Inglaterra

Trocou a guarda em Londres?

Desde 1995 o Tottenham não termina uma temporada inglesa na frente do Arsenal. Há 16 anos, portanto, os torcedores dos Spurs têm que aguentar, todo ano, a gozação dos rivais. Há até pouco menos de um ano havia ainda um tabu cabeludo (que eu não vou googlar agora, ok?) de vários anos sem vitórias dos Spurs.

Na temporada passada, dois motivos de comemoração para o time de branco: além do final do tabu, na Liga dos Campeões o Arsenal foi eliminado nas oitavas, e o Tottenham só nas quartas. Chegou o fim do ano, entretanto, e tudo continuou muito parecido: Spurs em quinto, fora da LC; Gunners em quarto, dentro.

Se vinha ficando claro, porém, que a rivalidade poderia pelo menos voltar a existir, a última pré-temporada deu indícios de que poderia haver uma nova ordem começando. Os Spurs, é verdade, contrataram pouco, apenas Scott Parker e Adebayor por empréstimo. O time, porém, não precisava de grandes reforços. Ao contrário de seu rival, que já vinha cambaleando, perdeu dois de seus melhores jogadores e contratou mal.

Este era, portanto, o cenário do dérbi do norte londrino do último domingo. A ajudar, a tabela: Gunners embaixo na tabela, com apenas duas vitórias e três derrotas, e Spurs subindo, depois de ter perdido as duas primeiras para United e City – jogos que o Arsenal quase que certamente também perderá (um deles já perdeu).

É verdade, o que se viu em campo não foi exatamente isso. O Tottenham ganhou o jogo, mas poderia ter perdido. Dominou, mas não transformou a superioridade em placar. E acabou contando com a sorte para deixar o gramado com os três pontos. O que, é claro, pouco importa para seus torcedores: a equipe está em sexto, tem um jogo a menos (Everton em casa) e, se vencê-lo, empata em número de pontos com o Newcastle, que é o quarto. E que até aqui só teve jogo baba. É, tudo indica, o ano em que o dia de St. Totteringham (o dia no ano em que o Tottenham não pode mais alcançar o Arsenal na tabela) não será comemorado.

O que mais será comemorado depende, e muito, daquele que muitos apontam como futuro técnico da Inglaterra. Condutor de triunfos inacreditáveis e fracassos retumbantes, Harry Redknapp tem um ano para provar à FA que deve suceder Fabio Capello. E tem à disposição um time competente para isso. Pelo menos na maior parte dos setores.

O Tottenham tem três bons goleiros – embora o melhor, Gomes, tenha sido escolhido como bode expiatório e seja hoje reserva do reserva. Tem laterais competentes, no que se destaca o novato Kyle Walker, autor do gol da vitória no dérbi. Contratado ainda moleque, Walker jogou a segunda metade da temporada passada emprestado ao Aston Villa, e foi bem. Na volta, mandou Corluka para o banco.A zaga titular é boa, até mesmo muito boa, com Dawson e King, e Kaboul tem sido um reserva competente.

No ataque, se Defoe tiver uma temporada na média de seus anos anteriores ao passado, que foi péssimo, fará com Adebayor uma dupla para amedrontar as melhores defesas. É no meio, porém, que estão os maiores destaques dos Spurs. E se é de Gareth Bale e Luka Modric que mais se fala, é Rafael van der Vaart o cérebro deste novo Tottenham. Tendo na proteção Sandro e Parker e com reservas como Lennon, Huddlestone e até Pavlyuchenko, não há porque não sonhar com, pelo menos, o quarto lugar.

Redknapp, entretanto, costuma ser vítima da própria mania de grandeza. É bom lembrar que entrou em campo contra o City sem nenhum jogador de marcação no meio. Ainda que as contusões não ajudassem – e que Parker ainda não tivesse chegado – dava para evitar a goleada. Queimar Gomes, como antes queimou Bentley e outros, também não ajuda a unir o grupo.

Por outro lado, o mercado dos Spurs foi bom. A equipe abriu mão de uma série de jogadores que não atuariam (Jenas, Palácios, Crouch, Robbie Keane), fez um bom caixa e se reforçou onde precisava. Além disso, dificilmente terá um ano com tantas contusões quanto no ano passado, ou seja, zaga e ataque devem ter mais consistência. E começa o campeonato com moral alto – ao contrário, por exemplo do Liverpool.

Um ano para chegar na frente do rival. E deixá-lo de fora da Liga dos Campeões. A festa tem tudo para ser grande em White Hart Lane. O último deerbi, porém, é evidência de que isso não acontecerá sozinho. O talento está lá, mas vai ser necessário muito trabalho.

CURTAS

– Conforme previmos, o Newcastle ganhou mais uma, e manteve a boa série.

– Quem perdeu outra foi o Blackburn, e os rumores de que Steve Kean será demitido em breve voltaram a ecoar.

– Uma informação interessante: os três times que subiram são no momento 9o, 10o e 11o na tabela.

– No Championship, o Nottingham Forest perdeu mais uma, em casa para o Birmingham, e Steve MacClaren pediu demissão.

– O Southampton continua na ponta, seguido pelo Middlesbrough.

– O Boro empatou a terceira seguida, mas foi beneficiado pelas derrotas de Derby e Brighton, e pelo empate do West Ham.

– Da mesma forma, o Charlton segue tranquilo na ponta da League One.

– Na League Two, o AFC Wimbledon ganhou a terceira seguida, e já é o quarto, a apenas dois pontos dos co-líderes Southend e Crawley Town.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo