What next?

Primeiro de tudo, vamos de números: 1- nenhuma equipe inglesa tem mais títulos que o Manchester United; 2- O Manchester United ganhou 11 de 17 edições da liga desde que ela passou a se chamar Premier League, em 1993; 3- o único clube inglês a ser tricampeão mais de uma vez é o Manchester United. Que foi tri duas vezes, ambas sob Alex Ferguson. Ou seja, Ferguson é mais vezes tricampeão inglês que qualquer time do país. E ganhou estes 11 títulos citados acima, mais do qualquer clube inglês com exceção de Liverpool (18) e Arsenal (13).
Na quarta-feira, dia 27, o United tem a chance de arrebentar os livros de recordes, mas, ainda que isto não aconteça, é inevitável pensar no que mais pode uma equipe de futebol conquistar – sem a ajuda do ditador de plantão, é claro. Tem um elenco forte e variado, e com poucos jogadores em idade de parar – dos importantes, dois, para ser mais exato: Van der Sar e Giggs, além de Gary Neville e Paul Scholes, que não têm mais atuado tanto. A pergunta que se pode fazer a esse time é: qual é o limite? Ou, então: e agora?
Em primeiro lugar, cabe lembrar que a potência do United está sob risco em pelo menos um frente: Cristiano Ronaldo, que quis sair no ano passado mas não deixaram, parece estar cansado das chaminés de Manchester, e há quem diga, inclusive gente séria, que já assinou com o Real Madrid – ou, que, no mínimo, Ferguson está disposto a negociá-lo. O português é o melhor jogador do time, e não há quem possa discordar disso. Além disso, a situação contratual de Carlos Tevez é complicada, e o argentino também pode bater asas.
Não há quem possa substituir um jogador como Ronaldo. Se, entretanto, os Red Devils mantiverem Tevez, é possível pensar em um ataque quase que igualmente perigoso com o argentino, Rooney e Berbatov. É claro que o dinheiro da venda do português será usado para tentar diminuir a perda de criatividade, e pode ser que sua saída não seja tão sentida. Sem Tevez, entretanto, o ataque ficaria sem opções. E o clube teria que gastar.
Como tem que gastar na defesa. Ferdinand e Vidic formaram neste ano uma barreira impenetrável. Seus reservas, entretanto, não têm o mesmo nível, ainda que tenham resolvido o problema na maior parte das vezes em que foram chamados. A ascensão de Rafael na direita ajudou a compensar a perda de Neville, e deixou O’Shea disponível para o meio da zaga. Tanto o irlandês, porém, como Evans – bom, mas jovem – e Wes Brown podem resolver no curto prazo, mas não mantêm o nível. Um reserva de primeira linha para o miolo da zaga é imprescindível.
A gastança, porém, pararia por aí. No gol, Van der Sar deve ter mais um ano, mas Ben Foster, figura de destaque na conquista da League Cup, vem sendo “nutrido” para assumir seu lugar, e parece ter condições de fazê-lo. No meio, a equipe perde Scholes e Giggs um pouco a cada ano, mas vale lembrar que Owen Hargreaves volta no ano que vem. Muito depende, é claro, do desenvolvimento de Anderson, mas, se o brasileiro realmente florescer como se espera em Manchester, o meio continuará fortíssimo.
É de fora dos gramados, entretanto, que vem a grande sombra sobre o futuro do United. E ela se chama dívida. Para comprar o clube, os irmãos Glazer pegaram dinheiro emprestado em diversos lugares e, ao comprá-lo, em uma operação conhecida em inglês como “leveraged buyout”, transferiram para o clube a dívida. Legal, mas imoral, certo? O que interessa é que o Manchester United deve hoje a bancos, fundos e sabe-se lá mais quem, mais de US$ 1 bi.
É claro que a dívida é de longo prazo e, see tudo continuar dando certo em Old Trafford, será paga sem que o time sofra. Uma sucessão de azares, entretanto, pode simplesmente arrebentar o que hoje é o maior clube de futebol do mundo. Não pode ser um bom sinal o fato de que a dívida do clube esta sendo negociada no mercado a 70% do seu valor – ou seja, quem tem US$ 100 para receber está passando o “papagaio” para frente por US$ 70.
Com toda a competência empresarial e esportiva que tem, é inegável que o Manchester United Football Club de hoje é uma potência do capitalismo, gerada por ele e dele dependente. Não pode, portanto, reclamar se o mesmo capitalismo atirá-lo à lona. Se dentro do clube tudo vai bem, é do lado de fora que se dão as transações que podem acabar com a brincadeira. E, por mais que meia dúzia de torcedores tenha alertado no começo da história, não há muito que se possa fazer. A não ser torcer. E comemorar enquanto os tempos são róseos.
Pitacos um pouco mais abaixo na tabela…
O West Brom perdeu do Liverpool em casa, e é o primeiro time a cair para o Championship. Os Baggies, que tinham subido na temporada passada, tinham deixado claro que não fariam loucuras financeiras para ficar na elite. E não fizeram. Mas também não ficaram.
A equipe subiu com relativa tranqüilidade em 2008/9, e, desde 2002, quando subiu pela primeira vez desde 1986, sempre esteve entre os últimos da Premier League ou entre os primeiros do Championship. Ou seja: é favorito para voltar no ano que vem.
O Newcastle, que parecia ter começado a se livrar da degola com a vitória sobre o Boro, perdeu do Fulham em casa, e foi ultrapassado pelo Hull, que empatou fora com o Bolton. Os Magpies podem até não cair, mas estão fazendo um baita esforço para isso.
Na última rodada, o Hull (35 pontos) recebe o United, o Newcastle (34) vai a Birmingham jogar com o Aston Villa, o Boro (32)pega o West Ham em Londres e o Sunderland recebe o Chelsea.O Newcastle pode escapar com um empate caso o Hull perca. Vale lembrar que o United deve escalar poucos titulares, e que, embora não vá querer perder o último jogo, dificilmente vai encontrar motivação para ele.
O Villa também não quer mais nada com nada, assim como o West Ham, mas o Chelsea ainda briga (muito teoricamente) pelo segundo lugar. Quem cai? O Hull. Mas é injusto.
Na briga pela Liga Europa, a última vaga tem “Fulh” escrito nela. Os Cottagers conseguiram uma vitória excepcional sobre o Newcastle na casa do adversário, e agora recebem o Everton na última rodada para sacramentar a vaga.
Um empate deve bastar, a não ser que o Tottenham ganhe do Liverpool em Liverpool por 5 gols. Pois é. Um empate basta. Os Spurs só se classificam de vencerem e o Fulham perder. Contra o Manchester City, aliás, o Tottenham viveu seu momento Palmeiras. A equipe fez 1 a 0 e achou que era isso, se fechando na defesa. E, claro, acabou levando o empate. No final, 2 a 1, com um gol de pênalti de Robbie Keane.
Para não dizerem que eu não falei antes: quem elogia o trabalho de Redknapp evidentemente não sabe do que está falando. O treinador não tem a menor condição de levar os Spurs ao próximo nível. É técnico da velhíssima guarda, o que pode servir para times pequenos ou para quem precisa não cair.



