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United venceu Southampton na precisão de RVP e na salvação de De Gea, mas falta para convencer

O Manchester United conta com alguns dos melhores jogadores do futebol europeu, isso é fato. Só não dá para dizer que o elenco dos Red Devils é equilibrado. Enquanto as estrelas sobram no ataque, a defesa sofre. Não apenas pela falta de nomes mais qualificados, como também pela própria fase de alguns deles. Ainda assim, a equipe de Louis van Gaal vai conseguindo engrenar na Premier League. Nesta segunda, a vitória por 2 a 1 sobre o Southampton no Estádio St. Mary’s levou o United à terceira colocação. Um resultado conquistado muito pela sintonia de Van Persie e Rooney no ataque, mas também pela fase excepcional vivida por De Gea. Outra vez, o goleiro se sobressaiu.

As fragilidades do Manchester United ficaram evidentes do gol de Graziano Pellè, que empatou o placar para o Southampton. A sucessão de trapalhadas contou com passes errados, bolas mal afastadas pela defesa e brechas enormes aos jogadores adversários. Indica um time que está longe de seu ajuste mais fino, com Van Gaal ainda precisando lidar com problemas de lesão. Entretanto, a falta de qualidade técnica de alguns jogadores também é evidente. O cobertor parece curto: a sobra de talentos na frente não foi compensada da mesma maneira atrás. A não ser por De Gea.

A atuação em St. Mary’s não foi a mais espetacular do goleiro nesta temporada. Mas foi boa o suficiente para que impedisse o tropeço, sobretudo no segundo tempo, quando o Soton pressionou bastante e foi claramente superior. A elasticidade e o tempo de reação do goleiro são trunfos para evitar o pior nas seguidas falhas defensivas. Ao lado de Thibaut Courtois, surge como favorito entre os melhores goleiros da Premier League. As desconfianças que já existiram sobre a capacidade do jovem goleiro em substituir o mito Edwin van der Sar.

Não dá para dizer, também, que ofensivamente poucos foram os méritos do United na noite. Van Persie é quem merece os créditos, pelo poder de fogo nas conclusões ao marcar os dois gols, enquanto Rooney participou diretamente da criação das duas jogadas. Porém, a bola pessimamente recuada por José Fonte no primeiro tento foi decisiva, assim como a forma como a defesa alvirrubra parou no segundo. Sem Ángel Di María, a produção ofensiva foi risível. Tanto que os Red Devils deram apenas três chutes durante os 90 minutos, todos de Van Persie, contra 15 do Southampton – oito deles de Pellè. Não à toa, os visitantes não tiveram pudores em estacionar o ônibus em sua área nos minutos finais.

No fim das contas, os três pontos se somam à campanha do Manchester United e impulsionam o time a diminuir a diferença para os dois primeiros colocados, oito pontos atrás do Chelsea e a cinco do Manchester City. Distância razoável para quem tem time (e dinheiro) para conquistar o título, mas ainda assim reversível. Com cinco vitórias consecutivas, os Red Devils pegam embalo para o segundo turno e, principalmente, para a maratona de fim de ano. Ganhando cada vez mais consistência coletiva, dá até para sonhar. Isso, é claro, se De Gea continuar compensando tantos erros defensivos dos companheiros.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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