 a 0 com a Sampdoria em San Siro certamente ficará registrado como um ponto ganho em vez de dois perdidos, já que dois jogadores foram expulsos ainda no primeiro tempo. Os interistas mostraram caráter em situação difícil – com a Samp cúmplice por ter arriscado pouco em vantagem numérica –, mas não há explicação para colocar em risco uma partida desta maneira. Especialmente porque até então os blucerchiati praticamente não haviam ameaçado o gol de Júlio César.

As expulsões de Samuel, por uma cotovelada em Pozzi, e Córdoba, com o segundo cartão amarelo em um espaço de quatro minutos, provocaram ira no ambiente nerazzurro, mas o árbitro Paolo Tagliavento acertou em ambos. Mourinho, já irritado pela presença de fiscais da Lega Calcio próximos aos bancos de reservas, perdeu as estribeiras e fez um gesto com os punhos cruzados, como se estivesse sendo algemado. Desnecessário dizer que foi a imagem mais exibida do fim de semana na Itália. O português sabe como se fazer notar pela mídia – algo que é descrito pelos detratores como sua principal qualidade.

A manifestação “teatral” custou a Mourinho três jogos de suspensão. E não foi só isso. Além das automáticas a Samuel e Córdoba, a Inter ainda perdeu por duas rodadas Esteban Cambiasso e Sulley Muntari. O argentino tentou agredir o sampdoriano Gastaldello no túnel, em uma confusão na saída do primeiro tempo, enquanto o ganense ofendeu o árbitro ao sair do campo no momento de sua substituição.

Para o jogo contra a ameaçada Udinese, a Inter passa a contar apenas com Lúcio em condições de atuar na zaga. As outras soluções, caso Materazzi não se recupere rapidamente de contusão, seriam promover um garoto da base ou escalar um entre Stankovic e Thiago Motta no setor.

Mas o que estaria por trás do nervosismo da Inter? Pode-se argumentar que a proximidade do confronto com o Chelsea, pela Liga dos Campeões, esteja mexendo com os ânimos em Appiano Gentile. Afinal de contas, com ou sem scudetto, parece claro que a temporada da Beneamata será julgada por seu sucesso ou fracasso na competição europeia, a maior obsessão de Massimo Moratti em seus 15 anos de administração, completados na última semana.

Porém, há outra razão possível e difícil de contornar: a cultura da suspeita que tomou conta do futebol italiano desde o escândalo da arbitragem de 2006. A sensação é de que todo árbitro é culpado até que se prove o contrário. Sempre há alguém para levantar, explícita ou implicitamente, que há um complô para manter o equilíbrio do campeonato até o final.

Diante de tal realidade, é necessário um trabalho em conjunto da federação, da Lega, dos clubes e do departamento de árbitros para não colocar o sistema novamente em xeque. Por mais que a pena de três jogos a Mourinho pareça um exagero, ela é compreensível por significar uma mensagem clara: as polêmicas não podem ser maiores do que o futebol dentro de campo.

Na semana da partida, o português havia disparado a metralhadora giratória contra todos os rivais. Disse que só a Juventus tem “uma área de 25 metros”, por causa do pênalti assinalado sobre Del Piero em uma falta fora da área contra o Genoa. Chamou a Roma de “esperta e chorona”, porque reclama de falta de dinheiro para comprar jogadores, mas recusa as melhores ofertas para vender os seus, em referência ao fracasso na tentativa de contratar Júlio Baptista. E alfinetou o técnico do Napoli, Walter Mazzarri, afirmando que ele considera “o maior feito de sua vida” ter segurado um empate por 0 a 0 com sua Inter.

Depois do jogo contra a Sampdoria, Moratti ordenou que ninguém falasse com a imprensa – nem mesmo Mourinho. Uma ordem com o objetivo de minimizar danos e fazer com que o time se concentre em sua partida mais importante da temporada até aqui. Se a Inter já parece descontrolada agora, se cair na LC diante do Chelsea a situação pode ficar ainda mais delicada.

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Equipe Trivela

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