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Tradição em decidir

Caso você não tenha percebido, os 2 a 0 sobre o Blackburn foram a sétima vitória consecutiva do Manchester United na Premier League, competição em que não perde há onze jogos. Se a fraqueza do adversário for um argumento, lembre que a última derrota do United em casa foi para o mesmo Blackburn, que está na zona de rebaixamento mas que havia perdido apenas um dos seus quatro jogos anteriores. E caso queira comparar os mancunianos vermelhos com seus rivais, saiba que, nas onze rodadas em que o United não perdeu, o City foi derrotado duas vezes – Everton e Swansea – e empatou outras duas. Para fechar o momento matemático, considere que na rodada que vem os Red Devils jogam contra o Queens Park Rangers em casa, enquanto os Citizens visitam o Emirates Stadium. Uma vantagem de oito pontos para o United neste momento da temporada, faltando seis jogos para o final da temporada dos quais o único verdadeiramente complicado é o dérbi, significaria uma probabilidade enorme de mais um fracasso da equipe de Roberto Mancini. Significará?

Provavelmente, sim. Embora para nós brasileiros, que vivemos em um país em que os times mudam tanto de uma no para o outro que é difícil apontar qualquer continuidade, que a tal “experiência no momento decisivo” que tantos analistas apontavam a favor do United de fato existe. Basta ver quem está decidindo pela equipe: Ryan Giggs e Paul Scholes há um mês, Wayne Rooney majoritariamente nos jogos seguintes e, nos últimos, Luis Antonio Valencia. Dois craques com 100 anos somados entre eles, um craque no auge e um jogador que o City jamais teria comprado.
Do lado azul, quem decide? A resposta inicial é “ninguém”, certo? No único dos quatro últimos jogos em que venceu, quem decidiu foi Carlos Tevez, o jogador sobre o qual o técnico disse que jamais vestiria de novo a camisa do clube. Pior: o mesmíssimo jogador que decidiu no ano passado, antes de se gastar quase £ 100 mi em reforços. Que não jogam, porque não cabem todos no mesmo time, mas que, principalmente, não decidem. Samir Nasri não decide, David Silva não decide, Edin Dzeko não decide e Sergio Aguero não decide.

“Como assim não decide?”, perguntará o cabeça de planilha. “Dezessete gols em 23 jogos!”, enfatizará. Sim, e não é só ele: somados, Dzeko, Balotelli e Aguero têm nada menos que 43 gols entre si. David Silva deve ter uma das maiores médias de assistências da Liga, e fez, até poucas semanas atrás, temporada impecável. No momento da decisão, entretanto, só quem compareceu foi Balotelli, que impediu a derrota para o Sunderland na última rodada que, mais do que deixar o City há seis pontos do rival, demoliria ainda mais o moral da equipe.
Vencer o Arsenal no Emirates no atual momento parece missão dura demais para o momento que vivem os Citizens. Um empate parece mais factível. Daí até o dia 30, antepenúltima rodada da liga, quando se enfrentam os mancunianos, os Azuis têm que fazer 100% de pontos e torcer para os Vermelhos tropeçarem. Para chegarem ao dérbi em condições de pelo menos colocar ma pressão no rival. Não parece provável, porém, que isso aconteça.

O que parece provável é que o City chegue a mais uma temporada fracassada, sem ganhar nada, humilhado na Champions e atropelado na Premier League. Com o dinheiro que gastou, com os jogadores que tem, é impossível não imputar a maior parte da responsabilidade a Roberto Mancini. O italiano, como se sabe, é tricampeão de seu país, mas só ganhou os títulos ou de presente ou quando não havia outra equipe disputando. Na Inglaterra – e na Europa – não terá essa moleza. É provável que aprenda com os erros desta temporada? Sim, já se mostrou na atual um técnico melhor do que na passada. Será suficiente para vencer? Só o tempo dirá. Se, é claro, os donos do Manchester City deixarem o tempo dizer.

CURTAS

Na Premier League, a notícia do final de semana foi a derrota do Arsenal para o QPR. Como o Tottenham voltou a vencer depois de cinco jogos, a briga pela terceira colocação esquentou: ambos têm 58 pontos, e os Gunners levam vantagem de um gol no saldo.

Outro resultado digno de nota foi a vitória do Newcastle sobre o Liverpool, que levou os Magpies a superarem o adversário na tabela.

O Liverpool também foi ultrapassado pelo arquirival Everton, e é nesse momento o oitavo colocado. Copa da Liga e vaga européia já garantidas e com outros objetivos longe demais, pode até ser que haja um relaxamento natural, mas que os Reds não estão jogando nada, não estão.

E o Everton, como de costume, vai chegando sorrateiro e, quando você vê, eles estão se aproximando do sexto lugar.

Na parte de baixo da tabela, a vitória sobre o Arsenal fez o QPR superar o Blackburn na tabela e dormir fora da zona de rebaixamento.

Tirando o lanterna WOlves, que parece condenado com 22 pontos, os três “penúltimos” Wigan, Blackburn e QPR têm os mesmos 28 pontos, e estão separados apenas pelo saldo de gols.

No Championship, quem não para de subir é o Reading.

Faltando seis rodadas para o final, os Royals, depois de um tropeço há duas rodadas, voltaram a vencer, e chegaram à iincrível marca de onze vitórias e um empate nos últimos treze jogos, e subiu do sétimo lugar para o segundo, onde tem neste momento apenas dois pontos a menos que o líder Southampton.

O mais relevante da vitória da última rodada é que ela foi justamente sobre o rival na briga pela promoção automática, o West Ham, na casa do adversário. Com a derrota, os Hammers perdem contato com a briga de cima: estão a seis pontos do Southampton, e a quatro do Reading.

Quem também merece menção é o Middlebrough, que chegou no final de semana a seu quarto 1 a 1 seguido. Somados às duas derrotas que os precederam, o time agora é apenas o sétimo colocado, e ficaria fora até da repescagem se a liga terminasse hoje.

Na League One, o Charlton voltou a vencer, e segue líder com seis pontos de vantagem sobre o vice-líder.

Que voltou a ser o Sheffield United. A equipe venceu suas duas partidas da semana e, agora com o mesmo número de jogos, tem dois pontos de vantagem sobre o rival Wednesday.

Encerrando, o Wimbledon segue em sua trajetória montanha russa, e perdeu na rodada. Apesar disso, ainda há uma razoável distância de onze pontos para o rebaixamento.

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Equipe Trivela

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