Só pelos nomes

Quando chegou à África do Sul, a Inglaterra de Fabio Capello tinha, supostamente, dois grandes problemas: seu goleiro e a ausência de um companheiro de ataque para Rooney. Quando saiu do país, os problemas eram tão numerosos que estes dois começaram a parecer simples. A Inglaterra naufragou na Copa sem ter no que se segurar. O time não teve talento, não teve caráter e não teve consistência tática. E mesmo assim Capello ganhou mais dois anos no comando.
Sim, a multa era pesada. Sim, o italiano tem currículo de sucesso. Sua atitude diante dos problemas, entretanto, nnao mudou desde então, e indicar John Terry como capitão do time novamente só demonstra o quanto está distante da realdiade.
Terry não tem um problema de caráter simplesmente porque não tem caráter. Pode até ser um zagueiro razoável – e a má forma do Chelsea quando ele não tem um bom zagueiro ao lado prova que não é nada além disso – mas não pode, em hipótese alguma, ser um líder, um inspirador. Capello indicou Terry ao posto e nem ligou para Rio Ferdinand, o preterido, para avisar. O que também demonstra seu distanciamento da cultura do futebol inglês. Não, não deveria ter a menor importância quem é o capitão do time. Mas na Inglaterra, tem.
Bem, e daí, se a Inglaterra ganhou, e ganhou bem. Ganhou de ninguém, e não há quem não veja isso. Os galeses até têm dois ou três talentos – Bale, Ramsey –, mas estiveram incrivelmente longe de representar qualquer tipo de ameaça à Inglaterra. E ao equilíbrio de John Terry. Com isso, o jogo teve apenas dois efeitos: Rooney levou o amarelo, e fica fora do jogo com a Suíça em julho; por outro lado, alguns nomes aparecem bem, e, se bem conduzidos, podem representar tudo o que a Inglaterra não tem tido ultimamente.
Começando, claro, pelo gol, onde a equipe não tem um nome que não deixe dúvidas há tempo demais. Joe Hart é jovem, absolutamente não foi testado contra Gales, mas o simples fato de estar na meta um goleiro que, em seu dia-a-dia, nnao comete falhas absurdas, já dá ao time todo uma nova segurança. Segurança aumentada pela presença de Scott Parker, tão melhor que qualquer outro jogador na contenção que é ridículo que Capello tenha demorado tanto para chamá-lo.
Os outros nomes estão do meio para frente, ou quase, começando com o novo queridinho da mídia inglesa, Jack Wilshere. O jovem do Arsenal esteve, de fato, impecável. Na Inglaterra, ao contrário de seu time, teve um meio-campo a ajudá-lo – assim como Parker, Lampard jogou muito. No ataque, só não se destacou aquele sobre quem se tem poucas dúvidas, Rooney. Bent foi muito bem, o que não é novidade, mas, como se sabe, pode acontecer apenas duas ou três vezes por ano. Mas Ashley Young foi um dos nomes do jogo.
Hart já era figura certa no gol, mas a partida contra Gales deve ter mostrado a Capello que Parker, Wilshere e Young não podem sair do time. O que equivale a dizer que Gerrard e Barry não podem entrar – a não ser que Lampard dê lugar a um dos dois. Posso estar enganado, mas não vejo Capello mexendo com esse vespeiro político.
Já me enganei mais de uma vez com o italiano, pelo menos no que se refere aos resultados. Espero estar enganado de novo, mas, ao que parece, os ganhos desta partida contra Gales ficarão restritos aos três pontos. Todo o resto que todo mundo viu, Capello não terá visto. E a Inglaterra chegará fácil à Euro, e dela voltará com novo vexame. Desta vez, porém, podia ser diferente. Torço para estar mais uma vez enganado.



