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Um Arsenal arrasador amassou o Chelsea e, diante de tantos erros, o placar até ficou barato

Um passeio. O placar pode não ser tão categórico quanto a isso, mas o desenrolar da partida no Estádio Emirates não deixa dúvidas: o Arsenal sobrou ao vencer o Chelsea por 3 a 0, no grande clássico pela sexta rodada da Premier League. O primeiro tempo dos Gunners beirou a perfeição em termos de eficiência, diante dos Blues completamente perdidos em campo. Já na segunda etapa, o time da casa manteve a partida sob controle e até desperdiçou a chance de encaixar uma goleada. Vitória categórica para sustentar o trabalho de Arsène Wenger, enquanto Antonio Conte recebe os primeiros questionamentos em Stamford Bridge.

Olhando para o papel, o Chelsea até parecia um time com mais potencial ofensivo, mesmo vindo de dois tropeços no Inglês. Cesc Fàbregas, enfim, ganhou uma chance no meio-campo, substituindo Oscar. Enquanto isso, o Arsenal manteve a escalação do time que goleou o Hull City na rodada anterior, com o talento concentrado na faixa central, com Mesut Özil na armação e Alexis Sánchez comandando o ataque.

Pois o que realmente começou a fazer a diferença foram os erros defensivos do Chelsea. Melhor durante os primeiros minutos, o Arsenal não perdoou duas falhas bisonhas. A primeira aconteceu aos 11 minutos, quando Alexis roubou a bola de Gary Cahill e partiu com liberdade em direção ao gol. O chileno teve calma e tempo suficientes para esperar Thibaut Coutois se definir, dando lindo toque por cobertura. O tento atordoou os Blues. E o time de Wenger fez o que quis três minutos depois, com o segundo gol nascendo em ótima trama coletiva. As trocas de passes encontraram total passividade nas linhas de marcação do Chelsea, até que Hector Bellerín rolasse para Theo Walcott, sozinho, escorar.

Só depois disso é que o Chelsea tentou correr atrás do prejuízo. O Arsenal se continha diante da posse de bola dos adversários, mas mantinha a solidez e concedia poucos espaços nas proximidades de sua área. Além disso, tinha a chance de matar o clássico nos contra-ataques. O que justamente aconteceu aos 40 minutos, em lance de pura genialidade de Özil. Difícil dizer em qual momento da jogada o alemão foi mais perfeito. Primeiro, ele deu um giro estonteante em N’Golo Kanté e arrancou. Com David Luiz perdido, enfiou a bola milimetricamente para Alexis Sánchez. E recebeu de novo, livre, para chutar de primeira. O arremate ainda triscou a trave antes de entrar. O estrago estava feito.

Durante o início do segundo tempo, Conte tentou mudar a forma de jogar da sua equipe, com três zagueiros. Não adiantou em nada e, pior, serviu para que o Arsenal mandasse no jogo a partir de seu campo ofensivo. Courtois evitou o quarto gol, enquanto o preciosismo dos Gunners na hora de finalizar também atrapalhou um placar mais elástico. Do outro lado, o Chelsea era nulo. Quando poderia ter descontado, Petr Cech se agigantou para salvar o arremate de Batshuayi.

De um time que demonstrou consistência nas primeiras rodadas, contra adversários mais fracos, o Chelsea vai fracassando em desafios maiores. Foi engolido pelo Liverpool em Stamford Bridge e, quando deveria ter aprendido com os erros, se saiu ainda pior diante do Arsenal. Famoso por seus sistemas defensivos, Conte terá trabalho para consertar o problema atual. David Luiz e Gary Cahill se saíram muito mal, enquanto desta vez nem Kanté conseguiu oferecer a proteção necessária.

O Arsenal, por sua vez, desfruta a boa sequência. Já são quatro vitórias consecutivas, que deixam os Gunners na terceira colocação, com os mesmos 13 pontos do Liverpool. O time de Arsene Wenger pode não ter nomes tão tarimbados como um todo, mas merece o reconhecimento por aquilo que joga. Além disso, conta com alguns destaques capazes de desequilibrar: neste sábado, como de costume, Alexis, Özil e também Cazorla, fundamental em ditar o ritmo a partir da cabeça de área. A questão para os londrinos, porém, é sempre virar a chave entre a boa sequência e a regularidade rumo ao título. Neste sentido, os desafios só vão aumentar lá por novembro, com rodadas seguidas contra Manchester United e Tottenham.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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