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Um novo favorito vindo de Eastlands

“O pior dia de todos os tempos”, definiu Alex Ferguson. Se não foi, certamente foi um dos piores. O Manchester United continua sendo vice-líder, seu elenco continua tendo imensa qualidade, seu técnico ainda é um dos maiores da história. Mas o título deste ano já tem endereço, e é no vizinho que ele morará. Falando ainda do lado perdedor, não fosse a improvável derrota do Chelsea para o QPR e o United estaria agora em terceiro lugar. Posição em que poderá se encontrar no final da temporada.

Como dizíamos há duas ou três semanas, uma hora o encanto tinha que acabar. E acabou em um dia em que eram poucos os remendos. Fica claro, porém, que se o ataque vermelho continua forte, a defesa dá numerosos sinais de que merece cuidados. A começar por Jonny Evans, cuja expulsão decretou a catástrofe, e cujo futebol nunca foi o que se esperava que pudesse ser. A continuar por Rio Ferdinand, que não é mais Rio Ferdinand há tempos, e começa a comprometer. E terminando com a ausência de um lateral-direito de ofício, e de volantes que mereçam este nome.

Dois parágrafos, porém, é o que merece o United nesta semana, porque se o United perdeu, e perdeu, o City venceu, e venceu com imensa autoridade. Suficiente autoridade para que todos os que duvidamos de que pudesse chegar ao título não tenhamos mais nenhuma dúvida de que, salvo uma improvável catástrofe, é no City of Manchester que dormirá o troféu no final desta temporada. A superioridade demonstrada diante do maior rival pode até ter sido resultado de circunstâncias específicas, mas são as características, dos azuis e dos rivais, que se repetem, que induzem a conclusão.

Para começar, o City é um time muito diferente do que começou – e também do que terminou – o campeonato passado. Em 2010, o que víamos em campo era uma equipe sempre cautelosa, quase nunca ousada e que, por isso, perdia pontos importantes. Havia ali um Tevez que resolvia, mas que nem sempre resolvia, e que jogava para si – dentro e fora de campo. E havia um David Silva, mas não havia ainda O David Silva.

E não deve haver dúvida de que Silva é o cara nesse momento em Manchester e na Inglaterra. De jovem talento propenso a atuar pelos lados do campo, o ex-jogador do Valencia se transformou em um meia completo, um distribuidor de jogo e um decisor de jogadas. Não à toa, foi titular da campeã mundial à frente, por exemplo, de Cesc Fábregas. Se na temporada passada já tínhamos mostras de que o canário (sim, ele nasceu nas ilhas canárias) era especial, nesta ele está perfeitamente aclimatado.

Ao lado de Silva, outro meio-campista se destacou no dérbi, e um, aliás, com características semelhantes. James Millner foi contratado para atuar nas alas, mas é pelo centro do campo que vem se destacando. De perfil um pouco diferente do de Silva, faz correr mais o jogo. Ao contrário do espanhol, entretanto, o inglês não consegue render o mesmo por sua seleção. Foram dele os dois passes para os gols de Ballotelli. Que, claro, merece um capítulo inteiro só para si.

Um dia ntes do dérbi, Mario Ballotelli botou fogo na própria casa disparando fogos de artifício. Ao contrário do que vinha acontecendo sempre que se envolvia em alguma polêmica, desta vez o dentro de campo simplesmente ignorou o que se passou fora dele – totalmente, não, porque na comemoração o jogador mostrou camiseta com os dizeres “por que sempre eu”? E se o City mudou de postura do início do ano passado até aqui, e isso tem de ser creditado a Roberto Mancini,  a maneira como o italiano tem tratado seu compatriota é digna de nota. Mancini não o afagou quando não era o caso, mas soube perceber que só a disciplina não funcionaria. Um técnico mais rígido poderia ter deixado o atacante no banco depois do incidente do dia anterior.
Mancini recuperou Ballotelli, e está sabendo lidar com um enorme problema, o caso Tevez, de maneira surpreendentemente positiva. Até porque, a decisão sobre a permanência ou não do argentino não está em suas mãos, ou seja, tem que administrar uma situação desconfortável sem que tenha poder de decisão sobre ela. E, ao contrário do que se poderia esperar, o tem feito de modo que o time não saia prejudicado.

Do ano passado para cá, Mancini ganhou Agüero e Nasri, além de um futebol mais desenvolto de alguns de seus principais jogadores – além dos citados Millner e Silva, Dzeko é outro bom exemplo disso. Para além disso, deixou de lado a cautela associada ao esterótipo do técnico italiano – associação plenamente justificada em seu caso – e pôs para jogar seu poderoso setor ofensivo. Ainda tem problemas, e a defesa é sem dúvida o maior deles, mas eles não têm sido determinantes – se Lescott não é suficiente, o time tem dois volantes que o protegem.
Dentro de campo, o Manchester City de hoje é um baita time, favorito ao título. Tem conseguido, também, se isolar do que acontece fora dele. Se consseguir se manter assim, é difícil imaginar qualquer fator que possa impedi-lo de voltar ao degrau mais alto do pódio inglês. Pelo jeito, pela primeira vez desde 1968 os torcedores do United vão ter que ouvir gozação dos colegas. O que certamente já começou hoje.

CURTAS

O Newcastle segue aproveitando o calendário tranquilo do começo do ano: venceu o Wigan por magro 1 a 0, mas se manteve em quarto.

Tottenham e Arsenal também venceram, e seguem sua recuperação: os Spurs em 5º, mas com um jogo a menos que o Newcastle; os Gunners em 7o, com 3 pontos a menos.

E o Liverpool decepcionou de novo: 1 a 1 em casa com o Norwich.

Se os Reds decepcionaram, os Canários seguem mantendo uma imprevisível 8ª colocação.

Outro que vem em plena recuperação é o West Brom, que ganhou do Aston Villa fora de casa no final de semana e já é o 12º.

No Championship, o Southampton empatou na última rodada, mas ainda é líder.

Middlesbrough e Crystal Palace, seus perseguidores mais próximos, venceram, e agora a diferença na tabela é de 3 pontos para o segundo colocado, e 4 para o terceiro.

Na parte de baixo da tabela, o Nottingham Forest venceu a segunda seguida, e já está a 4 pontos da zona de rebaixamento.

Na League One o Charlton voltou a vencer, e segue líder.

Seus perseguidores Huddersfield, um ponto atrás, e Sheffield Wednesday, a dois, também venceram.

Na League Two, o novo rico Crawley Town fez 5 a 2 no AFC Wimbledon na casa do adversário, e manteve a ponta.

Os Dons, por outro lado, perderam a segunda seguida, e caíram para a nona colocação.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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