Inglaterra

Tudo errado

Não é só no Brasil que os dirigentes metem os pés pelas mãos. Na Inglaterra, isso também acontece – até nos times grandes. O Liverpool, nesta temporada é um caso claro. Um ano que poderia ser muito bom para os Reds vai escorrendo ralo abaixo e, muito provavelmente, terminará mal para a equipe.

O pior é que, em agosto, o clima era de enorme otimismo no Liverpool. O clube havia sido recentemente vendido para uma dupla de investidores americanos (George Gillett e Tom Hicks) que prometiam injetar no clube o dinheiro que faltava para que ele pudesse peitar os maiores times da Europa. Para mostrar que estavam falando sério, gastaram € 58 milhões para trazer Fernando Torres e Ryan Babel, entre outros. Os resultados iniciais foram bons: a equipe ficou invicta por 11 jogos e, no Inglês, só perdeu pela primeira vez em dezembro, na 15ª rodada.

Mas, a essa altura, já apareciam sinais de problemas: com seis empates, a equipe começou a se descolar dos líderes e corria sério risco de eliminação na primeira fase da Liga dos Campeões. Foi aí que os donos do clube – e também o técnico Rafa Benítez – começaram a fazer besteira.

Até então, os problemas do Liverpool poderiam ser apenas passageiros. Mas Benítez começou a exigir da diretoria mais reforços, para manter a competitividade. O espanhol, então, teve o pedido negado. Em vez de sossegar o facho, passou a criticar abertamente os donos do clube, levou uma bronca, mas continuou atirando, amparado por sua popularidade junto à torcida. Com isso, o clima nos bastidores foi para o espaço.

O donos Gillett e Hicks também contribuíram para piorar a situação. Demoraram para se reunir com Benítez e acertar os ponteiros. Depois, Hicks ainda fez a besteira de admitir que teria conversado com Jürgen Klinsmann, para “aprender sobre futebol”. Maior desmoralização para Benítez, impossível.

A torcida, então, virou-se contra a dupla de norte-americanos, e a situação azedou de vez quando veio à tona que os donos estavam com dificuldades para rolar uma dívida de € 468 milhões (embora pareça que, no final das contas, vão conseguir fazê-lo). Esse é um detalhe que, na época em que o clube foi vendido, passou batido: Gillett e Hicks não gastaram seu próprio dinheiro para comprar o Liverpool. Na verdade, foi feito um grande empréstimo, incluindo € 248 milhões para comprar o clube e € 151 para pagar dívidas e contratar reforços. A esse valor, adicionou-se € 69 milhões para o pagamento de juros e a realização de reformas em Anfield. Note-se que, nessa montanha de dinheiro, nem se falou nos € 400 milhões necessários para construir um novo estádio para o clube.

A torcida apoiou Benítez na briga com os donos e começou a descer o pau nos norte-americanos. A situação ficou bizarra a ponto dos torcedores pedirem que o clube seja vendido para a Dubai International Capital, grupo de investimentos da família real dos Emirados Árabes, cujos planos para o Liverpool são nebulosos, para dizer o mínimo. Será que eles acreditam que esse é mesmo o caminho para resgatar a glória e tradição dos Reds?

Hoje, o Liverpool tem um técnico sem força – afinal, está na cara que Rafa Benítez deixará o clube no fim da temporada –, donos desprestigiados, torcida insatisfeita e instabilidade financeira, com incertezas até sobre a propriedade do clube. Em resumo, é um ambiente péssimo para um clube que tem (ou melhor, tinha) objetivos ambiciosos para esta temporada.

Com toda essa instabilidade, os resultados naturalmente degringolaram. O time não vence no Inglês há quatro jogos e está a 14 pontos dos líderes – ou seja, o título da Premier League já era. Na verdade, há até risco de o time não ir para a próxima Liga dos Campeões, já que a batalha contra Everton, Aston Villa e Manchester City pelo quarto lugar está muito dura. Na LC deste ano, o Liverpool vai enfrentar a Internazionale nas oitavas-de-final e, instável, vai precisar de toda sua mística e muita sorte para avançar. Assim, sobraria só a FA Cup como objetivo realista de título.

Assim, uma boa temporada vai pelo ralo. Para 2008/9, resta torcer que seja contratado um bom treinador e que a situação financeira do clube esteja estabilizada. Quem sabe, então, o Liverpool possa finalmente brigar a sério pelo tão sonhado título inglês.

CURTAS

– Depois de muita indecisão, o Newcastle acertou com Kevin Keegan. Especula-se que Alan Shearer possa assumir como assistente.

– Está na cara o que vai acontecer: os Magpies vão melhorar no segundo turno, mas não conquistarão nada concreto. Começarão a próxima temporada com grandes expectativas, mas farão campanha meia-boca, resultando na saída de Keegan.

– Ou seja, nenhuma novidade…

– A cada rodada, o Fulham tem mais cara de que pegará a segunda vaga no rebaixamento (a primeira já é do Derby faz tempo).

– Num claro sinal de desespero, o time sonha com a contratação do aposentado Jari Litmanen, 36 anos.

– Quem diria: a League Cup deste ano está ficando bem interessante.

– O Tottenham acabou com o tabu contra o Arsenal em grande estilo, goleando o rival por 5 a 1.

– Os Spurs estão loucos para ganhar a final, que representa sua única chance realista de chegar à Copa Uefa na próxima temporada.

– A Escócia parece ter definido o nome de seu novo treinador.

– Trata-se de George Burley, que deverá ser apresentado oficialmente ainda nesta semana.

– Burley atualmente dirige o Southampton (13º colocado na segunda divisão) e tem como principal feito ter levado o Ispwich da Segundona até a Copa Uefa, em 2001.

– Para dirigir a Irlanda, próxima adversária do Brasil, as casas de apostas apontam como favoritos: Gerard Houllier (ex-Liverpool e Lyon), Liam Brady (ex-jogador irlandês) e Terry Venables (ex-assistente da Inglaterra).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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