Futebol inglês

Suécia encontrou fórmula para Gyökeres que Arsenal ainda não usa

Viktor Gyökeres deixou o Arsenal em um momento de dúvida e retorna da seleção sueca em cenário completamente diferente. Depois de passar cinco jogos sem marcar pelos Gunners, o atacante balançou as redes quatro vezes em quatro partidas pela Suécia durante a Data Fifa e ainda se tornou o único jogador a marcar em sete confrontos consecutivos da Nations League.

A sequência recuperou sua confiança, mas também trouxe de volta uma discussão importante sobre sua adaptação ao Arsenal. Desde sua chegada a Londres, uma das principais questões era justamente como explorar suas corridas em profundidade dentro de um modelo mais posicional. Pela Suécia, Gyökeres voltou a encontrar situações muito mais próximas daquelas que melhor potencializam suas características.

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Suécia encontra espaço para Gyökeres

Os quatro gols vieram de maneiras diferentes. Contra a Romênia, Gyökeres reagiu rapidamente a uma sobra dentro da área. Diante da Polônia, apareceu no segundo pau para completar um cruzamento. Contra a Bósnia e Herzegovina, atacou o espaço, recebeu em progressão e finalizou com força. Em comum, as jogadas mostraram um atacante com liberdade para se movimentar e atacar a defesa de frente.

O contraste com o Arsenal é importante. Antes da pausa para a Data Fifa, o sueco havia somado apenas 15 minutos contra o Manchester City, 12 diante do Chelsea e 17 na derrota por 3 a 0 para o Brighton. Kai Havertz havia ganhado espaço como opção preferida de Mikel Arteta no comando do ataque, aumentando os questionamentos sobre a posição de Gyökeres na hierarquia.

Mesmo depois de marcar 14 gols em 36 partidas da Premier League em sua primeira temporada, o centroavante ainda convive com dúvidas sobre sua adaptação. Uma das críticas envolve seus movimentos dentro da área e a dificuldade de reproduzir em Londres o impacto que teve anteriormente no Sporting. Pela seleção, porém, Graham Potter oferece uma configuração diferente.

Viktor Gyökeres, atacante do Arsenal, durante a partida da Copa da Liga entre Ipswich Town e Arsenal, em Portman Road, em Ipswich, na Inglaterra, em 15 de setembro de 2026.
Viktor Gyökeres durante Ipswich x Arsenal pela Copa da Liga (Foto: Tiego Grenho/IMAGO / Every Second Media)

Dois atacantes ajudam a explicar diferença para Arsenal

A Suécia tem utilizado Gyökeres ao lado de outro atacante. Alexander Isak foi seu parceiro contra a Romênia, Benjamin Nygren atuou com ele diante da Polônia, enquanto Besfort Zeneli formou a dupla de ataque em outros compromissos. Essa estrutura permite ao jogador dividir a atenção dos zagueiros, atacar espaços com mais liberdade e evitar que fique permanentemente isolado como única referência central.

No Arsenal, a lógica costuma ser diferente. Arteta normalmente utiliza apenas um centroavante, com Martin Odegaard como camisa 10, função que Max Dowman também já ocupou. O elenco possui jogadores como Havertz e Mikel Merino capazes de formar uma dupla de ataque, mas dois atacantes fixos não fazem parte da estrutura habitual dos Gunners.

A lesão muscular sofrida por Havertz pela Alemanha pode garantir a Gyökeres uma sequência maior de minutos no retorno a Londres. Isso não significa que Arteta precise copiar o sistema sueco ou abandonar um modelo que levou o Arsenal ao título inglês. Mas os quatro gols oferecem uma pista clara sobre as condições nas quais o atacante produz melhor.

Pela Suécia, Gyökeres joga acompanhado, encontra mais espaço para atacar em velocidade e precisa passar menos tempo fixado entre os zagueiros. O desafio do Arsenal agora é transportar parte dessas condições para seu próprio modelo. A seleção sueca já mostrou uma maneira de potencializar o atacante. Arteta precisa descobrir quanto dessa fórmula cabe no Emirates.

Foto de Beneddra Naim

Beneddra NaimColaborador

Descobri o futebol de verdade nos anos 90, embalado pelas façanhas de Romário e Bebeto na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Desde então, o futebol nunca mais saiu do meu cotidiano. Com o tempo, consegui unir essa paixão a outra que sempre me acompanhou: a escrita. Transformar essas duas paixões em profissão é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da minha vida.

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