‘Não merecíamos mais’: Unai Emery contesta arbitragem, mas faz mea culpa e admite falhas do Villa
Com apenas um ponto em quatro rodadas, Aston Villa ocupa 19ª posição e ainda busca reação na Premier League
O Aston Villa deixou o Villa Park neste sábado (12) com mais uma derrota na Premier League. O revés por 2 a 1 para o Nottingham Forest, pela quarta rodada, manteve a equipe de Unai Emery na 19ª colocação, com apenas um ponto conquistado.
Em quatro partidas, são três derrotas e um empate, cenário que contrasta com a vitória por 3 a 2 sobre o Club Brugge na estreia da Champions League, até aqui o único triunfo do time na temporada.
Depois do jogo, Emery questionou a decisão da arbitragem no lance que tirou Ian Maatsen de campo aos 81 minutos. James McAtee recebeu apenas cartão amarelo pela entrada por trás no lateral-esquerdo, que não conseguiu continuar em campo.
Como o treinador espanhol já havia utilizado todas as cinco substituições, o Villa precisou terminar a partida com dez jogadores. Sete minutos depois, Igor Jesus marcou o gol da vitória do Forest justamente pelo setor que ficou desguarnecido após a saída do neerlandês. Para Emery, o lance deveria ter resultado em expulsão de McAtee e em uma revisão do árbitro principal após intervenção do VAR.
— Terminamos com Ian Maatsen lesionado e com 10 jogadores, e concedemos muitas chances nos minutos finais. Eles marcaram o segundo gol e mereceram. Mas depois de ver o lance na TV, acho que o árbitro do VAR deveria ter chamado o árbitro principal, porque foi uma falta clara, por trás do Maatsen, e para mim deveria ser cartão vermelho.
A avaliação de Emery, no entanto, não parou na arbitragem. Mesmo entendendo que a expulsão poderia ter alterado o cenário dos minutos finais, o treinador reconheceu que o Aston Villa perdeu força depois do intervalo e não conseguiu sustentar o nível apresentado na primeira etapa. A própria sequência do jogo reforçou essa leitura: após sofrer o empate, o Forest passou a encontrar mais espaços e criou as principais oportunidades até chegar ao segundo gol.
Emery cobra decisão, mas assume responsabilidade pelo desempenho
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Unai Emery também fez questão de diferenciar a situação deste sábado daquela vivida diante do Brighton. Na ocasião, o Villa terminou com dez jogadores após João Gomes receber dois cartões amarelos, e Emery afirmou que o clube aceitou a decisão da arbitragem — sua equipe já era goleada por 4 a 0 naquela altura. Contra o Forest, porém, ele considerou que a natureza do lance envolvendo McAtee justificava uma intervenção do VAR.
— Claro que eles (o Forest) mereceram. Pela forma como jogaram no segundo tempo, mereceram a vitória. Mas a decisão do árbitro, do árbitro do VAR, deveria ter sido diferente. Terminamos o jogo contra o Brighton com dez jogadores por causa dos dois cartões amarelos para o João Gomes, e aceitamos a decisão.
— Mas hoje, depois da lesão de Maatsen, terminamos com 10 jogadores. O adversário deu um carrinho e lesionou o jogador. Claro que ele (McAtee) não queria lesionar o nosso jogador, mas se pudéssemos ver na TV, seria necessário o VAR para intervir.
A preocupação com Maatsen acrescenta outro problema ao momento do Aston Villa. Emery indicou que a lesão no tornozelo pode afastar o neerlandês por um período considerável, aumentando o impacto de uma partida na qual o Villa já havia perdido Pau Torres antes do intervalo por causa de uma lesão na coxa.
Ainda assim, Emery não tentou colocar a derrota exclusivamente na conta da arbitragem. Ao contrário, reconheceu que o desempenho do próprio time foi determinante para que o Forest conseguisse vencer a partida.
— Deveria ter sido cartão vermelho, e talvez terminar com 10 contra 10, talvez o jogo tivesse sido diferente, mas isso não justifica a forma como jogamos no segundo tempo. Também jogamos mal, e isso é culpa nossa e nossa responsabilidade, ou melhor, minha responsabilidade.
— Como jogamos hoje, não merecíamos mais. A consequência de como começamos o segundo tempo foi que eles marcaram. Depois do gol, eles criaram mais chances, e nós não conseguimos controlar como no primeiro tempo. Não sei por quê. Quero rever o jogo e entender por que perdemos.
Reformulação do elenco aumenta pressão sobre Emery
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A dificuldade para encontrar respostas em campo aparece justamente em um momento de profunda transformação no elenco. O Aston Villa mudou bastante durante a janela de transferências, incorporando nomes como Johan Manzambi, Nicolas Jackson, João Gomes, Zion Suzuki, Matteo Ruggeri, Leon Goretzka, Alejandro Garnacho e Aaron Wan-Bissaka.
Ao mesmo tempo, o clube de Birmingham perdeu jogadores importantes da estrutura que terminou a temporada anterior. Morgan Rogers foi para o Chelsea, Ezri Konsa se transferiu para o Arsenal, Youri Tielemans rumou para o Manchester United e Donyell Malen deixou Birmingham para defender a Roma. Enzo Barrenchea seguiu para o Benfica, enquanto Lucas Digne foi contratado pelo PSG.
Uma reformulação dessa dimensão naturalmente altera relações dentro do campo. Jogadores precisam assimilar movimentos, entender as características dos novos companheiros e reconstruir mecanismos que antes estavam automatizados. O problema para Emery é que o Aston Villa não tem conseguido transformar esse processo de adaptação em resultados na Premier League.
O empate com o Hull City e as derrotas para Brighton, Arsenal e agora Nottingham Forest deixaram a equipe com somente um ponto após quatro rodadas. A vitória contra o Club Brugge mostra que existe uma resposta possível, mas também evidencia que o time ainda não conseguiu reproduzir esse rendimento de maneira consistente.