Itália

A esperança é rosa

Quem andar pelas ruas de Palermo por esses dias não precisa de assustar se ouvir alguém na rua assobiando o hino da Liga dos Campeões. Receber alguns dos principais times do continente no estádio Renzo Barbera na próxima temporada não é apenas uma esperança: é uma possibilidade realista para o time rosanero, que a onze rodadas do fim ocupa a quarta colocação na tabela da Serie A.

Depois de vencer a Juventus por 2 a 0 em pleno Olímpico de Turim, o time teve de lutar muito para superar o ameaçado Livorno por 1 a 0 em casa, no último fim de semana. Encontrou a equipe toscana bem armada, e no gol um Rubinho disposto a mostrar serviço contra o clube que o contratou para ser titular e o relegou à reserva por causa do ótimo rendimento de Sirigu, premiado com uma vaga na seleção italiana.

O salvador da pátria foi Fabrizio Miccoli, que aos 30 anos demonstra a maturidade de quem vestiu camisas importantes como as de Juventus, Fiorentina e Benfica, mas somente na Sicília encontrou seu ambiente ideal.

Miccoli, por seu 1,68m e por sua compleição física, é apelidado de “Romário do Salento”, mas o ídolo do jogador nascido na província de Lecce é Diego Maradona, como o de muitas crianças que cresceram na Itália nos anos 80. É tão fã do argentino que colocou o nome de Diego em seu filho. Mais do que isso, pagou € 25 mil para arrematar os brincos do ex-craque argentino leiloados para pagar dívidas com o fisco. Promete devolvê-los quando tiver a oportunidade.

O gol decisivo contra o Livorno foi seu décimo no campeonato, e há toda a probabilidade de que ele supere os 14 da última temporada, sua melhor marca na Serie A. É legítimo considerar se, com alguns favoritos de Lippi, como Quagliarella, fazendo temporadas medíocres, não seria justo dar a Miccoli uma chance na seleção. Mas ele sabe que, se há alguma possibilidade, ela passa por classificar o Palermo para a Champions com um fim de temporada perfeito.

Para que o atacante salentino possa realizar o sonho rosanero, no entanto, é preciso uma engrenagem que funcione bem. É aí que entra o trabalho de Delio Rossi, técnico que passou boa parte da carreira subestimado, mas encontrou o reconhecimento merecido em sua passagem pela Lazio. O presidente Maurizio Zamparini é conhecido por ter pouca paciência com treinadores, e a demissão de Walter Zenga após treze rodadas parecia uma medida precipitada. No entanto, os resultados de Rossi acabaram por lhe dar razão.

Na capital, o técnico de 60 anos mostrou que é capaz de tirar leite de pedra ao classificar a Lazio para a Liga dos Campeões com um surpreendente terceiro lugar na temporada 2006/07. E a importância de Rossi ficou ainda mais evidenciada com as dificuldades enfrentadas pelos biancocelesti após sua saída, ano passado, já que lutam contra o rebaixamento na atual temporada.

Rossi não é nenhum gênio tático, e tem na administração do vestiário seu ponto forte. Ainda assim, conseguiu mudar a filosofia adotada por Zenga em seu início de trabalho. Hoje, o Palermo é um time que chama para si as rédeas do jogo, mesmo quando atua fora de casa, e confia em uma mistura de juventude e experiência que encontrou a dose certa. Se Miccoli resolve na frente, a organização do meio-campo passa por Liverani, de 33 anos, que ocupa a função de armador recuado.

O grande mérito na montagem do elenco, porém, passa pelos jovens. O já mencionado Sirigu foi feito em casa, mas os outros são frutos do bom trabalho de observação comandado pelo diretor esportivo Walter Sabatini, que foi contratado em 2008 e já havia trabalhado com Rossi na Lazio. Jogadores como o zagueiro dinamarquês Simon Kjaer (20 anos), o meia argentino Javier Pastore (20) e o atacante uruguaio Abel Hernández (19) hoje desfrutam de ótima valorização no mercado internacional.

Hernández foi contratado no ano passado após se destacar no Sul-Americano sub-20, a exemplo do que havia sido feito dois anos antes com seu compatriota Edinson Cavani, que hoje é titular e fundamental para a equipe.

Obviamente, não se faz um time capaz de brigar por vaga na LC sem investimentos. E Zamparini, há 25 anos no futebol e desde 2002 no comando do Palermo, admite já ter desembolsado cerca de € 200 milhões desde que entrou no esporte. Mas ele afirma que hoje o Palermo não fecha no vermelho, graças às boas vendas que faz. Luca Toni e Amauri são exemplos de alguns jogadores que renderam bem aos cofres do clube.

Pastore, por exemplo, custou € 6 milhões ao clube no ano passado e já vale mais que o dobro. O Chelsea já ofereceu € 15 milhões, sem sucesso. E o plano do Palermo não é vendê-lo agora. Pelo contrário. Na cabeça de Zamparini, a classificação para a Liga dos Campeões seria importante para reforçar os cofres do clube e convencer os jovens a permanecer. Melhor não duvidar.

Gols em extinção

Desde o fim das Eliminatórias da Copa do Mundo, a seleção italiana fez três amistosos. Não sofreu gols em nenhum deles, mas conseguiu marcar apenas um, na vitória por 1 a 0 sobre a Suécia, em novembro. Gol feito por um zagueiro, Chiellini. Contra Holanda e Camarões, a Azzurra passou em branco. Os atacantes não balançam as redes desde que Alberto Gilardino salvou a equipe de um vexame contra o Chipre ao marcar os três da vitória por 3 a 2 em Parma, em novembro.

O jogo da última semana contra Camarões mostrou mais uma vez uma seleção sem criatividade, sem inspiração, incapaz de preocupar os rivais. Marcello Lippi se nega a mostrar preocupação, alegando o peso dos desfalques, mas é evidente a todos que falta um nome talentoso capaz de fazer a diferença em uma jogada inesperada.

Neste momento, a Itália se baseia apenas na tradição de crescer nos momentos importantes. Mas na África do Sul, isso deve servir apenas para evitar um vexame. Acreditar que a Azzurra é capaz de duelar hoje com seleções como Espanha, Brasil e Inglaterra seria um grande exercício de otimismo.
 

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Equipe Trivela

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