Wenger perdeu o controle e outra vez caiu para Mourinho

José Mourinho e Arsène Wenger sustentam uma das maiores rivalidades da Premier League. A rixa entre os treinadores é maior até que a própria entre Chelsea e Arsenal. Diz muito sobre os primeiros confrontos entre eles, quando Roman Abramovich começava a despejar seus milhões nos Blues e os Gunners contavam com os Invincibles. Muita coisa mudou desde aqueles duelos iniciais. Mesmo assim, os ânimos entre o português e o francês continuam acirrados. Para mais um capítulo dessa história ser escrito neste domingo, outra vez com festa de Mourinho, na vitória do Chelsea por 2 a 0 em Stamford Bridge.
O clássico de Londres não foi tão bom quanto a qualidade dos times pode indicar. Jogo bastante amarrado, em que funcionou o talento individual de Eden Hazard, a qualidade dos Blues em deixar a partida a seu prazer e a parceria entre Diego Costa e Cesc Fàbregas – no reencontro com o clube no qual se lançou. Talvez a pegada em campo fosse um reflexo das tensões à beira dele. Na discussão por um lance fortuito, Wenger e Mourinho quase saíram no braço. O técnico dos Gunners empurrou o adversário, que preferiu não continuar a briga. Perdeu o controle, assim como perdeu mais um jogo para o português.
Em 12 confrontos diante do Arsenal de Wenger, o Chelsea de Mourinho segue invicto. São 12 vitórias do Special One e cinco empates. Desta vez, nada tão humilhante quanto os 6 a 0 no jogo 1000 do francês. Mesmo assim, a superioridade do português em fazer o jogo correr conforme os seus planos ficou evidente. Os Blues mandaram na partida, mesmo quando os Gunners mais queriam jogo. A obediência tática da equipe foi fundamental para isso.
O primeiro tempo não contou com muitas chances de gol, mas sobraram lances duros. E o Chelsea tomou um susto logo de início. Thibaut Courtois sofreu um choque na cabeça e precisou deixar o campo, substituído por Petr Cech. No equilíbrio que se seguia o dérbi, pesou na balança a individualidade de Hazard. O camisa 10 passou no meio de dois até ser derrubado na área por Koscielny. Pênalti, que ele mesmo converteu. Garantiu a vantagem para os Blues em um primeiro tempo no qual foram ligeiramente superiores.
Somente na segunda etapa é que o Arsenal começou a partir para cima. A chave para fazer o jogo que Mourinho tanto gosta. Afinal, uma das grandes virtudes do Chelsea é a sua solidez defensiva. E os espaços foram mínimos para os Gunners, que mal conseguiam invadir a área e ficavam limitados aos chutes de longe, sem ameaçar Cech. Tanto que a melhor chance da equipe visitante foi apenas em um pênalti não marcado pela arbitragem. Dedicação imensa principalmente dos meio-campistas, em especial Oscar e Nemanja Matic na proteção.
Embora fechado na defesa, o Chelsea seguia com as melhores chances de gol. Se o contra-ataque é outra grande qualidade dos Blues, ele acabou definindo o placar. Depois de duas boas oportunidades perdidas, os dois principais reforços do clube para esta temporada decidiram. Diego Costa chegou a seu nono gol na Premier League e Fàbregas, a sua sétima assistência, a quarta para o camisa 19. O meio-campista descolou um lançamento sensacional para o atacante, que definiu com maestria. Ampliaram ainda mais as fases espetaculares que vivem em Stamford Bridge.
Foi o golpe fatal. O Arsenal até tentou reencontrar os rumos nos 15 minutos finais, mas não conseguiu fazer nada. Imperou outra vez o problema de Wenger, com extremas dificuldades para vencer os confrontos diretos nas últimas temporadas. E também a capacidade de Mourinho em fazer o seu time jogar ainda mais nestas partidas decisivas. Não à toa, o Special One perdeu apenas três de 33 partidas contra Arsenal, Liverpool, Manchester United e Manchester City pela Premier League.
Por mais uma rodada, o Chelsea reitera sua condição como favorito no Campeonato Inglês. Ao derrubar a invencibilidade dos Gunners, os Blues seguem como os únicos que ainda não perderam na competição. São seis vitórias em sete rodadas e já cinco pontos à frente do Manchester City, segundo colocado. O Arsenal, por sua vez, cai para o sétimo lugar, com apenas uma vitória nos últimos cinco jogos. E Mourinho tem ainda mais argumentos para contar vantagem sobre Wenger.
Formações iniciais
Destaque do jogo
Eden Hazard. As jogadas individuais do camisa 10 foram o principal respiro do Chelsea quando o jogo estava mais parelho. As arrancadas pelo lado esquerdo abriram rombos na defesa do Arsenal e possibilitaram a jogada do primeiro gol. No segundo tempo, também levou perigo em um cruzamento que Flamini quase mandou contra as próprias redes.
Momento chave
O pênalti para o Arsenal que o árbitro não marcou no segundo tempo. Quando o Chelsea vencia por 1 a 0, Wilshere arriscou de fora da área e Fàbregas bloqueou a bola com o braço dentro da área. Pênalti que o árbitro Martin Atkinson não anotou e que poderia garantir o empate aos Gunners. No geral, a arbitragem foi mal, frouxa também nos lances disciplinares.
Os gols
27’/1T – GOL DO CHELSEA! Excelente jogada individual de Hazard, que saiu fazendo pela faixa central do campo. Só foi parado na falta por Koscielny, em um pênalti claríssimo do zagueiro. O próprio camisa 10 foi para a cobrança e só deslocou Szczesny.
33’/2T – GOL DO CHELSEA! Apesar da pressão do Arsenal, os Blues tinham as melhores chances nos contra-ataques. E foi assim que nasceu o segundo gol. Fàbregas descolou um lançamento sensacional do meio-campo para Diego Costa. O sergipano dominou entre os zagueiros e tocou por cobertura, na saída de Szczesny.
Curiosidade
Desde que estreou na Premier League, Koscielny cometeu mais pênaltis do que qualquer outro jogador da competição. A falta sobre Hazard foi a sétima (via @OptaJoe)
Ficha técnica
Chelsea 2×0 Arsenal
Estádio: Stamford Bridge, em Londres
Árbitro: Martin Atkinson
Gols: Eden Hazard, aos 27’/1T; Diego Costa, 33’/2T
Cartões amarelos: Ivanovic, Oscar, Schürrle e Cahill (Chelsea); Chambers, Welbeck e Koscielny (Arsenal)
Cartões vermelhos: Nenhum
Chelsea
Thibaut Courtois (Petr Cech, 24’/1T), Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e César Azpilicueta; Nemanja Matic e Cesc Fàbregas; André Schürrle (Obi Mikel, 24’/2T), Oscar (Willian, 42’/2T) e Eden Hazard; Diego Costa. Técnico: José Mourinho.
Arsenal
Wojciech Szczesny, Calum Chambers, Per Mertesacker, Laurent Koscielny e Kieran Gibbs; Mathieu Flamini; Mesut Özil, Jack Wilshere (Tomas Rosicky, 38’/2T), Santi Cazorla (Alex Oxlade-Chamberlain, 24’/2T) e Alexis Sánchez (Lukas Podolski, 34’/2T); Danny Welbeck. Técnico: Arsène Wenger.




