Inglaterra

Só uma certeza

Os três times que foram promovidos à Premier League na temporada passada venceram no final de semana, em três resultados que não deixam de ser surpreendentes. O Burnley, favorito absoluto deste que escreve a ser o último colocado da temporada, venceu o Sunderland, que era o sétimo na tabela, e chegou ao nono posto. Os Wolves também ganharam em casa, do Fulham, que, embora não venha tão bem, terminou a temporada passada se classificando para a Liga Europa. E o Birmingham venceu o fraquíssimo Hull, mas na casa do adversário.

Embora na parte de cima a tabela já comece a se definir com mais ou menos os mesmos candidatos de sempre – e os dois outsiders mais esperados –, do oitavo posto para baixo é difícil dizer qualquer coisa. Equipes de quem se esperava uma permanência tranqüila, como Bolton, Blackburn e West Ham têm os mesmos quatro pontos que o Hull, penúltimo colocado. Enquanto Burnley, Birmingham e Wolves estão todos acima do Everton, que é o 13º. Um cenário com pouquíssimas certezas, até aqui.

A única coisa, porém, que parece clara, é o inevitável e retumbante fracasso chamado Portsmouth. A equipe perdeu simplesmente os seis jogos que disputou, inclusive contra o 17º Bolton em casa, e nada indica que haja qualquer possibilidade de mudar a situação. Reflexo evidente da conturbada pré-temporada, na qual, durante a maior parte do tempo, não se soube quem era o dono do time.

Sulaiman Al-Fahim anunciou em maio que compraria o time, e sumiu. Em julho, o diretor-geral do clube, Peter Storrie, quando a incerteza sobre se Al-Fahim tinha mesmo dinheiro para efetivar a compra, reuniu outro grupo de investidores dispostos a adquirir a equipe, e chegou anunciar um acordo com Alexander Gaydamak, mas, em 26 de agosto, Al-Fahim pagou e levou. O estrago, entretanto, já estava feito.

O Pompey começou a temporada sem saber quem era seu dono, e chegou ao final da janela de transferências com um técnico que todos achavam que era interino mas que ficou, e sem um elenco propriamente dito, O clube vendeu todo mundo que podia vender, e não contratou quase ninguém. Quem chegou, ainda por cima, chegou em cima da hora. Não deve causar espanto em ninguém, portanto, o começo de temporada calamitoso da equipe.

Some-se a isso a total incerteza quanto a quem é de fato Sulaiman Al-Fahim, e de quanto dinheiro dispõe o árabe. Se de fato possui um bolso fundo, o novo dono da equipe pode gastar em janeiro, contratando um time inteiro e um treinador – não seria a primeira vez na história do Portsmouth, que, sob o comando de Harry Redknapp, fez isso em 2005/06, quando conseguiu ficar na elite. Nada indica, entretanto, que seja assim.

O Portsmouth é apenas a 29ª equipe inglesa na lista das que mais disputaram o primeiro nível do campeonato nacional, com 32 participações na elite. Ainda assim, o clube está na Premier League desde 2002, e tem em seu currículo recente nada menos do que a FA Cup de 2008. O que prova que ninguém resiste a uma administração leniente. O Portsmouth tem tudo não só para cair, como também para demorar a voltar.

Por outro lado

O West Brom atropelou impiedosamente o Middlesbrough em pleno Riverside neste final de semana, fazendo nada menos do que 5 a 0 no terceiro colocado, e consolidando sua liderança no Championship. Além dos dois, o Newcastle completa o trio de ponteiros da divisão, justamente os três que caíram. Com ao vitória acachapante, porém, os Baggies confirmam, embora, é claro, seja cedo para dizer o que acontecerá em maio, que são candidatíssimos a subir um ano depois de cair. Mais ou menos o que vem acontecendo com o time desde 2002.

A temporada passada foi a quarta do West Brom na Premier League desde que chegou a ela em 2002. Antes disso, o time estava fora da elite desde 1986. O time subiu em 2002, caiu em 2003, subiu em 2004, caiu em 2006, subiu de novo em 2008 e caiu em 2009. Ainda assim, perdeu Tony Mowbray para o Celtic, e teve que começar a temporada de técnico novo, Roberto Di Matteo, vindo de boa temporada com o MK Dons. E com a mesma disposição de todos os últimos anos: viver dentro da realidade.

Tudo indica que, no Championship, a realidade do West Brom é muito boa. A questão é saber se é o suficiente para sua torcida subir em um ano com folgas, para cair pesadamente no próximo. Os Baggies têm tradição e história do futebol inglês, tendo ganho o título em 1920, e a FA Cup cinco vezes,embora a última delas tenha sido em 1968. São, ainda, a 11ª equipe com mais participações na elite inglesa, com nada menos que 72 presenças – o Chelsea, por exemplo, tem 74.

A história de equipes como Leeds e Charlton, que sonharam grande e acabaram na terceira divisão, indica que a direção do West Brom faz bem em manter os pés no chão. O outro lado disso é que o clube parece conformado em ser o melhor dos piores. E aceitar isso é o primeiro passo para nunca mudar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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