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Townsend desbancou reforços e é surpresa boa no Tottenham

Andros Townsend não tinha muitos motivos para acreditar que esta seria uma boa temporada para ele. Com apenas 22 anos, o inglês viu o Tottenham se reforçar com bons nomes para o setor em que atua. Chegaram Erik Lamela, Christian Eriksen e Nacer Chadli, tendo os dois primeiros um status de que vinham para ser titulares. Além desses, o time já contava com Aaron Lennon, Gylfi Sigurdsson e Lewis Holtby, todos à frente de Townsend na briga por uma vaga na equipe. Isso na teoria. Em campo, o jogador aproveitou muito bem as chances que teve neste início de temporada. Decisivo em mais uma vitória dos Spurs, fora de casa contra o Aston Villa, o atleta parece ter ganhado de vez a titularidade, e a oportunidade que ganhou também na seleção inglesa na última convocação foi desfrutada da melhor maneira possível.

Desde 2009 no Tottenham, Townsend rodou muito por equipes pequenas da Inglaterra em uma série de empréstimos que parecia não ter fim. Durante o período de empréstimo, alternou bons e maus momentos, sofrendo com lesões no MK Dons, sendo pouco utilizado no Ipswich Town e quase subindo para a Premier League pelo Milwall, clube em que foi bem. Foram ao todo nove times, e, na pré-temporada, tudo indicava que, especialmente com os novos jogadores, o atleta seria mais uma vez emprestado.

Além disso, no final da temporada passada, quando estava emprestado para o Queens Park Rangers, o meia foi suspenso por quatro meses por causa de envolvimento com apostas, o que culminou em sua retirada voluntária do elenco que defenderia a seleção inglesa no Europeu sub-21, disputado em junho. Poucos meses depois, no entanto, o apostador foi André Villas-Boas, Townsend tornou-se a aposta, e ambos tiraram a sorte grande.

O gol no triunfo por 2 a 0 sobre os Villains foi apenas o primeiro de Townsend em sete jogos nesta Premier League, mas isso não apaga o bom desempenho que tem tido de agosto para cá. Desde que conseguiu sua primeira chance no time titular, na segunda rodada, não deixou mais a equipe.

Suas principais características, como ficaram muito bem evidenciadas em seus dois jogos pela seleção inglesa nas Eliminatórias, são a velocidade, o drible e a potência e boa qualidade de seus chutes de longa distância. Contra Montenegro, por exemplo, em sua estreia pelos Three Lions, o atleta marcou um golaço de fora da área. Na partida seguinte contra a Polônia, que garantiu à Inglaterra a vaga à Copa do Mundo, Townsend não voltou a balançar a rede, mas atuou bem e foi uma boa alternativa para os ataques do time de Roy Hodgson.

O tempo que passou com a seleção serviu como uma espécie de legitimação do bom início do jogador do Tottenham na temporada. Já bastante elogiado pelos jogos que vinha fazendo na Premier League, o jogador ganhou ainda mais atenção por parte da mídia, e a resposta que deu a toda a repercussão por sua participação pela Inglaterra foi ser o principal nome da vitória dos Spurs no retorno ao Inglês.

Ponderado e com contrato novo, Townsend não se deixa levar pela grande agitação em cima de seu futebol. “O principal para mim é não me empolgar e manter os pés no chão, continuando a atuar bem quando tiver a chance pelo Tottenham”, afirmou após o jogo no Villa Park. O camisa 17 precisará continuar com essa mentalidade durante a temporada. Talento, estrela e personalidade para se manter no time, ele tem, e, com a forte concorrência que continuará a enfrentar, essa humildade pode ser aquilo de que precisa para seguir sendo a agradável surpresa do time de André Villas-Boas no ano.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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