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Blues deram a Mourinho a recepção que um ídolo merece

É compreensível que José Mourinho não seja querido por boa parte dos fãs de futebol. O talento do técnico é inegável e os títulos em quatro ligas nacionais diferentes, bem como as duas conquistas na Liga dos Campeões, estão aí para provar. Os métodos do treinador, contudo, nem sempre são tão fáceis de engolir e suas declarações quase sempre causam furor entre os adversários. Independente de qualquer polêmica na qual Mou esteja envolvido, não um lugar no qual ele seja tão amado quanto Stamford Bridge.

A despedida do Special One em 2007 foi dolorida. Muitos Blues demoraram a aceitar a decisão de Roman Abramovich, o rompimento com aquele que era – e ainda é – o treinador de maior sucesso na história do clube. Quase seis anos depois, Mourinho voltou a sua antiga casa. E a recepção não poderia ter sido mais impressionante. A torcida ovacionou o português, cantou o seu nome e deu várias mostras de carinho ao longo da partida contra o Hull City.

“É grandioso escrever novamente para meus irmãos azuis e começo com uma questão: Como você se sentiria se Abramovich lhe pedisse para gerenciar e treinar nosso time? Como se sentiria como um torcedor do Chelsea? Orgulhoso? Animado? Motivado? Pronto? Isso é exatamente o que eu sentir. É por isso que me apresentei como o ‘Happy One’, pois é assim que me sinto todos os dias quando me dirijo a Cobham ou a Stamford Bridge. Estou em casa novamente, onde quero estar de novo. Eu estou, mais uma vez, em um clube que é muito mais que meu clube – é também uma paixão. Uma paixão que compartilho com cada um de vocês”, escreveu Mourinho no programa da partida, tratando de arrebatar mais alguns corações.

Para engrandecer a reunião, o Chelsea venceu os Tigers por 2 a 0, em uma atuação tranquila. Oscar marcou o primeiro gol, enquanto Frank Lampard, um dos senadores que se engrandeceu sob o comando do português, fechou a conta cobrando falta. E a primeira impressão foi ainda mais positiva pelas preferências do técnico que já se manifestaram no funcionamento do time. A postura incisiva do trio de meias no 4-2-3-1, sua marca no Real Madrid, se repetiu com Oscar, Eden Hazard e Kevin De Bruyne.

Independente da forma como o jogo se desenrolou, o culto a Mourinho foi livre em Stamford Bridge. Uma adoração que pode ser explicada em 2004, quando chegou. A forma como se apresentou à imprensa nos primeiros meses, ainda sem a pecha de criador de problemas, agradou. Mais do que isso, o técnico simbolizou uma mudança de patamar do Chelsea, de time de segundo escalão na Inglaterra a bicampeão nacional e potência continental.

“Foi fantástico, é algo que você nunca esquece. Isso me faz pensar que tomei a decisão certa em voltar. Eu sou um deles, por isso estou tão feliz. Mas não é o suficiente. Preciso que meu time seja apoiado, que eles cantem os nomes dos jogadores, que empurrem o Chelsea. Sei que eles me amam e essa é uma das razões pelas quais voltei. Mas agora é meu tempo de trabalhar e deles, de apoiar a equipe”, agradeceu Mourinho, ao fim da partida.

Depois do caso de amor e ódio com Rafa Benítez, Mourinho chega para renovar as esperanças da torcida. Roman Abramovich parece estar consciente que a relação com o português pode não ser maravilhosa, mas foi a mais vencedora ao longo da década em que bancou o Chelsea. Dentro do processo de renovação levado a cabo nos últimos anos, o técnico pode ser a ponte que faltava entre um time promissor e um vencedor. Assim como já fez nove anos atrás.

Abaixo, as cenas do carinho dos torcedores do Chelsea a Mourinho:

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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