Inglaterra

Uma solução e um problema

 A derrota do Chelsea diante do Wigan, além de ser inesperada, acabou embolando de vez a tabela da Premier League. A equipe de Carlo Ancelotti perdeu o jogo para o Wigan, e a liderança para o Manchester United. Os ponteiros, assim como o Manchester City, que tem duas partidas a menos, perderam apenas uma. Liverpool, Arsenal e Tottenham perderam duas, assim como o Aston Villa.

Tanto Man City, como Tottenham, Liverpool e Arsenal podem dizer, pelo menos, que só perderam para times que estão entre os seis. O que não ocorre com os líderes, que perderam de Burnley e Wigan, respectivamente. O Chelsea, ainda, só obteve uma vitória contra equipe bem posicionada, contra os Spurs em Stamford Bridge, e com a ajuda da arbitragem. Já o United venceu o rival City, o próprio Tottenham em White Hart Lane, e o Arsenal.

Exercícios, é verdade, que ainda não permitem nenhuma análise mais taxativa do que as da pré-temporada. O Tottenham que parecia ter embicado para baixo depois de duas vitórias seguidas ensacou o Burnley, 5 a 0 com inacreditáveis quatro gols de Robbie Keane – o último jogador a fazer quatro gols em um jogo pelo time tinha sido Jurgen Klinsmann em 1998. O Aston Villa, por outro lado, que depois de perder na estréia ganhou as cinco partidas seguintes, perdeu para o fraco Blackburn. E quem acabou surpreendendo na rodada foi o Sunderland, que goleou os Wolves e assumiu a oitava posição.

O que importa, entretanto, é que o líder é o de sempre. Perdeu um jogo bobo, mas venceu três complicados. E, por hora, parece ter achado um substituto à altura de Cristiano Ronaldo. O problema desta solução, porém, é que a chegada do jogador em questão precedeu a de CR nos Devils em nada menos que dezoito anos. Em 1985, quando Ryan Giggs se integrou às categorias de base do United, Cristiano Ronaldo nasceu.

É evidente, portanto, no que pode esbarrar a reação do United, e seu ataque ao título. Nas últimas rodadas, foi Giggs que salvou a equipe, que parece não ter alma, coração ou cérebro quando depende de Nani, Valencia ou Anderson. Dos quinze gols marcados pela equipe na liga, seis foram de Rooney, e Owen e Berbatov marcaram apenas duas vezes cada um, mesmo número de Fletcher.

Pois bem: Wayne Rooney vem de temporada excelente, e pode continuar fornecendo seus gols. Owen não vai mudar a história da Inglaterra, mas para ser utilizado como Ferguson utilizava Tevez, pode ser até mais efetivo – desde que se mantenha livre de contusões. O problema é que Giggs tem 35 anos, e não vai conseguir manter o nível durante a temporada toda, muito menos ser utilizado em todos os jogos.

O respiro para o United pode vir do fato de que os rivais imediatos têm problemas semelhantes. O Chelsea tem um elenco envelhecido, e suas estrelas temperamentais continuam mandando no time. O Liverpool sofreu muito mais do que deveria a saída de Xabi Alonso.

Até por isso, a grande incógnita da temporada parece ser o que poderá fazer o Manchester City. Em sua única derrota até aqui, no clássico de Manchester, os Citizens estavam desfalcados de todos seus atacantes razoáveis menos Bellamy, e ainda assim quase empataram o jogo. Além disso, é bom lembrar que os azuis não disputam nenhuma competição européia. Assim como o Tottenham.

Há tempos não se via um início de temporada tão variado na Premier League. A conferir se isto durará muito mais.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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