Verdades à mostra na Premier League

Um Chelsea mentalmente forte e determinado a vencer em Stamford Bridge, um Manchester United assustador e dominante no Teatro dos Sonhos. O domingo de Páscoa da Premier League teve efeito esclarecedor para as últimas sete rodadas. Jogos naturalmente empolgantes e que provaram o excelente momento do futebol inglês como um todo.
A lição mais clara é de que o Manchester United, se mantiver o nível, ratificará o bicampeonato inglês. Os homens de Alex Ferguson atingiram o momento mais sólido da temporada, justamente, em março. Sem outros jogadores lesionados, o treinador tem feito variações táticas e poupado titulares quando é possível. Aliás, o mercado dos Red Devils vai se mostrando irretocável, com exceção dos problemas gerados pelas contusões de Gary Neville e Silvestre.
Tevez, Hargreaves, Anderson e Nani vêm mostrando que a fortuna investida no mercado de verão trouxe muito mais conforto para Ferguson. Fatalmente, seus jogadores não chegarão tão estafados às últimas rodadas da temporada e isso vem se mostrando muito claro. Ryan Giggs e Paul Scholes, claramente, começam a ter substitutos planejados para os próximos anos.
Tudo isso sobrou quando United e Liverpool pisaram na tarde de domingo no gramado de Old Trafford. Mesmo ao longo da primeira etapa, antes da expulsão tola de Mascherano, os Red Devils jogaram com autoridade física, tática e mental, impondo aos Reds uma condição passiva dentro de campo. Atuações inspiradas de Anderson, Scholes, Ronaldo e Rooney personificavam a tendência da partida.
Na segunda etapa, a fragilidade do Liverpool de Rafa Benítez foi constrangedora. Tivesse mandado Nani e Tevez mais cedo para o jogo, o estrago do Manchester United seria ainda maior. Os Reds, mesmo derrotados com contundência, ainda parecem bem mais credenciados para vencer o duelo caseiro com o Everton e manter a quarta posição.
O crescimento dos Blues
No segundo grande jogo do dia, Arsenal e Chelsea decidiam, particularmente, quem manteria a caçada ao líder Manchester United. O equilíbrio no jogo foi marcante, mas acabou pesando a maior cancha, experiência e elenco dos Blues. A razoável distância de cinco pontos pode ser diluída com uma eventual vitória em Stamford Bridge, na antepenúltima rodada, sobre o United.
Joe Cole, Essien e especialmente Drogba, pelos gols e pela personalidade, ofuscaram os meias Lampard e Ballack. Poder contar com um elenco assim faz ainda mais diferença na reta aguda da temporada. Avram Grant tem se dado ao luxo de não relacionar Shevchenko, por exemplo. Por sua vez, Wenger precisa utilizar Robin van Persie nitidamente sem condições físicas.
As trajetórias distintas de Arsenal e Chelsea, aliás, ficaram evidentes no duelo. Foi o sexto jogo sem vitória dos Gunners, sentindo o peso de uma temporada desgastante e prejudicada por lesões, especialmente de Rosicky e Eduardo da Silva. Adebayor voltou a passar em branco e Fàbregas não pôde decidir. O negócio para Wenger é, indiscutivelmente, focar a Liga dos Campeões e o duelo com o Liverpool.
Tempo otimizado
Acostumado a passar por muita pressão ao longo das últimas temporadas, o Tottenham tem experimentado um momento diferente desde que Woodgate decretou o surpreendente e providencial título da Copa da Liga Inglesa. Leves, os Spurs têm conseguido bons resultados e podem utilizar as últimas semanas da temporada para iniciar 2008/09 com força total para buscar objetivos ambiciosos.
Até mesmo a eliminação na Copa da Uefa, por mais que tenha sido decepcionante, não provocou grandes traumas no ambiente do Tottenham. Sete dias depois, os Spurs faziam um jogo trepidante contra o Chelsea e o empate em 4-4, o segundo em Lane na temporada, trouxe mais moral para a equipe de Juande Ramos. No último domingo, uma boa jornada do reserva Darren Bent garantiu mais três pontos sobre o Portsmouth, sexto colocado.
O grande desafio que aparece no horizonte de Juande Ramos é justamente aproveitar essa circunstância. O espanhol, bastante valorizado pela sensível melhora de produção dos Spurs, tem calendário disponível para aproveitar o tempo perdido por chegar em White Hart Lane após as primeiras semanas da temporada. E ele, evidentemente, tem qualidade para aproveitar isso. Trocando em miúdos, o Tottenham tem tudo para começar a próxima temporada voando.
Primeiro porque o clube, naturalmente, tem certo apreço por grandes investimentos. E ter Juande Ramos com moral, por sua vez, só induz que vá com agressividade para o mercado. Outro ponto importante é que a temporada acabará cedo e o elenco dos Spurs, por sua vez, tem sido bastante rodado. Iniciar a temporada com uma performance física forte se mostrou, em 2007/08, algo determinante. Os resultados de Arsenal e Manchester City, nesse estágio, provam isso.



