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Sterling: “Ganhar o jogo machuca os racistas ainda mais do que sair de campo”

Nos últimos meses, Raheem Sterling se transformou em símbolo do combate ao racismo dentro do futebol inglês. Além de sua boa fase dentro de campo, o atacante se sobressai pela maneira como vem se portando contra a discriminação, com atitudes bastante incisivas. No último final de semana, o jogador do Manchester City recebeu um prêmio étnico de melhor atleta britânico do ano em 2019, elogiado por sua mentalidade quanto ao tema. E ele voltou a falar sobre o assunto nesta segunda, às vésperas do importante duelo contra o Tottenham pela Liga dos Campeões. O inglês disse ser contrário àqueles que preferem sair de campo diante dos cânticos racistas. Em sua concepção, é melhor seguir jogando e dar a resposta no jogo.

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“Pessoalmente, não concordaria em sair de campo. Ganhar o jogo machucaria os racistas ainda mais. Eles estão tentando te derrubar. Se você sair, eles vencem. Marcar um gol ou conquistar a vitória seria a melhor forma de respondê-los”, analisou Sterling, tirando também seu protagonismo no assunto. “Não acho que eu posso fazer a diferença contra o racismo. É algo que acontece antes que eu nascesse e antes que meus pais tivessem nascido. O máximo que eu posso fazer é aumentar a conscientização”.

O atacante apontou que sua base familiar teve grande importância na maneira como ele trata a cor de sua pele, assim como o ambiente em que cresceu, na periferia de Londres: “Quando ouço isso, que sou negro, tenho orgulho e estou confiante em relação ao meu próprio corpo. Minha mãe sempre me disse para ter orgulho de mim e afirmava que eu era uma criança negra fantástica. Eu nunca fui vítima de racismo em Londres. Começou a acontecer principalmente quando fui para Liverpool. Passei a escutar algumas vezes”.

Durante a última Data Fifa, Sterling foi alvo de insultos racistas no duelo contra Montenegro, assim como outros jogadores da seleção inglesa. Ao anotar um dos gols na vitória por 5 a 1, colocou as mãos nas orelhas em reação aos agressores. Porém, o atacante não compartilha totalmente do posicionamento de Danny Rose, seu companheiro e também vítima contra os montenegrinos. Segundo o lateral, seu desejo é deixar o futebol o quanto antes, diante dos ataques repetidos e da inação dos dirigentes contra torcedores racistas. Para Sterling, em contraponto, não se pode recuar.

“É algo que Danny se deparou várias vezes e provavelmente está ficando insuportável. Nem todo mundo pode lidar da mesma maneira. Conversamos depois do jogo, mas não mais desde então. Uma situação como a ocorrida em Montenegro pede para que se fale sobre o que você viveu, mas algumas pessoas provavelmente se esquivarão disso. Todavia, se há algo que não está certo, falarei sobre o assunto”, afirmou Sterling.

Rose também criticou recentemente a “postura farsante” da Uefa no combate o racismo. Não está sozinho em sua insatisfação. Nas duas últimas rodadas da Championship, o Reading protestou e se negou a vestir camisas da campanha ‘Kick Out’, organizada dentro do futebol inglês. Os jogadores avaliam a ineficácia do projeto, diante dos ataques constantes, e preferiram organizar um boicote. Atitudes que deixam o importante debate à tona.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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