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A Reggiana precisou enfrentar duas refundações, mas retorna à Serie B após 21 anos

A Reggiana disputou apenas três temporadas na Serie A, A antiga equipe de Taffarel, porém, atravessou um longo processo de reconstrução por conta dos problemas financeiros. Foram duas refundações nos últimos 15 anos, com dois recomeços na quarta divisão. Esta temporada, ao menos, marca uma esperança no renascimento do clube: os grenás conquistaram o acesso à Serie B, onde não figuram desde 1999. O maior momento da agremiação nos últimos 21 anos seria celebrado nesta quarta-feira, com uma vitória sobre o Bari, outro time tradicional que tenta se reconstruir nas divisões de acesso.

Historicamente, a Reggiana militou nas divisões de acesso do Campeonato Italiano. Passou a maior parte de sua trajetória entre a Serie B e a Serie C, embora tenha vivido o ápice na primeira divisão entre 1993/94 e 1996/97. O problema dos grenás veio logo após este último rebaixamento. A diretoria gastou alto trazendo medalhões e não conseguiria o retorno imediato. Pior, a desorganização afetou em cheio a equipe, que cairia à Serie C em 1998/99. As dívidas aumentavam, também pelos gastos com a construção do Estádio Giglio (o atual Estádio Mappei) em 1995, e as dificuldades para sair da terceirona tornavam a realidade cada vez mais dramática. Até que, em julho de 2005, a Reggiana decretasse sua falência.

Foram três temporadas para que a Reggiana conquistasse o acesso na quarta divisão, em 2008. A partir de então, a equipe faria campanhas de meio de tabela na terceirona, mas sempre sucumbia quando tinha a chance de disputar os playoffs. E a chance de recomeçar e colocar ordem na casa não significaria tranquilidade aos grenás. O Estádio Giglio seria vendido ao Sassuolo e as promessas feitas pelos investidores nunca se concretizavam. Em 2016, a chegada de Mike Piazza (antigo astro do beisebol que adquiriu 60% das ações) animou a torcida. Entretanto, o novo dono cansaria de seu brinquedo rapidamente e, depois de alguns tumultos, colocaria o clube à venda em 2018. A Reggiana não foi registrada na Serie C e, sem apresentar garantias financeiras, seria desfiliada pela federação italiana.

A segunda refundação aconteceu em julho de 2018, com o nome de Reggio Audace. Com apoio da prefeitura local, que concedeu o legado da antiga Reggiana, a nova versão dos grenás passou a ser fomentada por empresários locais. E finalmente se recuperaria. O time não conquistou o acesso na Serie D 2018/19 dentro de campo, mas seria repescado pela Lega Calcio para a Serie C em 2019/20, com o aumento no número de participantes. Mesmo como intrusos, os novatos subiram logo de cara na terceirona.

A Reggiana terminou sua liga regional na segunda colocação, após o fim antecipado da Serie C por causa da pandemia. Ficou atrás do Vicenza, outro refundado que subiu. Já nos playoffs de acesso, realizados em jogo único, os grenás se impuseram. Derrotaram Potenza e Novara até alcançarem a decisão. Por terem a melhor campanha, puderam receber o Bari no Estádio Mapei nesta quarta-feira. E fizeram sua parte, com o triunfo por 1 a 0, que valeu a comemoração. Augustus Kargbo anotou o gol do acesso no início do segundo tempo.

Ainda não dá para saber como será esta nova reconstrução da Reggiana, mas o acesso é um ótimo indício. A quem ficou por duas décadas longe da segundona, reaparecer na Serie B representa bastante. E o futebol na Emilia-Romagna agradece, com os próprios trabalhos dos rivais Parma e Sassuolo servindo de exemplo. É bacana ver um clube tradicional podendo sonhar, depois tantos anos de sofrimento.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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