Como brasileiros e novo técnico miram o impossível para salvar o Wolverhampton do rebaixamento
Após semanas flertando com uma campanha histórica negativa, o time de Rob Edwards reviveu com vitórias surpreendentes
Até poucos dias atrás, o Wolverhampton de João Gomes e André parecia caminhar para um lugar nada invejável na história da Premier League: o de pior campanha já registrada na competição.
Agora, a pergunta que começou a surgir é outra, improvável, mas fascinante: será que o Wolves ainda pode escapar do rebaixamento? Mesmo que muito difícil, o simples fato de essa possibilidade voltar ao debate já diz muito sobre a semana improvável vivida pela equipe de Rob Edwards.
Como o Wolverhampton conseguiu se reerguer com novo técnico
Em poucos dias, o Wolves derrotou dois adversários de peso no Molineux Stadium: primeiro o rival regional Aston Villa, depois o campeão Liverpool. Resultados que, além de inesperados, tiveram um efeito simbólico importante: o clube ultrapassou os 11 pontos do Derby County de 2007/08, recordista da pior pontuação da história da liga.
Nesses dois jogos, os brasileiros foram destaque. João Gomes marcou contra o Aston Villa e André fez o gol que garantiu a vitória diante do Liverpool. Mas, antes disso, o cenário era de puro desespero. O Wolves passou três meses travado em apenas dois pontos e só conseguiu sua primeira vitória na temporada em 3 de janeiro, diante do West Ham.
De repente, porém, o time que parecia condenado virou uma equipe competitiva e até confiante. Mas, apesar do momento positivo, a matemática continua sendo cruel com o Wolves.

A equipe soma atualmente 16 pontos com oito rodadas restantes e está 12 atrás do Nottingham Forest, que roubou pontos do Mancgester City de Guardiola na rodada, primeiro time fora da zona de rebaixamento. Além disso, os rivais diretos ainda têm jogos a menos na tabela.
A história também joga contra. Desde que a Premier League passou a ter 20 clubes, em 1995/96, nenhuma equipe com 16 pontos ou menos após 30 rodadas conseguiu escapar da queda. Todas terminaram na lanterna.
Segundo os cálculos do supercomputador da Opta, as chances de sobrevivência do Wolves são mínimas:
- 0,3% de probabilidade de terminar em 17º
- 99,7% de chance de rebaixamento
- 65,4% de probabilidade de acabar na última colocação
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Ainda há chance para o Wolves
Mesmo assim, há um pequeno detalhe que alimenta a esperança: se existe um argumento a favor do Wolves, ele está no calendário. De acordo com os cálculos de dificuldade da Opta, o clube possui a tabela mais acessível entre os 20 times da liga no restante da temporada. O duelo contra o Liverpool foi o último contra um integrante do atual G-6.
Agora, o Wolves enfrentará adversários mais próximos na classificação, incluindo confrontos diretos contra Leeds, Tottenham, Burnley e novamente o West Ham. Isso significa que, no mínimo, terá oportunidades de tirar pontos diretamente de concorrentes pela permanência.
Ainda assim, o desafio é gigantesco. Nas últimas sete temporadas completas, a média de pontos necessária para escapar do rebaixamento foi de 31,9 pontos.
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— Wolves (@Wolves) March 5, 2026
Para alcançar algo próximo disso, o Wolves precisaria de cinco vitórias nas oito rodadas restantes, algo que a equipe não conseguiu sequer em muitos meses de competição. Seis vitórias levariam o time a 34 pontos e manteriam o sonho vivo. Sete vitórias transformariam a história em um verdadeiro milagre esportivo.
Um exemplo de que o improvável pode acontecer é o Leicester de 2015. O time comandado por Nigel Pearson venceu sete dos últimos nove jogos daquela temporada para escapar do rebaixamento após passar meses na zona de perigo. Um ano depois, o mesmo clube chocaria o mundo ao conquistar o título da Premier League.
Ainda há uma diferença importante: aquele Leicester tinha 22 pontos na 30ª rodada, seis a mais do que o Wolves possui agora. O que explica por que, apesar do entusiasmo recente, a realidade segue sendo dura.



