A ausência de Buffon da possível lista da Bola de Ouro ressalta a decadência do prêmio
A Bola de Ouro tornou-se um status nos últimos anos. O velho intuito de olhar para trás e ver o que aconteceu ao longo dos últimos meses, analisando o desempenho dos jogadores, se perdeu. Fama pesa muito para garantir boas posições na votação do prêmio. Além disso, a pré-lista da Fifa costuma ter politicagens e absurdos. Como, por exemplo, ver Luis Suárez de fora da disputa em 2014. Já nesta sexta-feira, o Mundo Deportivo e a Gazzetta dello Sport divulgaram aquela que seria a relação bruta da entidade internacional, com 59 concorrentes para o troféu em 2015. Mais uma vez, não dá para levar tão a sério.
Alguns nomes espantam, mas dá até para compreender a linha de raciocínio. Massimo Luongo disputa apenas a terceira divisão do Campeonato Inglês pelo Swindon Town, mas foi citado por ter sido o melhor jogador da Copa da Ásia de 2015. O mesmo vale para o japonês Shinji Okazaki ou para o ganês Christian Atsu, que pouco fez no Everton, mas jogou bem na Copa Africana de Nações. O problema está na dose de politicagem em uma lista tão longa, na qual os torneios de seleções aparecem supervalorizados – ou só isso dá razão para a presença de David Ospina e Wilfried Bony. Sem contar os que sustentam pelo renome, como Andrea Pirlo e Wayne Rooney. No entanto, o que espanta mais é um nome ignorado.
Gianluigi Buffon certamente esteve entre os três melhores goleiros da última temporada – para alguns, até o melhor. Pegou demais na Serie A e foi a principal razão para a ótima campanha da Juventus na Liga dos Campeões, decisivo na caminhada até a final. Aos 37 anos, permanece em ótima forma. Para a Fifa, porém, o camisa 1 bianconero não mereceu aparecer em uma relação tão longa. Injustiçado maior entre outras ausências como David Silva, Pierre-Emerick Aubameyang, Raphael Varane e outros que mereciam a menção.
Buffon, inclusive, se manifestou pelo apoio de seus fãs diante da ausência: “Honestamente, eu não estava ciente sobre essa lista, então fui pego de surpresa pelas muitas mensagens que recebi. Vocês devem ter percebido que sou um otimista incurável, então não tenho ressentimentos ou frustrações. Então, estou tirando deste incidente o abraço espontâneo que recebi de todos vocês. Obrigado pelo apoio, em um ato de grande respeito que eu não tenho vergonha, mas amo por mil e uma razões”.
Talvez esta não seja a lista verdadeira. E, se for mesmo, pode até ser que o nome de Buffon seja incluído posteriormente. De qualquer forma, ela só ressalta a perda de valor da Bola de Ouro com o passar dos anos. De um prêmio com critérios, por mais que fossem subjetivos, se tornou um mero show. É até legal ver o reconhecimento da dinastia de Messi e Cristiano Ronaldo – por mais que a derrota de um deles não o torne lixo, como muita gente insiste em fazer. Mas o intuito original do prêmio se dilui.
Abaixo, os 59 nomes divulgados pelo Mundo Deportivo e pela Gazzetta dello Sport:
Alemanha: Toni Kroos (Real Madrid); Thomas Müller (Bayern de Munique); Manuel Neuer (Bayern de Munique)
Argentina: Sergio Agüero (Manchester City); Javier Mascherano (Barcelona); Lionel Messi (Barcelona); Nicolas Otamendi (Valencia/Man City); Javier Pastore (PSG); Carlos Tevez (Juventus/Boca Juniors)
Austrália: Massimo Luongo (QPR/Swindon Town)
Áustria: David Alaba (Bayern de Munique)
Bélgica: Thibaut Courtois (Chelsea); Kevin De Bruyne (Wolfsburg/Man City); Eden Hazard (Chelsea)
Brasil: Philippe Coutinho (Liverpool); Neymar (Barcelona); Willian (Chelsea)
Chile: Claudio Bravo (Barcelona); Gary Medel (Inter); Alexis Sanchez (Arsenal); Eduardo Vargas (QPR/Hoffenheim); Arturo Vidal (Juventus/Bayern)
Colômbia: Carlos Bacca (Sevilla/Milan); Jackson Martinez (Porto/Atlético de Madrid); David Ospina (Arsenal); James Rodriguez (Real Madrid)
Coreia do Sul: Son Heung-Min (Bayer Leverkusen/Tottenham)
Costa do Marfim: Wilfried Bony (Swansea/Manchester City); Yaya Touré (Manchester City)
Croácia: Luka Modric (Real Madrid); Ivan Rakitic (Barcelona)
Espanha: Diego Costa (Chelsea); David De Gea (Manchester United); Andrés Iniesta (Barcelona); Álvaro Morata (Juventus); Sergio Ramos (Real Madrid)
França: Karim Benzema (Real Madrid); Antoine Griezmann (Atlético Madrid); Alexandre Lacazette (Lyon); Paul Pogba (Juventus)
Gales: Gareth Bale (Real Madrid)
Gana: Christian Atsu (Everton/Bournemouth); André Ayew (Olympique de Marseille/Swansea)
Japão: Shinji Okazaki (Mainz 05/Leicester)
Holanda: Memphis Depay (PSV/Manchester United); Arjen Robben (Bayern de Munique)
Inglaterra: Harry Kane (Tottenham); Wayne Rooney (Manchester United)
Itália: Giorgio Chiellini (Juventus); Andrea Pirlo (Juventus)
México: Giovani Dos Santos (Villarreal/LA Galaxy); Andrés Guardado (PSV)
Peru: Paolo Guerrero (Corinthians/Flamengo)
Polônia: Robert Lewandowski (Bayern de Munique)
Portugal: Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Suécia: Zlatan Ibrahimovic (PSG)
Uruguai: Edinson Cavani (PSG); Carlos Sánchez (River Plate); Luis Suárez (Barcelona)



