Valor recorde
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O valor impressiona. Nesta janela de inverno do mercado de transferências na Inglaterra, foram gastos € 255.104.088 em contratações. Recorde absoluto para o período, refletido em amplo domínio dos clubes ingleses na lista das maiores transferências. Ampliando um pouco, os clubes ingleses foram protagonistas de 15 das 25 maiores negociações da temporada 2010/11, sendo compradores em 13 oportunidades.
Todos esses números geraram discussões sobre os valores pagos por alguns jogadores e comparações com outros mercados. Questionamentos sobre os € 58 milhões pagos pelo Chelsea ao Liverpool por Fernando Torres e os € 41 milhões dos Reds ao Newcastle por Andy Carroll foram os mais comuns.
O debate, no entanto, não é tão simples como parece ser. Quando um clube contrata um jogador, ele precisa analisar todas as circunstâncias e probabilidades de retorno do atleta ao clube. Além disso, obviamente, sempre há o risco, como em qualquer negócio.
Torres tem eficiência comprovada na Premier League. Vem de uma temporada ruim pelo Liverpool, mas já brilhou demais pelo time de Anfield Road. Nesse caso, há uma certeza que não haverá qualquer problema quanto à adaptação, por exemplo. Mesmo caso de Carroll, jovem promessa do futebol inglês que, por outro lado, ainda precisa comprovar seu talento em um grande clube inglês.
Esse dinheiro gasto neles seria suficiente para trazer muitos outros ótimos atacantes do futebol mundial. Só que aí o risco de a transferência não render o esperado, principalmente a curto prazo, é bem maior. Neymar, por exemplo. Considerando apenas o talento, o jogador brasileiro é melhor do que os dois. Porém, dará certo na Premier League? Dá para cravar isso? Não, por isso o negócio se torna mais arriscado no lado financeiro e técnico também.
Vide o caso do Manchester City, que torrou sua grana nos atacantes Edin Dzeko, bósnio do Wolgfsburg, e no italiano Mario Balotelli. O retorno de Torres é muito mais garantido do que o dos dois. No caso de Carroll há que se esperar para ver.
Toda essa situação gera absurdos bem maiores do que os que as pessoas querem criar com os dois jogadores citados. Darren Bent, do Sunderland para o Aston Villa, por exemplo, por € 21 milhões é uma agressão ao bom senso. E outra só não aconteceu porque a loucura no caso foi do vendedor, já que o Wigan recusou cerca de € 14,5 milhões do Newcastle por Charles N'Zogbia. Detalhe: em 2009, ele trocou justamente os Magpies pelos Latics por € 7 milhões.
Esse, certamente, é o pensamento dos dirigentes ingleses e a explicação para os valores astronômicos despendidos. Pode não ser uma justificativa para muita gente, mas é o que acontece.
Fora isso, o mercado inglês é o mais rico do futebol mundial. Sendo assim, as transações entre eles naturalmente saem mais cara do que entre clubes italianos, espanhóis ou alemães, por exemplo. É o custo de se viver em um lugar mais caro. O aluguel de São Paulo, por exemplo, é muito maior do que o de Florianópolis, por exemplo.
Por isso, também, os estrangeiros não se preocupam em pagar a mesma quantia pelos talentos brasileiros. Basta lembrar que o meia Giuliano, eleito melhor jogador da última Libertadores da América, foi para o Dnipro Dnipropetrovsk, da Ucrânia, por € 10 milhões. Uma pechincha para qualquer clube inglês. E mesmo entre mercados europeus: Luis Suárez foi bem mais barato ao Liverpool do que Carroll.
Em um breve futuro, no entanto, tudo isso pode mudar. Bastará a Michel Platini, presidente da Uefa, colocar em prática sua ideia de fair play financeiro. Aí, os clubes só poderão gastar quantias dentro de seu orçamento. Até lá, mais “absurdos” acontecerão.