Yes we can?
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Não vem ao caso se o jogo era em casa, se foi difícil, se foi por sorte. O líder Chelsea bateu o vice-líder United, e tem agora uma vantagem de cinco pontos sobre o rival – e sobre o novo vice-líder, o Arsenal. Os Blues são, até aqui, a equipe mais consistente do torneio, enquanto os Devils ainda não deixaram claro o que podem ser em 2009. Com doze rodadas, ninguém é maluco de dizer que a corrida pelo título está encerrada. Estaria, porém, com uma cara muito bem definida não fosse um time em quem poucos acreditavam: o Arsenal.
As previsões dos jornalões britânicos eram sombrias para os Gunners; Seria o quarto para o Times e o Independent, e o quinto, fora, portanto, da Champions League, para o Guardian. Aqui colocamos o time em terceiro, apostando em Arshavin – que, diga-se, muita gente mencionou para xingar o escriba na coluna passada, prova de que ou não entendem ou não lembram do que leram. E apostava que o time seria o londrino mais bem colocado.
As previsões dos jornalões podem muito bem ainda estar acertadas, afinal o que se esperava do Arsenal era um bom começo, e uma queda de rendimento subseqüente. Mesmo os mais céticos, entretanto, admitem que o começo de temporada dos londrinos é impressionante, e que o futebol jogado está entre os mais bonitos da Europa.
Não resta dúvida de que o grupo do Arsenal é mais homogêneo do que o do Chelsea, embora isso, no primeiro momento, não seja uma vantagem. É mais homogêneo simplesmente porque tem mais jogadores bons, e menos excepcionais. Jogadores excepcionais, em geral, fazem a diferença, mas se eles faltam e não há boa cobertura, a equipe sofre.
O Arsenal tem dois jogadores sobre os quais não pode haver dúvida quanto a serem excepcionais: Andrei Arshavin e Cesc Fábregas. E tem outro que já foi considerado potencial craque, mas cujas lesões – e, no começo, a cabecinha – sempre impediram de florescer: Robin van Persie. O resto do elenco é formado por jogadores que todo mundo até queria em seu time, mas dificilmente trocaria por seu maior craque. A começar pelo gol.
É evidente que em Stamford Bridge a situação é outra, como vimos na análise da semana passada. E também não dá para dizer que os reservas do Chelsea são refugos imprestáveis. Apesar disso, é obrigatório reconhecer que há maior distância entre titulares e reservas.
Que o Chelsea estará na briga até o final é previsão universal. Seus rivais londrinos, porém, ainda levantam sobrancelhas. Vale lembrar, no entanto, que as duas derrotas dos Gunners foram em Manchester, para United e City, enquanto os Blues perderam de Wigan e Aston Villa – os dois também fora de casa. O jogo a menos dos comandados de Wenger é no Emirates, o que torna uma vitória provável. E a diferença entre ambos cairia para dois pontos – que o Arsenal perdeu em Upton Park no empate com o West Ham.
O último título inglês do Arsenal veio em 2004, primeiro ano da era Abramovich, A equipe foi substituída pelos azuis como rival maior dos Red Devils na busca pelos títulos. Mas não abriu mão de seu treinador, nem de sua filosofia. Se vencer em 2009/10, a equipe certamente trará um sopro de novidade a um futebol dominado pelo dinheiro misterioso de alguns milionários – inclusive americanos. Não é que estejamos falando de um time pobre, mas claramente falamos de uma equipe que não se estruturou para comprar títulos. O que tem feito falta ao futebol mundial.