Tim Vickery: ‘Os donos do Tottenham subestimaram a força e profundidade da Premier League’
Spurs vivem pressão para se livrar do rebaixamento em meio a campanha desastrosa na Premier League
A temporada catastrófica do Tottenham se encaminha para um desfecho ainda mais dramático: o risco de rebaixamento. O atual campeão da Liga Europa sequer venceu um jogo na Premier League nas últimas onze partidas e ocupa a 16ª colocação com 29 pontos, um a mais que o West Ham, primeiro clube do Z-3.
No primeiro episódio do quadro “Futebol em Contexto”, programa da Trivela no Youtube, Allan Simon e Tim Vickery analisaram a situação dramática dos Spurs e os fatores que levaram a equipe a viver o conturbado.
— Os donos do Tottenham subestimaram a força e profundidade da Premier League nesta temporada. Eu acho que eles têm uma possibilidade muito real de pagar o preço –, destacou Vickery, colunista da Trivela.
Um Tottenham cada vez mais em crise
Sob o comando de Igor Tudor, o Tottenham chega à reta final da Premier League com um desafio: ganhar confiança para encerrar o jejum de vitórias na competição nesta temporada, depois de atingir o pior resultado em 50 anos ao chegar a 11 jogos sem qualquer triunfo.
O único início de ano que rendeu um período ainda mais longo sem vitórias ocorreu em 1935, quando o Spurs não conseguiram vencer em seus primeiros 15 jogos no torneio.
Pela frente, o Tottenham enfrentará o Liverpool, atual sexto colocado e que briga por uma vaga no G-5. A sequência ainda terá duros embates contra o Aston Villa, atual quarto colocado e contra o Chelsea, quinto.
— O Tottenham tem uma grande possibilidade de cair. Isso, da maneira que o futebol é organizado hoje, deveria ser impossível de acontecer. Com a quantidade de dinheiro que tem e o modelo de negócios. Mas [o clube] paga mal os jogadores, uma porcentagem de apenas 40%, aproximadamente. Tem clubes, o Aston Villa por exemplo, que pagam mais que o dobro disso –, afirma Vickery.
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Baixa remuneração assombra elenco
A baixa remuneração dos jogadores atrapalha a montagem de um elenco de alto nível — e foi isso que aconteceu com o Tottenham. Segundo relatório da Deloitte Money League, os Spurs investem um valor muito inferior à dos restantes membros do “Big Six”. Essa estratégia arriscada reduz o poder de contratação no mercado e a possibilidade de elevar o nível do elenco.

— O modelo dos donos é: ‘vamos pagar o suficiente para um time que dá para competir um pouco, encher o estádio e vai ficar bom assim’. Isso esquecendo que os clubes menores, na forma como a Premier League é organizada, tem um poder de contratação muito grande. Então, um trabalho bem feito, de identificação e desenvolvimento de jogadores é capaz de dar uma goleada — explicou Tim Vickery.
O baixo salário dos jogadores teve um impacto tão grande na campanha, que os atuais donos anunciaram uma grande reformulação caso o time se mantenha na elite do futebol inglês.
De acordo com o jornal “The Guardian”, há um reconhecimento de que o clube investiu pouco nos salários dos jogadores durante anos e isso precisa ser sanado. Essa também foi uma crítica do ex-técnico Ange Postecoglou em entrevista ao podcast “The Overlap”.
Por isso, a ideia é que uma transformação na estrutura salarial do clube e uma reformulação do elenco seja realizada, caso o objetivo dos Spurs seja alcançado.
Lesões e transferências que não surtiram efeito
Outra dor de cabeça do Tottenham passou pelas ausências de jogadores já que o elenco vem sofrendo com lesões. Dejan Kulusevki, James Maddison, Destiny Udogie, Radu Dragusin, Ben Davies, Rodrigo Bentancur, Lucas Bergvall e Mohammed Kudus estão no departamento médico.

Apesar de ter retornado, os Spurs não puderam contar com Dominic Solanke, o centroavante de grande importância no elenco, ficou afastado por meses devido a uma lesão no tornozelo.
Já Son Heung-min, ídolo do clube, deixou o Tottenham no fim do ano passado para se juntar ao Los Angeles FC após dez anos no clube, dois anos após de despedir de outra lenda, Harry Kane — o maior artilheiro da história da equipe–, se transferiu para o Bayern de Munique.
A janela de transferências de verão também não surtiram o efeito esperado já que as grandes contratações Xavi Simons e Muhammed Kudus, devido a lesões e desempenho abaixo do esperado, não tiveram o impacto desejado.



