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Um Tottenham x Arsenal que não deixou a desejar em nada: nem em emoção, nem em futebol

O clássico do norte de Londres oferecia recompensas palpáveis e simbólicas. Consolidaria o Tottenham como principal perseguidor do líder ou manteria o Arsenal na corrida de três cavalos. Também mostraria qual dos dois times aparece mais forte para a reta final do campeonato, as últimas nove rodadas. O empate por 2 a 2 acabou sendo bom apenas para o Leicester, mas a postura dos jogadores de ambos os lados e a intensidade de um grande dérbi deixaram claro por que os dois times estão na briga pelo título.

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Nada ficou faltando do que se esperava de um clássico desse tamanho, considerado por muitos o Tottenham x Arsenal mais importante da Premier League. O Arsenal saiu na frente, apesar de o Tottenham ter feito um primeiro tempo melhor em White Hart Lane, mas sucumbiu à pressão dos donos da casa quando teve Coquelin expulso, no começo da etapa final. Os Spurs viraram em questão de minutos, e com o jogo na mão, surgiu Alexis Sánchez, o craque dos Gooners, para encerrar o seu jejum pessoal e igualar o placar. No recheio disso tudo, grandes defesas dos goleiros e lances incríveis.

As críticas começaram a se acumular sobre os ombros de Arsène Wenger depois da derrota para o Swansea, no meio de semana, em casa. Como pouco pouco azar é bobagem, Petr Cech machucou-se, e o torcedor do Arsenal se lembrou daquelas épocas obscuras em que não podia confiar no seu goleiro. Mas Ospina correspondeu à altura. Aos 26 minutos do primeiro tempo, Lamela desviou um cruzamento de Walker, à queima-roupa, e o colombiano executou uma intervenção de primeira classe. Não seria a única dele na partida.

Apesar de se impor em campo como mandante e vice-líder, o Tottenham saiu atrás no placar em uma jogada que representou as principais qualidades do Arsenal: toque de bola, de pé em pé, construindo a jogada. Welbeck, da ponta esquerda da grande área, virou para Bellerín tocar de primeira para Ramsey, que completou de calcanhar, elevando a bola para longe do alcance de Lloris. Um golaço com todas as letras.

 

Como nas últimas duas rodadas, o Tottenham encontrou-se na situação de estar atrás do placar. Conseguiu a virada contra o Swansea. Perdeu do West Ham. Mas tudo ficou mais fácil aos 10 minutos do segundo tempo, quando Coquelin foi expulso por uma falta boba, na lateral do campo. A pressão começou imediatamente. Harry Kane finalizou, em outro lance à queima-roupa, da entrada da pequena área, e Ospina aparou a bola um centímetro em cima da linha. Apenas a tecnologia da linha do gol para confirmar que ela não havia entrado.

linha do golOs três minutos foram suficientes para o Tottenham alcançar a virada. Alderweireld aproveitou a sobra de uma cobrança de escanteio e empatou o placar. Uma bobeada feia do Arsenal. A expulsão não justifica falha defensiva em jogada de bola parada. Estavam todos dentro da área. O segundo gol também teve pouco a ver com a matemática. Muito mais com o esforço de Delle Ali para manter a bola em campo, em disputa com Mertesacker, e à qualidade incrível de Harry Kane. Pela esquerda da grande área, desferiu um chute cheio de curva para vencer Ospina.

 

Com um a menos e a moral abalada pela virada relâmpago, poucos acreditavam em uma reação do Arsenal. Mas enquanto houver Alexis Sánchez, haverá esperança. O atacante chileno não marcava um gol pela Premier League desde a nona rodada, em outubro. Foram 19 jogos de jejum (não disputou oito deles, por lesão), mas após nova assistência de Bellerín, Sánchez emendou um chute cruzado no canto de Lloris para empatar, no momento em que tudo parecia perdido.

A partida continuou quente, com alguns lances incríveis. Eriksen pegou um chute de primeira da entrada da área, cheio de curva, que Ospina precisou espalmar para escanteio. Lloris, por sua vez, impediu que a bola entrasse em uma cobrança de falta de Sánchez. Gabriel Paulista errou o corte e quase marcou um bizarríssimo gol contra. Nos últimos minutos, Ramsey entrou livre na área, mas demorou um milésimo de segundo para chutar e Wimmer fez o corte na hora certa.

Dentro das suas possibilidades no contexto da partida, Arsenal e Tottenham mostraram as credenciais que os permitem estar na briga pelo título. Mostraram bom futebol e vontade de vencer, apesar das diversidades. O resultado que não ficou muito bom para ninguém, exceto o Leicester, que pode abrir cinco pontos para o segundo colocado e oito para o terceiro se vencer o Watford, ainda neste sábado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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