Itália

A Udinese vai conseguir chegar lá de novo?

Já faz tempo que se fala bem sobre o modelo de negócio da Udinese. Em todos os cantos do mundo, foi decantado como o clube dirigido por Giampaolo Pozzo consegue, através de uma eficiente e competente rede de olheiros espalhados pelo globo, contratar jovens jogadores de alto potencial. Depois, esses mesmos jogadores acabam vendidos por fortunas, que fazem o clube lucrar em cerca de incríveis 800% – esse percentual foi conseguido com as vendas de Sánchez ao Barcelona, Inler ao Napoli, Zapata ao Villarreal e Asamoah à Juventus. No entanto, fica a sensação de que o técnico Francesco Guidolin não tem recebido o mesmo mérito.

Para começar, o trabalho de Guidolin é um dos mais complicados de se realizar no país. Todos os anos, a equipe perde alguns de seus pilares e tem de começar o seu trabalho baseando-se em Di Natale e três ou quatro jogadores centrais. Foi assim quando ele chegou, em 2010, e Zapata e D’Agostino haviam saído; no ano seguinte, com as saídas de Sánchez e Inler; e nesta temporada, quando quase toda a base de 2010-11 foi desfeita, com as saídas de Asamoah, Handanovic, Isla e, em janeiro, Armero.

Nesta temporada, o trabalho de Guidolin teve as maiores dificuldades. Ao contrário dos anos anteriores, os reforços não pareciam encantar – chegaram, é bom lembrar, Maicosuel e Willians, entre outros. Muitos dos novos contratados demoraram a engrenar. Brkic ofereceu a mesma segurança que Handanovic apenas a partir do segundo turno, e o mesmo aconteceu com Lazzari e Muriel (autor de 10 gols no campeonato). Allan, ex-Vasco, foi o mais regular dentre eles.

Além de os reforços não terem correspondido, de fato, a equipe teve de superar a traumática eliminação na terceira fase eliminatória da Liga dos Campeões, ante ao Braga – com direito a pênalti ridiculamente desperdiçado por Maicosuel. A equipe ainda acumulou apenas uma vitória nas sete primeiras rodadas da Serie A, um desempenho semelhante ao de 2010-11, temporada na qual os friulanos ficaram em 3º no campeonato e conseguiram classificação à Champions. Naquela ocasião, foram cinco derrotas consecutivas no início do campeonato. Guidolin conseguiu reverter isso de forma magistral.

Guidolin já havia treinado a Udinese em 1998, quando o modelo de negócio não era bem esse – o nome do time era o brasileiro Amoroso, que foi o artilheiro, com 22 gols. Naquele ano, Guidolin levou a equipe à antiga Copa Uefa. Depois, o técnico também levou o Bologna à competição e, por três vezes, o Palermo. Com o Parma, também fez duas boas campanhas, reconstruindo um time em crise, antes de voltar à Udinese e se tornar ídolo no Friuli. Sempre utilizou dois esquemas-base: o 3-5-2 e o 4-3-2-1, com rápida transição entre defesa e ataque, uma referência na frente, laterais polivalentes e bons o apoio, além de meias box-to-box.

Os resultados estão aí. Sem grandes craques em todas as posições, mas com ótimas e esforçadas peças, Guidolin sempre tira leite de pedra. Há quem diga que a pressão em Údine é menor que a dos grandes centros – e de fato é –, mas isso não significa que não haja pressões, sobretudo as internas, com as quais lidar. Com Di Natale em grande forma, certamente fica mais fácil, mas não é por acaso que a diretoria do clube deseja manter o treinador, sondado, de acordo com a mídia italiana, por Inter e Napoli. Para os Pozzo, Guidolin será o Alex Ferguson deles. Não é para menos.

Pallonetto

– Mercado de técnicos está esquentando: Mazzarri pode trocar o Napoli pela Roma ou pela Inter; Allegri segue ameaçado no Milan. Teremos meses de maio e junho movimentados.

– Por outro lado, Agnelli confirmou a continuidade de Conte na Juventus. O técnico havia pedido duas grandes contratações no ataque, sete ou oito novos atletas e manutenção de Vidal e Pogba. Pelo visto, será atendido.

– Seleção Trivela da 37ª rodada: Handanovic (Inter); Allan (Udinese), Roncaglia (Fiorentina), Naldo (Bologna), Lulic (Lazio); Cuadrado (Fiorentina), Candreva (Lazio), Nainggolan (Cagliari), Hamsík (Napoli), Gómez (Catania); Di Natale (Udinese). Técnico: Francesco Guidolin (Udinese).

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